Unicef publica orientações contra a Covid-19 para o retornos às aulas

A pandemia da Covidt-19 tirou mais de 1,6 bilhão de crianças e jovens da escola. Este mês, muitos retornam às aulas presenciais num mundo que aguarda a chegada de uma possível vacina contra a doença.

Neste artigo, o Fundo das Nações Unidas para a Infância (Unicef) reuniu uma série de recomendações para professores e alunos sobre como retornar com segurança, aos estabelecimentos de ensino.

Alunos seguram folhetos com informações sobre a Covid-19, em Qinghai, China. Unicef/Wang Jing

Mitos, medo e estigma

Um outro objetivo da agência da ONU é compartilhar informações que ajudem alunos e professores a identificar notícias falsas e perigosas além de mitos sobre a Covid-19 que continuam circulando e espalhando medo e estigma.

Confira aqui algumas preocupações às quais os professores precisam estar atentos para combater falsas informações:

  • Muitos alunos podem retornar ao colégio com notícias e histórias desencontradas que escutaram sobre a pandemia durante a quarentena. Neste caso, o docente precisa reeducar os estudantes com os fatos. A compreensão sobre como a pandemia se espalha, como se proteger e proteger os outros é um primeiro e importante passo para estabelecer procedimentos e protocolos que ajudarão a evitar o contágio.
  • Os estudantes precisam ter clareza sobre o que é esperado deles, como seguir as regras. Eles precisam também ser ouvidos em suas preocupações e ideias e terem suas perguntas respondidas de uma forma apropriada para a idade deles. É importante frisar que essa é uma situação diferente e anormal.
  • Certifique-se de que as informações trabalhadas na sala de aula são de fontes confiáveis como Unicef, OMS e autoridades dos países em questão. Permanecer informado sobre a situação e seguir as recomendações dos especialistas em saúde pública é uma forma de se proteger.
  • Há relatos de que várias crianças estão adquirindo uma inflamação que pode estar associada à Covid-19. Caso note qualquer irritação, hipertensão ou problemas gastrointestinais agudos nos alunos, recomende a busca por assistência médica imediatamente.
Jovem em Gana lava as mãos antes de voltar para a aula. Foto: Unicef/Geoffrey Buta

Sugestão para um plano de trabalho do docente:

Crie seu próprio plano para controle da infecção. Que passos podem ser dados se um estudante se sente mal na escola? A partir do momento, em que o aluno avisa aos professores é preciso assegurar o bem-estar de todos ao redor, promover o distanciamento social, estabelecer regras dentro da sala de aula sobre o distanciamento com base nos protocolos e procedimentos das autoridades de saúde, e manter a distância de pelo menos um metro entre todos os presentes na escola.

Aumente o espaço entre as cadeiras e carteiras escolares, pelo menos um metro entre as mesmas, agende pausas, intervalos e horários de almoço (se for difícil, uma alternativa é almoçar na própria mesa de trabalho).

É preciso ainda limitar a mistura de aulas na escola e atividades pós-aulas. Por exemplo, os estudantes podem permanecer na mesma sala de aula durante todo o dia para evitar movimento do grupo, enquanto isso, os professores podem mudar de salas de aula. As turmas também podem usar entradas diferentes, caso acessíveis, para que os grupos diminuam o movimento na mesma entrada. Mudar os horários de início e encerramento para prevenir aglomerações.

Pense em aumentar o número de docentes, se possível ter um número menor de estudantes por sala de aula.

Evite multidões durante a saída e nas creches, se possível peça aos alunos para não serem apanhados na escola por membros mais velhos da família ou da comunidade.

Planeje a chegada e a saída dos alunos em horários variados e de acordo com a faixa etária para diminuir a concentração de crianças no mesmo momento.

Utilize sinais, marcas no chão, fitas adesivas, barreiras e outros meios para manter um metro de distância entre as pessoas em entradas e filas.

Promova uma discussão sobre como gerenciar a educação física e as aulas de esporte.

Passe os treinos para fora ou para salas ventiladas sempre que possível.

Encoraje os estudantes a não formar multidões ou grandes grupos após saírem da escola. Os alunos precisam ser incentivados a seguirem as regras, talvez seja útil redigir uma lista sobre o que fazer e o que não fazer com eles. Como eles devem se cumprimentar, como as mesas serão posicionadas na sala de aula e como manter o distanciamento seguro. Outros pontos são como se comportar na hora da refeição, do recreio e jogos, com quem sentar-se e como se manter com contato com todos os amigos durante a semana, e como manter a higiene e a lavagem de mãos.

