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Professor adota literatura de cordel para ensinar Filosofia

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Em Lábrea (AM), o professor do Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia do Amazonas (Ifam) Ronilson Sousa Lopes ensina Filosofia para adolescentes do Ensino Médio com apoio da literatura de cordel.

Escritor e ensaísta, Sousa Lopes decidiu rabiscar uns versos para testá-los como apoio didático. “E deu certo”, comemora, mas logo avisa: “Não sou um cordelista genuíno”.

Entre os cordelistas, o “genuíno” é aquele (a) que vive da arte do cordel e, em larga medida, aquele (a) que produz e comercializa os seus livretos e folhetos nas ruas ou feiras.

Com o cordel, Sousa Lopes revela que consegue a atenção e o interesse dos alunos pelos conteúdos da sua disciplina.

Afinal, uma das características dessa literatura é informar e ao mesmo tempo divertir os leitores ou ouvintes das recitações.

O professor explica que procurar escrever os seus cordéis com o rigor dos cordelistas, mas reconhece que se trata de uma literatura complexa, por isso requer habilidade e literatura de mundo de quem a prática.

“É preciso ter muita paciência para tecer as palavras de forma metrificada”, esclarece.

Suas incursões por esse gênero literário o levaram ao maior reconhecimento dos cordelistas, geralmente pessoas humildes e do povo que praticam o cordel pelo prazer de divertir e informar, sem a intenção do reconhecimento ou da canonização como literato. “Quem reconhece o cordelista é o povo”, explica.

O cordel se disseminou na Amazônia com a chegada nordestinos recrutados para trabalhar nos seringais, no final do século 19 e começo do século 20.

Lábrea é uma das cidades amazonenses que surgiu a partir da economia da borracha.

Com o cordel, Sousa Lopes pôde, por exemplo, explorar como tema de aula a mitologia grega em diálogo com a mitologia indígeno-cabocla. Isto está no folheto Mitologia Grega e Amazônica, ao qual pertencem estes versos:

Ouvistes falar dos gregos

O grande e poderoso Zeus

Os trabalhos de Hércules

O famoso semi deus

E tantas narrativas

Bastantes significativas

Que se escreveu

//

Aqui mesmo na Amazônia

Há muita mitologia

Ligadas às comunidades

Tradicionais, que com alegria

Deixaram nos um legado

Às vezes desvalorizado

Por ser tido como fantasia

Versos como esses, segundo Sousa Lopes, podem ser motes para uma edificante aula de Filosofia, na qual se incluem o jeito de viver, pensar e imaginar dos povos da Amazônia.

Confira a entrevista que o professor Ronilson de Sousa Lopes concedeu a este sítio:

De onde vem essa veia cordelística?

Não me considero um cordelista genuíno.

Eu escrevo poesias, crônicas e contos.

Escrever cordel era um desejo que eu tinha em realizar  e isso aconteceu em 2016 quando consegui inspiração para escrever meu primeiro cordel, O Fofoqueiro.

A partir daí fiz vários cordéis, porém tenho um pouco de dificuldade e falta de paciência em metrificar, mas conto com a colaboração de alguns amigos que fazem a revisão.

No entanto, amo a literatura de cordel.

Lembro-me que na minha infância, minha mãe Oneide costumava ler, dentre outras coisas, folhetins de cordéis. Por isso aprecio tanto essa literatura.

O cordel é a sua primeira experiência em criação literária?

Eu comecei a escrever poesias ainda na adolescência.

Mais tarde, comecei a escrever contos, com a ajuda de uma professora chamada Helena Contaldo, em Belo Horizonte – MG.

Hoje o gênero conto é o que eu mais gosto de escrever. No entanto, sonho em escrever um romance.

Vi que o senhor também adota a Filosofia como tema. Conte-nos um pouco dessa experiência.

Desenvolvi vários cordéis para trabalhar temas filosóficos no Instituto Federal [Ifam], onde trabalho.

Vi que é uma experiência viável e agradável para aproximar a filosofia do dia a dia dos adolescentes e jovens. Foi assim que desenvolvi a maioria dos cordéis que escrevi.

 Qual a sua temática preferida para o cordel? Por que?

Minha temática preferida terminou sendo a filosofia, pelo trabalho como professor dessa disciplina, porém escrevo sobre outros temas, por exemplo, escrevi um cordel sobre gravidez na adolescência – O Cafajeste.

