O mundo não é mais o mesmo! E agora? [Por Wilson Nogueira]

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Wilson Nogueira*

Já está dito: o mundo em que vivemos já não é o mesmo!

Então, resta-nos compreender o novo mundo que o novo coronavírus nos legou, para aprendermos a viver nele e com ele.

De antemão, é preciso entender que os valores e os hábitos antigos já não nos servem mais.

Precisamos mudar desde as pequenas tarefas diárias às mais tenebrosas decisões, como as de lavar mãos e as de negar a guerra.

Não somos mais os seres mais poderosos do planeta. Nunca fomos! Mas agora, que caímos diante de um ser que sequer visível é, temos que assumir nossa condição de vulnerabilidade.

Devemos entender que não será só a mais avançada tecnologia que poderá nos matar massivamente.

O que é uma bomba atômica diante de um coronavírus, cuja estrutura pode ser mais complexa que a de uma usina nuclear?

Quase nada!

Não é à bomba que recorremos quando nos sentimos indefesos diante uma pandemia virótica.

Até mesmo as filhas magnânimas da ciência: as técnicas médicas e afins não conseguem aplacar voracidade desse e de outros minúsculos seres, com os quais compartilhamos este planeta.

Aliás, eles estão por aqui há mais tempo que nós, há muito mais tempo mesmo.

A pandemia do coronavírus nos ensina que precisamos reconhecer que não somos nem mais nem menos importantes que um micro-organismo.

Estamos todos entrelaçados na dança da vida!

E da morte!

Dependemos uns dos outros para continuarmos por aqui, na diversidade de vidas na qual nos transformamos nessa longa jornada.

Nós, seres humanos, surgimos frágeis, indefesos e vulneráveis entre bilhões de outras vidas.

Dos engatinhares à sustentação sobre os pés, nos agregamos, nos amamos, nos solidarizamos, nos compadecemos, nos humanizamos, para que pudéssemos cuidar uns dos outros, no sono e na vigília.

Hoje, amedrontados, nos recolhemos em casa e, aqui e acolá, sentimos o peso do isolamento social, mesmo quando próximos dos entes queridos.

Hoje, mesmo amedrontados, trabalhamos nos serviços essenciais para proteger a coletividade, a espécie.

Hoje é possível refletir que somos parte e todo de uma espécie vulnerável, mas que nem sempre nos reconhecemos assim, porque também somos egoístas e arrogantes.

Tão egoístas e arrogantes que, mesmo diante do perigo, ainda há alguns de nós que se acham acima da vida e da morte.

[São também uns gabolas!]

Mas, afinal, quando o vendaval de vidas que matam passar – e espero que seja logo – estaremos diante de um novo mundo?

Espero que sim, porque um novo mundo só será novo se tivermos apreendido a cuidar da nossa casa, a mãe-terra, esse minúsculo ponto na beirada do universo à espera de outra transformação.

Um novo mundo exige novos seres humanos com novos jeitos de viver – melhor mesmo será bem viver! – por meio de uma nova economia, uma nova política, uma nova educação, uma comunicação, uma nova justiça, enfim, uma nova consciência de que a mãe-terra não é só nossa nem objeto à disposição da nossa ganância.

É!

É isto: à essa altura não dá para pensar que, depois, tudo voltará a ser como antes.

O autor é jornalista e escritor.

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