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Fragmentos de saudades coabitadas no tempo-espaço [Por Ivânia Vieira]

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 O tempo da saudade é imperativo?

Como desenhar a forma da saudade?

A saudade da saudade que eu sentia antes dele chegar.

Descubro o sabor bom do abrir a porta e deixar a sala em burburinho, os copos tocados, as garrafas dançantes, mãos falantes. As risadas soltas, os causos compartilhados entre uma e outra música.

Um fim-de-semana qualquer de lembranças… o café com pão e tucumã, junt@s;

Redescobertas da importância de saber que posso vê-la na casa, dizer ‘oieee, bença!’ e engatar a conversa fiada; de ver a vida brincando outro jogo, brindando as crianças de maior agilidade que eu com minhas risadas.

Saudade da pergunta comum: ‘onde está o encontro?’ e como ir até ele? Reuniões,  rodas de conversa. Na rotina agitada desse jeito de viver? Sinto saudade, é fato, de nós.

Agora percebo fragmentos de saudades, no momento onde vivo. Redescobrindo coisinhas e coisonas na habitação onde eu era apenas passageira de um sono viajado sem escala nem piscadas para fantasias.

Já é possível abrir uma janela no tempo e matar a saudade na contemplação do crescimento das plantas, do nascimento das flores ou para o lamento da planta que sucumbiu.

Na saudade também existe o presente interrogador. Ontem era o cantinho chamado de ‘casa da gente’, o lugar de dormir, o banco preferido para sentar. Os parentes, até mesmo aqueles assentados à Direita de Deus.

Hoje, filha de uma Pátria que vai se desamando pelo imenso solo Brasil. Um vírus que não faz distinção e cola nos pulmões com licença para matar.

Como saber do tempero da saudade? Quantas pitadas e do que precisamos? Quem sabe os poetas tenham a receita da palavra nessa incompletude existencial, visceralmente, humana.

Eu andava pensativa sobre a pressa cotidiana. Por que correr para alcançar amigas em passos tão acelerados? Por que as pessoas respondem sem ouvir as perguntas que faço com tamanha certeza, logo após rápida consulta ao Google “pronto” para qualquer reposta.

Ando pensando a respeito do direito à leseira. Ficar lesando, à moda amazônica, parece ser um tipo de antídoto contra essa (neo) forma de respostas instantâneas, bem diferentes daquelas na “ponta da língua”.

Lembranças que se confundem com saudades no corre-corre do dia-a-dia. Na disputa do cansaço contra o relógio sem marcador de tempo. Outro relógio surge testando minha capacidade de superar o vício. É este que revela as muitas saudades do ontem e do hoje em fragmentos de um cotidiano disposto a encontrar a saudade de sentir saudade.

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