Prevenção da saúde humana está na preservação e gestão sustentável da natureza

Esse entendimento é o teor da mensagem do secretário-geral da ONU, António Guterres, para celebrar o Dia Internacional da Biodiversidade, hoje (22/05).

Em mensagem, o secretário-geral das Nações Unidas, António Guterres, disse hoje (22/05), o Dia Internacional da Biodiversidade, que as soluções para os problemas desta área estão na própria natureza.

Segundo Guterres, a preservação e a gestão sustentável da biodiversidade são necessárias para mitigar as perturbações climáticas, garantir a segurança alimentar e de água e até mesmo prevenir pandemias.

Futuro

O chefe da ONU lembrou que a pandemia de Covid-19 emanou da natureza. Segundo ele, a crise “mostrou como a saúde humana está intimamente ligada à relação que tem com o meio ambiente.”

À medida que os seres humanos invadem a natureza e esgotam habitats vitais, um número crescente de espécies fica sob risco. Para Guterres, a humanidade e o futuro que as pessoas desejam também correm risco.

Ele afirmou que, durante a recuperação, que “é preciso cooperação internacional para preservar a biodiversidade e, assim, alcançar os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável.”

O Objetivo 15 da Agenda 2030 é dedicado a este tema. O secretário-geral acredita que, apenas assim, serão protegidos “a saúde e o bem-estar das próximas gerações.”

Eventos

Para marcar o Dia Mundial, a ONU organiza um encontro de alto nível dedicado ao tema desse ano: “As soluções estão na natureza: ambições para o nosso planeta”. O presidente da Assembleia Geral, Tijjani Muhammad-Bande, será um dos participantes.

Também nesta sexta-feira, a Organização das Nações Unidas para Alimentação e Agricultura, FAO, e o Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente, Pnuma, lançam o relatório Estado das Florestas do Mundo.

A pesquisa analisa a necessidade de se proteger o grande número de plantas e animais encontrados em florestas, que abrigam a maior parte da biodiversidade terrestre. Também destaca a necessidade de esforços de restauração em larga escala.

Com 10 milhões de hectares perdidos todos os anos, proteção de florestas é fundamental para salvar biodiversidade

 

Rio Negro e Floresta de São Gabriel da Cachoeira. Foto: Wilson Nogueira

É preciso tomar ação urgente para se proteger a biodiversidade das florestas devido a taxas alarmantes de desmatamento e degradação, segundo a última edição do relatório Estado das Florestas do Mundo.

Publicada no Dia Internacional da Biodiversidade, a pesquisa mostra que cerca de 420 milhões de hectares de floresta foram perdidos desde 1990, mas a taxa de desmatamento anual diminuiu nas últimas três décadas.

Estes ecossistemas abrigam a maior parte das espécies do planeta, com cerca de 60 mil espécies de árvores, 80% de todos os anfíbios, 75% das aves e 68% dos mamíferos.

Um dos exemplos destacados no relatório é o mico-leão-de-cara-dourada, do Brasil. O relatório afirma que a floresta da região está muito fragmentada, devido a décadas de desmatamento, e por isso o animal corre risco de extinção. Nesse momento, é estimada uma população entre 6 mil e 15 mil micos.

A maioria se encontra na Reserva Biológica de Una. Apesar de poderem viver em plantações recentes com algumas árvores mais velhas, não sobrevivem em regiões sem árvores de grande porte, onde precisam dormir durante a noite para sobreviver a predadores.

A proteção destes ecossistemas também tem uma importância econômica. As florestas fornecem mais de 86 milhões de empregos. Daqueles que vivem em extrema pobreza, mais de 90% dependem destes recursos para sua subsistência. Esse número inclui 8 milhões de pessoas na América Latina.

Ameaças

O relatório destaca que mais de metade das florestas de todo o mundo podem ser encontradas em apenas cinco países: Brasil, Canadá, China, Estados Unidos e Rússia.

Apesar da desaceleração da taxa de desmatamento, cerca de 10 milhões de hectares ainda estão sendo perdidos a cada ano através da conversão para agricultura e outros usos da terra.

Os fogos florestais são outra ameaça. Cerca de 90% são contidos imediatamente, mas os 10% que não são controlados são responsáveis por 90% da área queimada.

A pesquisa destaca grandes fogos que ocorreram em 2019, como na Amazônia e na Austrália, dizendo que “causam grandes perdas de vidas humanas e animais, propriedades e bens econômicos e ambientais.”

Medidas

O relatório foi produzido pela Organização das Nações Unidas para Alimentação e Agricultura, FAO, em parceria, pela primeira vez, com o Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente, Pnuma.

Em nota conjunta, os chefes das agências, Qu Dongyu e Inger Andersen, disseram que “são precisas mudanças transformadoras na maneira como se produz e consome alimentos.” Além disso, é necessário adotar um modelo de gestão integrada e reparar os danos causados nas últimas décadas.

O relatório aponta ainda alguns avanços de conservação. Nesse momento, mais de 30% de todas as florestas tropicais fazem parte de áreas protegidas.

Fonte: ONU News

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