Precisamos pensar em outras masculinidades possíveis, diz documentarista

O autor do apelo, Ismael dos Anjos, é o realizador da pesquisa e documentário "O Silêncio dos Homens". Ele participou do webinário da luta das mulheres por igualdades e direitos organizado pelo Comitê Permanente para Questões de Gênero, Raça e Diversidade (COGEMMEV) do Ministério de Minas e Energia e entidades vinculadas.

Os homens podem apoiar a luta das mulheres por igualdade de direitos e criar “outras masculinidades possíveis”, disseram participantes de webinário realizado na semana passada (2) pelo Comitê Permanente para Questões de Gênero, Raça e Diversidade (COGEMMEV) do Ministério de Minas e Energia e entidades vinculadas.

O webinário “Engajando Homens e Mulheres no contexto doméstico e do trabalho em tempos de home office” discutiu as consequências da pandemia de COVID-19 e seus impactos sobre a criação de espaços participativos de equidade no ambiente de trabalho e na sociedade.

“As mulheres estão organizadas há mais de 100 anos buscando avançar, e os homens precisam ser aliados na luta das mulheres, mas nós também precisamos nos organizar de maneira diferente. Precisamos pensar em outras masculinidades possíveis”, disse Ismael dos Anjos, que foi realizador da pesquisa e documentário “O Silêncio dos Homens”.

O documentário é parte de um projeto que ouviu mais de 40 mil pessoas sobre questões relacionadas a masculinidades. A obra, que teve apoio da ONU Mulheres e do movimento Eles por Elas, reflete sobre o modelo de masculinidade dominante, que se impõe sobre meninos e homens e acaba por silenciá-los ao longo da vida.

O evento também teve a participação de Cintia Cruz, coordenadora local de projeto de Prevenção e Redução da Gravidez Não Intencional na Adolescência nos Municípios do Oeste do Paraná, fruto de uma parceria entre UNFPA e Itaipu Binacional.

Na ocasião, ela enumerou ações que visam a transformação social e a conscientização de masculinidades, como a campanha Zero Violência realizada em parceria com o Esporte Clube Bahia.

Cruz também citou fatos históricos e culturais das relações entre homens e mulheres, e a partir dessa reflexão pontuou as práticas desenvolvidas pelo projeto.

“Parte do nosso trabalho é educar, desde o profissional de saúde para que atendam e ofereçam informações de qualidade para adolescentes, até as famílias, para que se crie uma cultura de planejamento familiar entre os seus membros”, disse.

“E buscando criar uma nova consciência, de transformação e reeducação, já trabalhamos o empoderamento das meninas, e neste ano a gente percebeu a demanda de trabalhar com os meninos.”

“Neste momento que a COVID-19 fez as pessoas estarem mais em casa, temos que trabalhar temas que são fundamentais, principalmente para mudanças de comportamento. Fortalecer essas pessoas e suas relações irá impactar a relação familiar, o ambiente de trabalho e a sociedade”, disse.

O COGEMMEV tem 16 anos de atuação e integra 18 entidades vinculadas ao Ministério de Minas e Energia com o objetivo de disseminar novas concepções na gestão de pessoas e na cultura organizacional. A iniciativa tem como foco a igualdade racial, a equidade entre mulheres e homens no universo laboral e atingimento deste equilíbrio na sociedade civil.

O encontro teve a mediação de Nilton Cesar Santos, doutor em Política Social pela Universidade Federal Fluminense (UFF) e representante da Eletrobras.

A série de palestras online realizadas pelo COGEMMEV tem como temáticas os direitos humanos e os Objetivos do Desenvolvimento Sustentável (ODS).

Fonte: ONU Brasil

 

 

Deixe uma resposta

Seu endereço de email não será publicado.