Valer edita, em português, a crônica de Gaspar de Carvajal sobre o rio Amazonas

O historiador Auxiliomar Ugarte anuncia, neste vídeo, que está em fase de conclusão/acabamento a tradução de uma das três versões escritas do “testemunho” constituído por frei Gaspar de Carvajal, a partir de sua experiência direta, bem como a de seus companheiros de armada, nos eventos ocorridos durante a viagem desbravadora, sob as ordens do capitão Francisco de Orellana, em diferentes contextos geográficos (terrestres, fluviais e marítimos) e em contato com diversas realidades socioculturais do norte da América Meridional (correspondente à Grande Amazônia e ao mar do Caribe), entre 26 de dezembro de 1541 e 11 de setembro de 1542.

Trata-se da Relación del famosísimo é muy poderoso rio llamado el Marañón…, inserida pelo cronista Gonzalo Fernández de Oviedo y Valdés na Terceira Parte da sua Historia General y Natural de las Indias, Islas y Tierra Firme del Mar Oceano.

Mas, a referida versão ficou inédita até 1855, quando a Real Academia de História da Espanha publicou o quarto e último volume da Historia General y Natural de las Indias, que corresponde à referida Terceira Parte da monumental obra de Gonzalo Oviedo. A Relación del famosísimo é muy poderoso rio llamado el Marañón… compõe o capítulo 24 do Livro 50 dessa Terceira Parte

Em língua portuguesa, esta é a primeira tradução completa da referida versão. Sua feitura muito se inspirou na tradução parcial realizada pelo etno-historiador Antonio Porro, a qual foi publicada em 1993, na seção pertinente da coletânea As Crônicas do Rio Amazonas, em que foi denominada versão de Oviedo y Valdés.

Conforme já é de relativa notoriedade, Francisco de Orellana e 59 companheiros de armada, dentre eles, Frei Gaspar de Carvajal, foram os primeiros europeus a viajar em quase toda a extensão do rio Marañón/Amazonas, ou seja, da foz do rio Napo (atualmente, em território nacional da República do Peru) até sua embocadura no Oceano Atlântico (atualmente, em território nacional da República do Brasil).

Ugarte tem trabalhado nessa tradução, desde 2017. O testemunho de Frei Gaspar de Carvajal (nessa versão ora em processo de tradução e nas outras duas, uma das quais ganhou tradução e publicação em 1941, por Cândido de Mello-Leitão) é uma das principais fontes históricas para o conhecimento acerca dos povos nativos e o mundo natural da Amazônia no século XVI.

O editor da Valer, jornalista Isaac Maciel, assegurou que essa obra deve ser publicada ainda neste ano. “Aguardamos com ansiedade esse trabalho: primeiro porque é um registro inaugural do rio Amazonas, desde o lugar onde ele nasce até o seu deságue no Atlântico; segundo porque é uma versão contextualizada, com estudo crítico, atualização da língua; terceiro porque está fora do mercado há bastante tempo e é uma obra necessária para o conhecimento da Amazônia, e quarto porque é um estudo rigoroso de um dos mais importantes historiadores da Amazônia.

A demora no processo de tradução, explica Auxiliomar Ugarte, decorre de pesquisas mais minuciosas no campo da filologia, uma vez que vocábulos e expressões da língua castelhana do século XVI precisam ser contextualizadas devidamente. O processo de tradução não é um trabalho fácil, mas se bem realizado, pode produzir melhor entendimento, no caso em foco, quanto aos aspectos geográficos, demográficos, botânicos etc. Daí a necessidade de obras especializadas, antigas e recentes, para consulta e esclarecimento de dúvidas.

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