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O coronavírus desmascara o capitalismo [Por Wellington Pereira*]

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O coronavírus, a mais perigosa pandemia depois da Peste Negra – em 1348 -, questiona o mercado de indulgências dominado pelo capitalismo midiático, a farsa dos banqueiros reis taumaturgos, travestidos de políticos, que dizem curar com a tibiez de suas convicções capitalistas.

O capitalismo criou a técnica para enfeitiçar seres humanos: o fetiche da mercadoria.

Cada mercadoria traz fetiche àqueles que consumem. Por isto, quanto mais cara a mercadoria maior o seu fetiche.

Os cidadãos que podem provar o fetiche de mercadorias de luxo, produto haute de game – como dizem os franceses – se sentem próximos do Olimpo, por isto não é à toa que produtos são nomeados com deuses gregos ou latinos.

A população de classe-média que habita países na periferia do capitalismo (como o Brasil) se espelha na ascensão social das classes mais abastardas dos países verdadeiramente capitalistas (EUA, Inglaterra, Coreia do Sul, Canadá, Japão), através do consumo.

Algumas mercadorias servem de senha para alcançar o ‘maná’ da ilusão capitalista, como é o caso do automóvel.

Alguém já teve ter escutado de um amigo ou parente: “Meu filho está morando nos Estados Unidos e no primeiro ano de trabalho comprou um carro zero”. Euforia que disfarça os ardis da sociedade capitalista.

Evidentemente, o automóvel é a mercadoria símbolo da sociedade de massa, consumista, que não respeita a esfera pública, tendo no individualismo a combustão para as ilusões da felicidade privada.

O automóvel é mot de passe (senha) para desistirmos de salvar a expressão tornada cara pelo Cristianismo urbi et orbi – da cidade para o mudo, porque o que vale é sentar em algum trono do consumismo – mesmo que seja de plástico.

Mas com esta pandemia da convid-19, o jornalismo da CNN Brasil tem demonstrado a falência do sistema sanitário e educacional dos EUA – muito antes do coronavírus.

No sistema universitário estadunidense, alguns dados chamam atenção:

1) Nos EUA, três entre quatro universidades são públicas, mas recebem os piores financiamentos; 2) 33% dos universitários não têm dinheiro para se alimentar nos campi; 3) os contratos para a docência não são vitalícios, o que cria uma diferença salarial estúpida entre professores numa mesma universidade; 4) a maioria dos alunos universitários não tem acesso a internet de boa qualidade – sequer pode acompanhar as aulas virtuais; 5) os alojamentos universitários, com alguns exceções, são precários.

Este primeiro mundo – quer na Europa, quer na América do Norte – é para poucos – pois a maioria não tem acesso a bens primários, como boa moradia, saúde pública e educação de qualidade.

*O autor é jornalista, doutor em Sociologia e Professor de Mídias na UFPB

 

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