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Carta da floresta completa 11 anos com apelo mais que atual

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Faz 11 anos que 60 escritores do Brasil, da África, da América Central e da América Latina, reunidos em Manaus, de 17 a 22 de novembro, no Festival da Literatura da Floresta (Flifloresta), realizado pelo grupo editorial Valer, publicaram a Carta da Floresta, um documento de 10 itens que apela à preservação do Planeta.

O documento foi elaborado pelos escritores João de Jesus Paes Loureiro, Thiago de Mello, Tenório Telles e Wilson Nogueira, e lido por Tenório Telles, na Cacheira das Onças, localizado em terras ancestrais dos índios Waimiri-Atroari, no município de Presidente Figueiredo, a 120 quilômetros de Manaus.

O documento foi lido pelo escritor e poeta Tenório Telles.

A Carta da Floresta 


Os Escritores e demais participantes do Festival Internacional da Floresta(Fliforesta), reunidos em Manaus, capital do Amazonas, de 17 a 22 de novembro de 2.008, elaboraram esta CARTA DA FLORESTA, que expressa sentimentos, preocupações e compromissos em relação ao presente a ao futuro da Amazônia e das suas populações.

A Amazônia pela sua complexidade e importância para o futuro da Terra, ocupa o centro das preocupações e debates sobre a vida no planeta.

Estudá-la, compreendê-la e defendê-la da ação predatória de certos modelos de desenvolvimento é uma responsabilidade de todos os cidadãos que fazem a história da nação brasileira.

É tarefa dos homens e mulheres comprometidos com a vida, com a construção de um mundo melhor e com a esperança. Daqueles que creem na utopia e na realização do sonho de edificação de uma terra sem males.

Ciosos do significado que a pátria das águas , das florestas e da magia – a nossa Amazônia – tem para a continuidade da vida, afirmamos nosso compromisso de defendê-la e empreender esforços para promover iniciativas capazes de preservá-la como espaço vital do ser humano, dos bichos, das plantas, das águas, dos passarinhos.

De todos os seres, inclusive os encantados. E por compreendermos que todos têm direito à vida, comprometemo-nos com a vida e os habitantes da terra de Ajuricaba – herói da Amazônia e personificação dos homens e mulheres de boa vontade que lutam por um futuro generoso, justo e melhor para todos.

1 – que a Amazônia brasileira pertence ao povo brasileiro, que por meio de suas instituições, deve agir para protegê-la em benefício das suas populações e da humanidade;

2 – que países amazônicos devem agir com precaução mútua, para proteger seus ecosistemas em benefício das suas populações e humanidade;

3 – que as intervenções sociais, econômicas e políticas para a Amazônia, quando necessárias, partam das necessidades e valores das suas populações, e não de interesses que se superponham a essa peculiaridade;

4 – que a Amazônia seja compreendida como múltiplos e complexos sistemas biológicos e culturais, cuja interdependência não pode ser negligenciada em prejuízo do ambiente e das suas populações.

5 – que as decisões de políticas públicas e outras formas de intervenção na natureza e no ambiente social, quando necessários, se efetivem por meio de diálogo entre conhecimento, tecnologia e os saberes tradicionais dos povos amazônicos;

6 – que as culturas amazônicas, nas suas mais variadas manifestações de criatividade e saber, sejam sempre reconhecidas como produção intelectual indissociável dos seus produtores individuais ou coletivos;

7 – que se expresse o repúdio, de forma imediata e enérgica, a qualquer forma de preconceitos e de vontade de subjugar os povos da Amazônia;

8 – que os governos dos países amazônicos empreendam ações conjuntamente para assegurar os deslocamentos culturais das populações tradicionais que vivem nas regiões fronteiriças, para que as suas terras tenham a legitimidade e a continuidade referendadas por suas tradições;

9 – que os conflitos inerentes às cidades e o meio rural amazônico
sejam mitigados pelo Poder Público e pela sociedade, para que não se transformem em risco à qualidade de vida humana e da natureza;

10 – que a Amazônia represente e seja reconhecida sempre, como um grande gesto de amor por toda a Humanidade.

Presidente Figueiredo, Amazonas/Brasil/Terra: 19 de Nov. de 2.008

 

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