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Enquanto isso, que o sentido da vida nos afete plenamente [Por Enã Wilson]

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No tempo histórico em que estamos, no qual é necessário nos guardarmos em casa, alguns pensamentos me levam à vida mais ampla e plena.

Surpreendeu-me o fato de uma pandemia se manifestar tão perigosa em tão pouco tempo.

Assombrou-me a possibilidade de uma morte sem rito de despedida.

Juntou-se a isso a rotina de despertar e adormecer observando na internet a contagem dos mortos em nosso país e no mundo.

Algo me intrigou ao observar tamanha fragilidade; estamos num caminho que nossos antepassados fizeram, um caminho que nunca imaginei caminhar.

Esse sentimento de buscar entender a morte como parte da vida – apesar de soar clichê – vem se repetindo nos longos velórios. Não é fácil de entendê-lo sem  uma reflexão profunda.

As nossas preocupações se voltaram às sociedades, principalmente às mais antigas, que passaram por essas situações de perigo coletivo: será que vou sobreviver a essa “peste”?

Nós, ocidentais, olhamos para Roma e vemos o Papa rezando sozinho e dizemos: “que cena impactante!”.

E logo os religiosos cristãos lembram de devoções medievais que se propunham a espantar as epidemias.

É impressionante como as sociedades tendem caminhar os mesmos caminhos, ainda que esses se apresentem de modo diferente.

Hoje temos a internet, a rapidez na comunicação, a medicina avançada, porém a angústia e a incerteza são as mesmas; o sentimento de que “Deus te livre da peste” é idêntico, só que sem alguns costumes e hábitos dos séculos passados.

Quando criança, observava minha avó, no Dia de Finados, a acender inúmeras velas, cada uma com o nome de algum “fulano finado”.

E eu, na minha ingenuidade pensava: um dia quero ter tantos finados assim para acender tantas velas.

Mal sabia o remédio amargo que cada vela representava, não sabia que elas contêm as chamas da saudade que nunca se apagam.

Tanto minha finada avó como muitos daquela geração conviveram ou traziam nas lembranças, por disseminação do registro histórico, as agruras da morte repentina e violentas das “pestes” principalmente.

Naqueles tempos, eram pessoas que moravam no campo, onde muitos filhos nasciam e muitos morriam sem se dispersar.

Em tempos de “pestes”, se alguém tivesse febre e adoecesse já esperava os sacramentos de despedida.

Hoje admiro a maturidade dos que conseguiam sobreviver e não se fechar em eterno luto ou revolta constante.

Assim, nos deparamos com a morte e valorizamos a vida; presos valorizamos a liberdade, e desse jeito vão se entrelaçando os contrastes que o viver nos impõe.

Essa experiência de sentir o que nossos antepassados sentiam, despertou-me inúmeros contrapesos na balança da vida.

Vejo, por meio deles, a filosofia em prática.

Quando existe uma crise significa, é porque a vida soou o seu clarim anunciando que é hora de crescer.

Busco nessa hora observar a filosofia antiga, que é iluminadora nesse tema.

A morte é a nossa conselheira, sabia e igualitária.

Muitas vezes discutindo esse assunto com meu pai, sempre lhe disse: lembras daquele menino que brincava na Baixa de São José, em Parintins? Ele já não existe, assim como a adolescência e as outras fases da vida, pois essas fases morreram para que outras pudessem nascer.

O pensamento reflexivo dado por essa conselheira é: será que estamos “vivendo” ou entregando tudo ao piloto automático, à mecanicidade e à rotina.

Muitas vezes fazemos como Penélope na mitologia grega, tecemos de dia e destecemos a noite, retornando aos mesmos erros.

Algo em nossa vida realmente vale a pena e, assim, devemos permanecer orgulhosos de viver , buscando o equilíbrio,  nos focando na nossa real essência humana, que é estar alinhados ao sol do sentido da vida, que passa por cima das montanhas, vales e intempéries sem perder o seu brilho, coerente e eterno.

Se nos identificamos com essa essência, ficaremos iguais a ela: eternos, pois, o que é de César fica como pagamento da dívida, e o que é ideia vai para o mundo das ideias e não poderá ser destruído, só transformado e renovado.

Assim, concluo que passamos na vida muitas mortes e muitos nascimentos de inúmeras formas, às vezes sem perceber.

Enquanto vivos, que vivamos a vida mais ampla e plena!

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2 Comentários
  1. Arlete Taboada Diz

    Lindo.. de parar o dia-a-dia apressado e cinzento que estamos vivendo

    1. Wilson Nogueira Diz

      blz. obrigado!

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