Ele tem esse nome porque retrata a realidade de muitas adolescentes que ficam grávidas e os pais das crianças, em sua maioria, se eximem da responsabilidade, sendo um ato cafajeste, na minha opinião.

Esse cordel juntamente com o Fofoqueiro foi selecionado em 2019 para participar da antologia Um encanto de cordel, pela Cartola Editora.

Quem são os seus leitores de cordel?

A princípio são meus alunos. Escrevo para eles. Não publiquei praticamente nada até agora, além desses dois da Cartola Editora.

Estou tentando desenvolver uma antologia de cordel Amazônico com alguns amigos, entre eles Nilton Azevedo, um jovem amazonense que tem muita experiência na área.

Fale-nos sobre os seus livros, os de prosa e os de poesia não cordelista.

Meu primeiro livro chama-se Contos do meu sertão, publicado pela Editora O Lutador em 2010.

Tem algumas cópias dele sendo vendidas pela Estante Virtual.

Há uma resenha sobre ele na revista Horizonte Teológico nº 17 de 2010.

O segundo chama-se Filosofia e vida: diálogos entre amigos, em parceria com o escritor João Uilson.

Foi lançado em 2019 pela editora Scortecci.

Além desses dois participei de várias antologias, entre elas, Poetize 2018, Antologia Basta, pela Editora PVB, Adolescência e seus temores, da Editora Jogo de Palavras e vários outros.

O último foi Além Mundo, pela Amazon, em parceria com João Uilson e Letícia Lopes.

Como se dá a sua articulação com os colegas escritores e com os leitores a partir de Lábrea?

A cidade de Lábrea, assim como a maioria das cidades do Amazonas, além de pequena é isolada.

Aqui há poucos leitores.

A minha estratégia para publicar e divulgar o meu trabalho foi participar de antologias com outros autores, assim fui conhecendo pessoas em vários lugares do Brasil.

Por exemplo, Rodrigo Starling, quando participei da antologia Cem poemas cem mil sonhos; Letícia Lopes, Cearense, quando participei da Antologia Basta; João Uilson, Cearense, mas que mora em Minas; As Cartas Filosóficas: diálogos entre amigos: Vanessa Nunes, Rio de Janeiro; Antologia Basta: Rozelia Scheifler Rasia, do Rio Grande do Sul, presidente da Academia Internacional de Artes, Letras e Ciências “A palavra do Século 21”, da qual faço parte como acadêmico correspondente.

Aqui no Amazonas o professor Hélio Rocha, Elias Bezerra, o senhor Wilson Nogueira, Nilton Azevedo e alguns amigos escritores e colegas de Mestrado em Estudos Literários da UNIR em Rondônia que estão se preparando para lançar seus primeiros trabalhos e cujas conversas são sempre muito inspiradoras, Francisca Lusia, Fancliene Sousa, João Pedro Antelo, Edimilson Macedo, Luciele Pantoja, enfim muitos outros escritores que eu me comunico e me fazem pensar em novas coisas e articular sempre novos trabalhos.


Perfil do entrevistado

Ronilson de Sousa Lopes é natural de Carolina (MA), mas passou a sua infância em Goiatins (TO).

É licenciado em Filosofia pelo Instituto Tomás de Aquino, pós-graduado em Metodologia do Ensino de Filosofia e Sociologia pelo Centro Universitário Barão de Mauá.

É professor do Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia do Amazonas (Ifam), campus de Lábrea.

É autor do livro Contos do meu serão (Editora Lutador) e dos livros de cordéis Mitologia Grega e amazônica, Diálogos filosóficos em literatura de cordel e Fofoqueiro – esse último em parceria com o escritor João Uilson Vieira Filho.

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3 Comentários
  1. Izabel Diz

    Parabéns, colega! As pessoas virtuosas se revelam na singeleza. Sucesso, sempre…

  2. Lúcia Chayb Diz

    Cordel é tão criativo quanto os repentes! Amo! Parabéns, professor Ronilson de Sousa Lopes!
    Com certeza os seus ensinamentos através do Cordel, serão melhor acolhidos pelos estudantes. Que seu método sirva de inspiração e ser replique!

  3. Val Rodrigues Diz

    Sou cordelista (história/cultura) e gostaria do contato de Renilson Souza Lopes. Meu nome no face: Val Rodrigues – Jequié BA.

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