Parintins também faz festa para os livros [por Wilson Nogueira)

A Biblioteca Municipal Tonzinho Saunier incorporou mais 1.600 títulos ao seu acervo, os quais ficarão à disposição dos leitores.

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Doei parte significativa do meu acervo bibliográfico aos meus conterrâneos parintinenses.

Os livros estão na Biblioteca Municipal Tonzinho Saunier, prontos para circular entre os sedentos por leitura edificante.

Imaginei que, após tomada essa decisão, fosse fazer uma foto de despedida ao lado dos meus cúmplices de caminhada intelectual e pronto!

A despedida não foi assim tão discreta.

Fui surpreendido com uma calorosa celebração ao meu gesto e aos livros que agitarão novas mentes e corações.

Pensem numa pessoa empavulada!

Autoridades locais, artistas e leitores lotaram o auditório para recepcionar as novas estrelas da biblioteca.

Mais grato ainda fiquei com presença de colegas de infância, a maioria da Baixa de São José, onde nasci, na manhã do dia 8 de setembro de 1958.

É. Em Parintins também se faz festa para os livros.

E isso me enche de vida, orgulho e coragem para praticar e sonhar com uma sociedade cada vez mais justa, inclusiva, solidária e consciente de que estamos todos na mesma nave de destino; nós, e outros seres vivos e não-vivos.

Teci palavras que exprimissem a mais profunda sinceridade nessa ação de desapego material e apego ao compartilhamento das ideias que nos informam e nos dão consciência do mundo movido por mil interesses.

Os livros, lidos e entendidos na sua diversidade de ideias, são capazes de iluminar a nossa posição de ação e intervenção nos rumos da sociedade.

Então, fiz questão de enfatizar que doei os meus livros – e quem ama os livros saberá significar o que digo – por gratidão a Parintins, o lugar que me recebeu no berço e que me empresta um estado de alto estima elevado.

Penso que consegui o meu objetivo, que não era outro senão o de estimular iniciativas que valorizem os livros, a leitura, literatura e outras atividades culturais que se contrapõem ao obscurantismo que hoje, mais do que nunca, ronda a sociedade brasileira.

Li, por exemplo, uma das frases que a coordenadora da biblioteca Tonzinho Saunier, Fernanda Butel’, pinçou da minha fala e postou nas redes sociais: “Pratiquem a gratidão e a solidariedade em excesso”.

Que isso seja lido e praticado pelos gestores públicos principalmente.

Precisamos ser gratos por nascermos e estarmos neste planeta, não importa o quão minúsculos sejam os torrões sobre os quais nos movemos.

E essa gratidão não precisa vir sempre com suntuosidade.

Uma palavrinha pode estimular a solidariedade, a amorosidade e afetividade entre os que partilham suas existências neste canto do universo.

As palavrinhas estão nas conversas do começo de noite com a família e os amigos, nas salas de aula, no cotidiano e nos rituais que o renova, e, principalmente nos livros.

Aliás, é no diálogo com os leitores que as palavrinhas dão o verdadeiro sentido para o objeto livro, antes só objeto.

Aqui, o livro precisa ser compreendido como suporte de leitura, que agora se transfere com rapidez aos leitores digitais.

Não há problema. O importante é criar acessibilidade à leitura a quem dela está excluído.

Meu desejo é que esse gesto de gratidão, tão bem recepcionado, se esparrame no chão amazônico, onde a samaumeira cresce viçosa e deslumbrante.


Meus agradecimentos aos incentivadores:

Maria do Rosário Reis Nogueira (esposa e companheira de jornada)

Enã Wilson Reis Nogueira (filho)

Dassuem Reis Nogueira (filha)

Bi Garcia (prefeito)

Tony Medeiros (vice-prefeito)

Telo Pinto (vereador e mediador da doação)

João Ribeiro Costa (secretário municipal de Educação)

Fernanda Butel (coordenadora da Biblioteca Municipal Tonzinho Saunier)

Carlos Fragata (professor de Braile da Biblioteca Municipal Tonzinho Saunier)

Demonteverde (coordenador da Escola de Línguas Aldair Kimura)

Fábio Cardoso (presidente do Boi-Bumbá Garantido)

Narciso Picanço (presidente da Academia Parintinense de Letras -APL e representante do Boi-Bumbá Caprichoso)

Isaac Maciel (editor da Valer)

Tenório Teles (crítico de literatura brasileira e coordenador editorial dos meus livros já publicados)

Monte Monteverde (músico)

Élcio (Elcinho) Simas, representante da família Simas Souza.

Suzan Monteverde (prima e presidenta da Associação Regional Lindolfo Monteverde)

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