Para pesquisadora da Ufam, “eles” querem explorar a Amazônia sem pagar quem a protege

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Wilson Nogueira

A pesquisadora e socióloga amazonense Marilene Corrêa de Freitas diz, em entrevista a este amazONamazonia, que as forças políticas e econômicas, hoje no poder, querem explorar os recursos da biodiversidade da Amazônia, mas não querem pagá-los às populações que os preservam.

Marilene é professora do Departamento de Ciências Sociais da Universidade Federal do Amazonas (Ufam), ex-reitora da Universidade do Estado do Amazonas (UEA) e autora de vários livros sobre a Amazônia.

Entre as medidas anunciadas do atual governo brasileiro, estão a liberação da garimpagem em terras indígenas, a reativação da exportação de madeiras em toras, encurtamento das terras indígenas, plantação de cana-de-açúcar  e ampliação dos plantios de soja.

Marilene se refere às ideias do governo Bolsonaro para incluir a Amazônia na economia nacional ao mesmo tempo em que afronta as representações das pulações tradicionais, como as dos indígenas.

As populacionais da Amazônia têm, em sua maioria, uma visão diferente da pretendida pelo governo, uma vez que as culturas do agronegócio e a garimpagem implicam derrubada de árvores e degradação do solo e dos rios.

Ela explica que o conceito de inclusão, para o atual governo, é muito diferente daquele debatido a partir da Constituição de 1988.

“Eles [os indígenas] não querem a inclusão econômica por baixo, como assalariados; eles não querem a inclusão politica por baixo, como subalternos; eles não querem a inclusão cultural por baixo, como subdesenvolvidos ou bárbaros”, explica.

Ela explica que essa questão, desde o início de 2000 até meado de 2004, estava “mais ou menos problematizada”.

Sim, nós queremos que a economia [amazônica] se envolva na economia nacional, que os povos tenham oportunidade de crescimento, mas de forma sustentável, mas de forma que assegurem esse crescimento a outros povos

(Marilene Corrêa de Freitas)

Segundo a pesquisadora, o atual governo incita essas forças [políticas e econômicas] a se apropriarem dos recursos da Amazônia, sem oferecer qualquer garantia de contrapartida social, econômica e ambiental aos seus moradores.

Marilene entende que o atual governo, por meio de medidas, propostas e declarações desmedidas, quer tornara a Amazônia uma região de terra arrasada, sem garantias constitucionais às populações mais vulneráveis social e economicamente.

“Vivemos aquilo que os juristas chamam de estados pós-constitucional”, afirmou.

Confira também em áudio.

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1 comentário
  1. Antonio Augusto da Silva Pinho Diz

    Boa tarde, parabéns a equipe do site. A professora e pesquisaora Dra. Marilene Corrêa, natural do estado do Amazonas, é uma intelectual da região que tem dedicado mais de 30 anos da sua vida a pesquisa e a formação de pesquisadores no Amazonas. Penso na necessidade de pergutarmos o seguinte: ” De qual desenvolvimento sustentatavel,
    estamos exatamente faltando? ” e ” Como incluir no processo de tomada de decisão das políticas públicas de desencolvimento à região, as comunidades ribeirinhas, os povos indígenas, e a comunidade quilombola ?”. Isso porque de acordo com os dados históricos, toda política de desenvolvimento à região, tem vindo de Brasília para cá. E quando existe participacao da sociedade, tal participacao fica restrita a uma elite política, empresariale intelectual. Temos 519 anos de história o nosso país, está na hora do povo ser incluído nesse debate e tomada de decisão.

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