Uma sala de aula é desinfetada em Minia, no Egito. Unicef/Ahmed Mostafa

Os professores têm um papel crítico na compreensão dos estudantes sobre as precauções para que possam se proteger a si e aos outros da pandemia. É importante que o exemplo comece com os próprios docentes.

A lavagem de mãos é uma das medidas mais fáceis, mais baratas e eficientes para combater a propagação dos germes e manter os estudantes saudáveis.

Ensine os cinco passos para a lavagem de mãos:

Molhe as mãos com água limpa e corrente. 

Use sabão suficiente que cubra ambas as mãos inteiras.

Esfregue os dois lados das mãos – frente e verso entre os dedos e embaixo das unhas por pelo menos 20 segundos. Encoraje os alunos a cantar uma canção rápida criando assim um hábito divertido.

Enxague as mãos inteiramente com água corrente.

Seque as mãos com um lenço limpo ou uma toalha individual.

Caso exista acesso limitado a uma pia com água e sabão na escola, utilize álcool gel para a higiene das mãos com pelo menos 60% de álcool.

Você sabia?

Água quente ou fria tem a mesma eficiência na eliminação de germes e vírus sempre que forem usadas com sabão!

Incentive os estudantes a manter o hábito de lavagem de mãos ou a utilizar álcool gel na entrada e saída das salas de aula, ao tocar superfícies e material didático, livros e após utilizar um lenço para assuar o nariz.

Ensine aos alunos que eles precisam sempre tossir ou espirrar usando o cotovelo. Mas se por acidente, eles utilizarem as mãos, avise a eles que precisam lavar as mãos imediatamente ou utilizar o álcool gel.

Se os estudantes tossirem ou espirrarem num lenço, o mesmo deve ser descartado e as mãos lavadas logo depois.  É extremamente importante mostrar que as mãos devem ser lavadas frequentemente, como um novo hábito para se prevenir do vírus.

Mesmo com mãos limpas, encoraje os estudantes a evitarem tocar os olhos, nariz e boca. Os germes podem ser passados dessas áreas para as mãos e contaminarem toda a sala de aula.

Reforce o hábito de lavagem frequente das mãos e da limpeza e adquira os itens necessários para a escola. Prepare e mantenha estações de lavagem de mãos com água e sabão, e se possível, coloque os dispositivos de álcool gel em cada sala de aula, em todas as entradas e saídas dos colégios e perto de refeitórios, cantinas, toaletes e banheiros.

Escola do Iêmen que adota o distanciamento social para evitar o coronavírus. Foto: MFD/Elyas Alwazir

O que fazer?

Identifique atividades e passos fáceis para demonstrar boas práticas de higiene para os seus anos. Alguns exemplos são:

Crie uma música para ser cantadas na hora da lavagem de mãos.

Peça aos alunos para desenharem painéis e pôsteres sobre higiene para decorarem a sala.

Promova um ritual higiênico. Pode escolher uma hora fixa durante o dia, antes ou depois do almoço para a aplicação do álcool gel ou para a lavagem.

Mostre aos alunos como lavar as mãos e como aplicar o álcool gel.

Mantenha um sistema de pontos na sala de aula, que serão dados a cada aluno cada vez que eles lavarem as mãos ou utilizarem o álcool gel.

Incentive os alunos a criarem um anúncio de informação pública sobre a higiene das mãos e a distribuir os pôsteres ou anúncios pelas salas de aula.

Usando a máscara nas escolas

Se utilização de máscaras de tecido são recomendadas na sua escola, certifique-se de que os alunos estão familiarizados com elas, e sabem como usá-las de acordo com as políticas do colégio assim como descartá-las de forma segura para evitar o risco de contaminação. 3

Revise com os estudantes como manusear e guardar a máscara corretamente. Aqui um guia em inglês:  how to handle and store masks properly.

Todos as ações devem garantir que o uso da máscara não irá interferir com o aprendizado.  Nenhuma criança pode ser impedida de estudar por estar usando ou não a máscara, no caso de não ter os recursos financeiros para adquirir uma.

Se você tem alunos com deficiências, como perda auditiva, ou qualquer dificuldade para ouvir, pense que o uso da máscara pode impedir a compreensão por parte deste estudante, que precisará da leitura labial para entender o que está sendo dito. Algumas máscaras que são transparentes podem ajudar na leitura labial. Uma outra opção são os escudos faciais.

