Ajustes e adaptações das rotinas familiares em tempos de isolamento [Por Lisiane Thompson Flores*]

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Atualmente, estamos vivendo um cenário de pandemia mundial (Covid-19) e nas famílias em isolamento social, muitos dos pais não sabem o que fazer com os filhos.

Além de terem que se preocupar com os seus trabalhos via home office, também necessitam auxiliar os filhos a estudarem.

Manter a convivência familiar, portanto, pode ser um desafio e eventuais conflitos podem gerar estresses e desconforto.

Manter a calma, diminuir as cobranças e estipular uma rotina, pode auxiliar neste momento.
Os pais devem servir de modelo do comportamento que esperam de seus filhos.

Explicar para todos que o momento não é de férias, mas um período transitório em que as atividades diárias devem ser cumpridas e que logo voltarão às rotinas habituais.
A família é concebida como o primeiro sistema no qual um padrão de atividades, papéis e relações interpessoais são vivenciados pela pessoa emdesenvolvimento e cujas trocas dão base para o estudo do desenvolvimento do indivíduo (Sigolo, 2004).

Para preservar o bem-estar e a saúde mental de seus filhos, os pais devem conversar tranquilamente com eles sobre a situação atual, com linguagem simples e adequada para cada idade.

Explicar as medidas de isolamento e abrir um espaço para que expressem sentimentos e dúvidas.

Para evitar o estresse, a ansiedade, o desânimo e a irritabilidade relacionados à mudança de rotina, recomenda-se algumas atitudes a serem tomadas, como falar sobre as rotinas da casa, incluindo horário das aulas dos filhos, horário do trabalho dos pais, os afazeres da casa e como será realizada a divisão de tarefas.
Outra atitude é organizar a agenda dos filhos com a participação deles, incentivando-os a equilibrarem momentos de estudo com momentos de lazer.
Estimule a criatividade das crianças e adolescentes com algumas dicas, tais como:

Cozinhar: além de divertido e introduzir conceitos relativos à responsabilidade no universo familiar, aprender e/ou auxiliar os pais a cozinharem estimula habilidades variadas relativas à leitura, interpretação de texto e aquisição de conceitos matemáticos. Procurem novas receitas na internet ou com familiares via vídeo chamada.

Leitura em família: escolham um livro e cada dia um membro da família lerá um capitulo, ou desenhem as estórias lidas e depois distribuam os desenhos pela casa.

Construção de brinquedos/jogos simbólicos: com o manuseio de materiais de diferentes texturas, são excelentes para o divertimento e desenvolvimento infantil. Os pais, então, devem abusar dos mesmos.

Brincadeiras com massa de modelar, pinturas diversas (tinta guache, lápis de cor, lápis de cera…)

Jogos de tabuleiro: além de prazerosos e possibilitar a interação familiar, estes podem estimular funções corticais superiores importantes para o aprendizado global, tais como atenção, memória, funções executivas, afetividade, emoção e percepção.

 Filmes: escolham filmes ou séries para assistirem juntos e após debatam sobre o que foi visto.

Internet: utilizem a internet para pesquisarem sobre curiosidades, façam gincanas utilizando esta ferramenta. Exercitem-se, façam aulas de ginástica, utilizando canais abertos ou a própria internet.

Interação social: Crianças e adolescentes estão acostumados a viver em um ambiente social e o isolamento repentino pode ocasionar estresse ou outros comprometimentos psicológicos. Sendo assim, os pais devem permitir que seus filhos interajam e troquem experiências com seus pares, mesmo que à distância.
Os pais nunca passaram tanto tempo com seus filhos quanto agora, então, por que não utilizar da criatividade e inventar novas madeiras de interagir com a aprendizagem (tanto dos filhos quanto dos pais) e novas atividades em família.

Assim, é importante ter em mente que se o momento atual é estressante e desgastante para os adultos, é ainda mais difícil para crianças e adolescentes. Como estão em pleno desenvolvimento mental e cognitivo, a maneira pela qual irão enfrentar este momento dependerá em grande parte da conduta e manejo dos pais.


*A autora é psicologa infantil e da adolescência

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