Terapia, obrigada! [Por Beatriz Mascarenhas*]

Silenciar quando se precisa é uma das coisas mais necessárias e difíceis que busco na terapia.

De tantas, essa tem sido minha mais recente etapa. É quando a gente não ouve mais nada no meio da ansiedade e vai falando sem conseguir parar, piorando toda a situação – exista ela de fato, ou seja ela uma antecipação da nossa cabeça.

Ache a causa.

A compulsão argumentativa em momentos que requerem calma e silêncio pode nascer em uma insegurança na infância sobre algo vivido, se fortalecer em uma necessidade de se colocar diante uma sociedade inteira (agrava quando se é mulher em locais ainda patriarcais), se solidificar na segurança obtida na sua palavra (ou pra algumas pessoas, no desespero da segurança não chegar) e findar no medo.

No medo gigantesco do “não está tudo bem” que volta à insegurança de infância diante da emoção contrária de outra pessoa.

É um ciclo.

Quebrar esse ciclo na vida adulta pode parecer mais difícil que prender o ar, porque o impulso vem assim, orgânico e avassalador. Parece impossível. Mas, como vemos na terapia, é claro que é possível.

Acontece que quando atropelamos os outros com nossa frequência argumentativa não temos tempo para ouvi-lo e nem para nos ouvir.

No meio disso tudo, vem a sua ansiedade, e tudo inflama de um modo que não estava antes.

Você já teve aquela sensação de que estava tudo bem e não sabe como foi parar naquele ciclo infinito de pergunta e drama, fala repetida, resposta do que ninguém perguntou e profunda angústia?

Silencie.

Claro, isso em casos que você sabe que não estão te silenciando, mas que você realmente precisa disso.

No momento em que você silenciar antes de agir por ansiedade e medos que vieram lá de trás, perceberá que o temor de que a situação piore não só não vai piorar, como às vezes nem terá razão de ser.

Antecipar resultados negativos em conflitos que nem se formaram machuca a gente e o outro.

O outro não precisa lidar com o nosso caos e nem nós.

E quando somos nós a lidar com o caos do outro, silenciar e parar um pouco também é uma solução: afinal, a culpa não é nossa, nem dos nossos impulsos, mas podemos viver bem melhor.

Obrigada, terapia. Obrigada, Vy, todo dia.

*A autora é mestranda em estudos literários pela Ufam, escritora e roteirista.

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