Meninas de uma escola no Camboja. Unicef/Bona Khoy

Limpando e desinfetando os ambientes

Compartilhe informação sobre como manter a limpeza da sala de aula.

Desinfetar as superfícies diariamente e os objetos da sala de aula que são tocados com frequência como mesas, maçanetas, teclados de computadores e outros itens como torneiras, telefones e brinquedos é fundamental para prevenir a doença.

Limpe imediatamente as superfícies e objetos visivelmente sujos. Caso estejam contaminados com fluídos, sangue etc, use luvas e tome outras medidas de precaução para evitar o contato. Remova o fluxo, limpe e desinfete o local.

Utilize materiais de limpeza apropriados 

Certifique-se que compreendeu todas as instruções e etiquetas dos produtos e como aplicá-los corretamente.

Siga as instruções.

Limpe e desinfete as áreas, muitas vezes é preciso usar luvas, principalmente se utilizar produtos à base de água sanitária, e proteção para os olhos.

Não misture desinfetantes e produtos de limpeza a não ser que a instrução assim o indique. Combinar certos produtos (como água sanitária e amônia) pode causar ferimentos grave ou até a morte.

Algumas soluções à base de água sanitária podem ser usadas, se corretamente, na limpeza de superfícies.

Cheque a etiqueta para saber se o produto é apropriado para desinfetar e se tem uma concentração de 0.5% de hipoclorito de sódio.

Não utilize produtos com validade expirada. Algumas águas sanitárias indicadas para roupas coloridas ou para clarear tecidos podem não ser corretas para desinfetar áreas.

Água sanitária caseira será eficiente contra o coronavírus quando corretamente diluída.

Siga as instruções do fabricante para aplicação e ventilação apropriada.

Deixe a solução descansar por pelo menos um minuto.

Alunos esperam na fila para lavar as mãos em Meghalaya, na Índia. Foto: Unicef/Vinay Panjwani

O que fazer?

Invente ideias e regras criativas e divertidas com os alunos para evitar áreas de alto risco e de fácil toque na escola e nas salas de aula. Por exemplo, não toque os corrimões ao utilizar as escadas, deixe a porta da sala de aula aberta para evitar que os estudantes tenham que colocar a mão na maçaneta.

Sugira regras por parte do grupo e as escreva em pôsteres que podem ser espalhados pela sala de aula.

Produza bilhetes divertidos para lembrar as medidas de prevenção que possam ser colocados pelos corredores da escola.

Medidas a tomar caso os estudantes fiquem doentes:

Identificando os sintomas da Covid-19

Os sinais mais comuns da doença são febre, tosse e cansaço. Outros sintomas incluem: falta de ar, dores no peito ou pressão, dores musculares e pelo corpo, dor de cabeça, perda de olfato e paladar, desorientação, dor na garganta, coriza, diarreia, náusea, vômito, dores abdominais e erupções cutâneas.

Como a escola deve se preparar e o que pode ser feito caso alunos apresentem esses sintomas

Determine uma área da escola (perto da entrada) como um local de espera para as crianças. Esta sala deve ser bem ventilada. Se existem enfermeiros na escola, recomenda-se que eles estejam nessa área de espera.

Caso os estudantes se sintam mal ou apresentem sintomas da Covid-19, eles devem ir para este local de espera e aguardar o responsável que irá retirá-los da escola. Após a saída do estudante, o local deve ser desinfetado, higienizado para evitar contaminações.

Ofereça ao estudante uma máscara de proteção, caso haja alguma à disposição.

É necessário analisar a importância de se aferir a temperatura dos que entram na escola diariamente, e qualquer histórico de febre ou sintomas de febre para todos os que se dirigirem à escola.

Certifique-se de que estudantes doentes serão separados de outros e do pessoal que trabalha na escola, sem criar estigmas, e coloque em funcionamento um processo para informar os pais, responsáveis e consultar as autoridades de saúde quando possível.

Alunos e funcionários podem ter que ser encaminhados diretamente aos serviços de saúde ou enviados à casa, dependendo do quadro.

Encoraje os estudantes a ficarem em casa e a fazerem o autoisolamento.

Desenvolva um padrão de operação caso seja necessário aferir a temperatura.

Compartilhe os procedimentos com os pais e responsáveis com antecedência.


Fonte: ONU News

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