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Livro sobre cartas a Jango ajuda a compreender o Brasil de hoje, diz Juremir Machado

Juremir entra no baú secreto de Jango e sai com um livro que também poderia se chamar Todos pedem ao presidente.

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Juremir com o pensador francês Edgar Morrin
Juremir em Manaus, com os professores Wilson Nogueira e Mirna Feitoza, na qualificação do hoje Mestre em Ciências da Comunicação Edilson Duarte

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Wilson Nogueira*

O professor, pesquisador e escritor Juremir Machado da Silva vai lançar, no próximo dia 26, em Porto Alegre (RS), A memória e o guardião: em comunicação com o presidente da República – relação, infuência, reciprocidade e conspiração no governo João Goulart (Civilização Brasileira).


João Marques Belchior Goulart (1961-1964), o Jango, fez um governo que é considerado como a primeira experiência democrática brasileira, embora com limitações impostas pelas elites empresariais e políticas, apoiadas por uma casta de militares, inconformadas com as transformações econômicas, políticas e culturais em curso no País.


A obra é resultado de pesquisa em documentação inédita da Presidência da República,  que revela a comunicação de Jango com políticos, empresários, jornalistas, religiosos, celebridades e brasileiros comuns e anônimos.

Esses documentos, entre eles, cartas, recadinhos e despachos de punho do presidente, ficaram sob a guarda do assistente de gabinete Wamba Guimarães, a pedido de João Goulart, no momento em que ele era deposto do cargo pelo golpe militar de 1964.

Enquanto Jango partia para o exílio,  Wamba seguia com duas malas de papéis para o interior de São Paulo, onde as guardou por mais de 50 anos, até a sua morte. .

Diante dos achados, o autor acredita que o livro também poderia se chamar Todos pedem ao presidente da República. 

Em entrevista, por intermédio de emeio,  Juremir Machado da Silva afirma que esse livro pode ajudar o leitor a entender melhor o Brasil de hoje.

Em que medida a história/memória de João Goulart nos ajuda a compreender os dias de hoje?

Creio que ajuda muito.

É como se voltássemos no tempo para ver de modo cristalino a cristalização de um imaginário.

Não somos o que somos a partir do nada, mas com base em longo processo de gênese, maturação e disseminação.

O exame da época do Jango, a partir de uma correspondência com todos os escalações da nossa sociedade, revela um sistema de trocas, influências, clientelismo, hierarquias, arranjos políticos, tomá-lá-dá-cá.

O título do livro poderia ser Todos pedem ao presidente.

Há documentos que revelam acertos partidários, partilha de cargos, rateio da máquina pública.

Pedem os poderosos, pedem os aliados, pedem os adversários, pedem os que querem se aproximar, pedem os anônimos, os pobres, os distanciados do poder, etc.

Como lidar metodologicamente com a memória, no caso representada pelas cartas, que emitentes e destinatários talvez preferissem não revelar?

Vejo o historiador como um jornalista que cobre o passado.

Para mim, a história é grande reportagem.

Nesse sentido, o historiador/jornalista incomoda, revela, mostra o que está encoberto, dá a ver.

Papéis enviados a um presidente da República são documentos que precisam ser públicos, ainda mais passado certo tempo.

Essa é a regra internacional.

Não se trata de estigmatizar este ou aquele, mas de mostrar um funcionamento, um sistema, um imaginário, um modo de funcionamento do poder.

O que pode vir a ser polêmica nessas revelações, na sua opinião?

Entendo que o leitor ficará perplexo diante da dinâmica, da engrenagem.

Verá o presidente da República cercado por demandas inacreditáveis.

Pede JK, pede Tancredo Neves, pede o general, pede o arcebispo, pede a dona de casa, pede o deputado, o senador, o governador.

Um pede empréstimo público para comprar a casa própria, outro pede emprego para um parente, outro ainda pede a transferência de um contínuo do Banco do Brasil.

Uns conspiram, outros criticam, todos pedem, alguns agradecem.

Qual a sua expectativa para a recepção dessa nova obra dentro e fora do ambiente acadêmico?

Sou um pesquisador de campo.

Gosto de arquivos, documentos, fontes primárias, informações novas.

Estou convencido de que a informação levantada vale mais do que o requentar teorias ou tentar confirmar as teses deste ou daquele autor.

Para mim, tudo é jornalismo: sociologia, antropologia, história. Evidentemente com graus de adensamento diferentes. A chamada etnografia e o trabalho de campo dos antropólogos é grande reportagem.

Mais do que julgar, observar, descrever, dar voz, narrar, mostrar.

Tenho grande apreço pela criação de teorias, que poucos realizam, e também muito apreço pelas grandes reportagens intelectuais em forma de monografia, dissertações, teses, livros resultantes de pesquisas, etc.

Fale-nos um pouco sobre o seu projeto de pesquisa atual.

Meu projeto é este cujo primeiro resultado é o livro A memória e o guardião.

Meu interesse é a relação comunicacional concreta entre o poder central e a nação.

Tive a sorte de receber intacto quase mil documentos protegidos por Wamba Guimarães, assessor de gabinete de Jango.

