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Erotismo, incesto e preconceito social permeiam a prosa de Tanizaki [Por WILSON NOGUEIRA]

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Primeiro, me impressionei com o título: A ponte flutuante dos sonhos (Estação Liberdade). Depois, fui arrebatado por uma leitura enigmática do começou ao fim.

O seguimento dessa viagem mágica é O retrato de Sunkhin, trama igualmente encharcada dos sentidos mais sublimes daquilo que se pode chamar, verdadeiramente, de fator humano.

Jun`Ichiro Tanizaki (1886-1923) é um dos autores japoneses, aos quis já fui apresentado, que me causaram profunda reflexão sobre a vida e sua inseparável parceira, e, também, sobre a criação literária.

Poderia até encerrar por aqui as minhas impressões sobre esses dois contos reunidos em uma publicação da Editora Estação Liberdade, de São Paulo, com tradução de Andrei Cunha, Ariel Oliveira e Lídia Ivasa.

[Imagino o trabalhão que deve ser traduzir os ideogramas japoneses para a escrita da língua portuguesa]

Mas, para aguçar ainda mais a imaginação dos leitores, principalmente os iniciantes em prosa japonesa, grupo no qual me incluo, destaco ainda dois pontos: a sutileza na abordagem de temas tabus e polêmicos – isso em várias culturas –, como erotismo e encesto e preconceito de classe social; e a riqueza de cenas, as mesuras, as artes, cenários e vozes que compõem essas narrativas de Tanizaki.

Há um erotismo e um incesto que se chocam com valores morais e religiosos, mas esses se manifestam por meio de uma reflexão sobre conjunto de situações sugeridas pelo autor.

Assim, a meu ver, o leitor é quem decide se isso é ou não é erótico, se é ou não é incesto – isso no sentido espetacular –, porque mais importante que um detalhe ou um afeto picante, é a beleza que as palavras cuidadosamente escolhidas expressam.

O erotismo, incesto e as barreiras sociais, por aqui, se apresentam no belo, mas não se encerram em si.

Por isso, sem um acabamento desejado por esse ou aquele leitor, seguem agitando e inquietando mentes e corações mundo afora.

A poesia dos poetas ancestrais, as fontes de águas cristalinas, as montanhas, os templos, o voo dos pássaros e as relações preconceituosas entre diferentes classes sociais se entrelaçam na criação de Tanizaki.

Há uma madrasta derramando afetos ao enteado, há um casal que, por caminhos tortuosos, se relacionam desde pequenos até a velhice. E daí? O que posso adiantar é que essa é a espinha dorsal do conto Retratos de Shunkin.

Com Tanizaki, Assim, fica viajar pelo Japão da época e perceber que esse país é um “império de outros sentidos”.

Nos dois contos, o autor desenvolve histórias que transportam o leitor para dentro do livro.

É impossível não se ver dando pitacos sobre os prováveis desfechos das duas tramas.

Isso porque Tanazaki deixa aberturas para seguirmos, no mínimo, discutindo sobre possiveís gran finales.

Não. Não vou falar sobre as minhas “conclusões”, até porque não as tenho.

Penso que um autor da estatura de Tanazaki quer mesmo é que continuemos “fazendo” e “refazendo” as suas obras.

Aliás, ele mesmo deixa pista de que é um continuador de obras outras.

Só isso.

Trecho de A ponte flutuante dos sonhos: 

– Será que você ainda se lembra de como mamar? – perguntou, segurando um dos seios em minha direção.

– Se quiser, eu deixo! Vamos, tente!

Posicionei meus joelhos até ficarem bem posicionados nos de minha mãe. Abri o decote de seu quimono e inseri um dos mamilos em minha boca. De início, nenhum leite saía, mas, enquanto eu continuava sugando, minha língua lembrou-se do que fazer.

Apesar de já ser quase quinze centímetros mais alto do que ela, quando me inclinava e enterrava meu rosto em seus seios, conseguia fazer com que o leite jorrasse.

– Mamãe! – disse, instintivamente, com uma voz de criança mimada.

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