Quando Goulart caiu, pediu a Wamba que se encarregasse da correspondência da qual já se ocupava.

Wamba assumiu a missão até morrer. Nada mais fascinante do que ter acesso a um naco inédito do passado.

Obras do autor:

  • A Miséria do cotidiano. (Sociologia) Artes & Ofícios, Porto Alegre, (1991).
  • A Noite dos cabarés. (Reportagem) Mercado Aberto, Porto Alegre, (1991); Segunda edição, Editora Pradense, (2013).
  • Muito além da liberdade: ensaio sobre a pós-modernidade. (Ensaio) Artes & Ofícios, Porto Alegre, (1991).
  • O Pensamento do fim do século. (Entrevistas com artistas e intelectuais) L&PM, Porto Alegre, (1993).
  • A Prisioneira do Castelinho do Alto da Bronze. (Romance-reportagem) Artes & Ofícios, Porto Alegre, (1993).
  • Cai a noite sobre palomas(Romance) Sulina, Porto Alegre, (1995).
  • Anjos da perdição: futuro e presente na cultura. (Sociologia) Sulina, Porto Alegre, (1996).
  • Viagem ao extremo sul da solidão. (Romance) Sulina, Porto Alegre, (1997).
  • Visões de uma certa Europa. (Entrevistas com intelectuais) Edipucrs, Porto Alegre, (1998).
  • Fronteiras(Romance) Sulina, Porto Alegre, (1999).
  • Le Brésil, pays du présent. Desclée de Brouwer, Paris, (1999).
  • A Miséria do jornalismo brasileiro. (Sociologia – Jornalismo) Vozes, Petrópolis-RJ, (2000).
  • As Tecnologias do imaginário. (Ensaio) Sulina, Porto Alegre, (2002).
  • Ela nem me disse adeus. (Novela) Sulina, Porto Alegre, (2003).
  • Adios, baby. (Novela) Sulina, Porto Alegre, (2003).
  • Nau frágil. (Novela) Sulina, Porto Alegre, (2003).
  • Getúlio. (Romance histórico) Record, Rio de Janeiro, (2004).
  • Para homens na crise dos 40 e mulheres interessadas em compreendê-los. (Crônica) Sulina, Porto Alegre, (2005).
  • Mal dito. (Aforismos) Bipolar, Porto Alegre, (2005).
  • Aprender a (vi)ver. (Crônica) Record, Rio de Janeiro, (2006).
  • Antes do Túnel – uma História Pessoal do Bom Fim. (Ensaio – memória) Editora da Cidade, Porto Alegre, (2007).
  • Solo(Romance) Record, Rio de Janeiro, (2008).
  • Les technologies de l’imaginaireLa Table Ronde, Paris, (2008).
  • O que pesquisar quer dizer: como fazer textos acadêmicos sem medo da ABNT e da Capes. (Ensaio) Sulina, Porto Alegre, (2010).
  • História regional da infâmia: o destino dos negros farrapos e outras iniquidades brasileiras, ou como se produzem os imaginários. L&PM, Porto Alegre, (2010).
  • 1930: Águas da revolução. (Romance histórico) Record, Rio de Janeiro, (2010).
  • Trilogia de Palomas – Cai a noite sobre Palomas, Viagem ao extremo sul da solidão e Fronteiras. (Romance) Sulina-Correio do Povo, Porto Alegre, (2011).
  • Vozes da Legalidade – Política e imaginário na Era do Rádio. (Ensaio) Sulina, Porto Alegre, (2001).
  • Um Escritor no fim do mundo: viagem com Michel Houellebecq à Patagônia. (Ensaio) Record, Rio de Janeiro, (2011).
  • A Sociedade midiocre – Passagem ao hiperespetacular: o fim do direito autoral, do livro e da escrita. (Ensaio – Sociologia) Sulina, Porto Alegre, (2012).
  • A Orquídea e o serial-killer. (Crônica) L&PM, Porto Alegre, (2012).
  • Jango: A Vida e A Morte No Exílio. (como foram construídos, com ajuda da mídia, o imaginário favorável ao golpe e as narrativas sobre as suspeitas de assassinato do presidente deposto em 1964) (Ensaio) L&PM, Porto Alegre, (2013).
  • 1964 – Golpe midiático-civil-militar. (Ensaio) Sulina, Porto Alegre, (2014).
  • Avec Michel Houellebecq en Patagonie. CNRS, Paris, (2011). (En poche), (2014).
  • Correio do Povo, a primeira semana de um jornal centenário(Ensaio) Sulina, Porto Alegre, (2015).
  • Corruptos de estimação e outros textos sobre o golpe hiper-real(Crônicas) Sulina, Porto Alegre, (2016).
  • Diferença e Descobrimento. O que é o imaginário?(Ensaio) Sulina, Porto Alegre, (2017).
  • Raízes do Conservadorismo Brasileiro: a abolição na imprensa e no imaginário social(Ensaio) Civilização Brasileira, Rio de Janeiro, (2017).

* O autor é jornalista e escritor.

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