Pesquisa global revela 87% favoráveis à cooperação como saída para desafios atuais

As Nações Unidas marcaram esta segunda-feira o seu 75º aniversário com um evento de alto nível com o tema: “O futuro que queremos, as Nações Unidas que precisamos: reafirmando nosso compromisso coletivo com o multilateralismo”.

A iniciativa aconteceu no hall da Assembleia Geral, em Nova Iorque, obedecendo a medidas de distanciamento social para prevenir a contaminação com a Covid-19.

Para marcar a data, a ONU organizou uma consulta global sobre o papel da organização no mundo. Líderes jovens pediram mais ação internacional e uma nova declaração sobre multilateralismo e cooperação foi aprovada pela Assembleia Geral.   

Inquérito

No evento, a ONU divulgou o resultado da consulta global sobre desafios e o futuro da organização. Até este 21 de setembro, mais de 1 milhão de pessoas de todo o globo haviam participado.

Ao todo, foram mil diálogos em 82 países. Além disso, 50 mil entrevistados em 50 nações fizeram uma pesquisa independente. Opiniões de uma análise de mídia social e tradicional em 70 países foram incorporadas ao resultado.

Em todas as regiões, faixas etárias e sociais, os entrevistados concordaram com as prioridades para o futuro. A consulta revela um forte apelo à ação sobre desigualdades e mudanças climáticas, bem como mais solidariedade.

Em meio à crise da Covid-19, a prioridade imediata é a melhoria de serviços básicos, como saúde, água potável, saneamento e educação, seguido por maior solidariedade internacional e maior apoio aos mais atingidos.

As principais preocupações são a crise climática e a destruição de meio ambiente. Outras prioridades incluem maior respeito pelos direitos humanos, resolução de conflitos, combate à pobreza e corrupção.

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A pesquisa também avaliou como os cidadãos olham para as Nações Unidas e para a sua missão.

Mais de 87% dos entrevistados acreditam que a cooperação global é vital para lidar com os desafios atuais, e que a pandemia tornou a cooperação internacional mais urgente.

Seis em cada 10 entrevistados acreditam que a ONU tornou o mundo um lugar melhor. Olhando para o futuro, 74% veem a organização como “essencial” para enfrentar os desafios.

Apesar dessa visão positiva, os entrevistados desejam que a ONU mude e inove. Pedem uma organização mais inclusiva, transparente, responsável e eficaz.

O secretário-geral da ONU, António Guterres, considerou estes resultados surpreendentes. Ele disse que “as pessoas estão pensando grande” e “agora é a hora de responder a essas aspirações e realizar esses objetivos.”

Conquistas

Na abertura do encontro, o chefe da ONU contou que a organização “só surgiu depois de um imenso sofrimento.”

Segundo ele, “foram necessárias duas guerras mundiais, milhões de mortes e os horrores do Holocausto para que os líderes mundiais se comprometessem com a cooperação internacional e o Estado de direito.”

Para o chefe da ONU, esse compromisso produziu resultados. Uma Terceira Guerra Mundial foi evitada e nunca, na história moderna, houve maior espaço de tempo sem um confronto militar entre as grandes potências.

Guterres destacou ainda conquistas como tratados de paz e manutenção da paz, descolonização, padrões e mecanismos de direitos humanos, fim do apartheid, ajuda humanitária, erradicação de doenças, redução da fome, desenvolvimento do direito internacional e pactos para proteger o meio ambiente.

Desafios

Sobre os desafios que persistem, ele lembrou que, dos 850 delegados na Conferência de São Francisco, onde foi fundada a ONU, apenas oito eram mulheres. Segundo ele, “a desigualdade de gênero continua sendo o maior desafio para os direitos humanos em todo o mundo.”

Guterres realçou ainda a mudança climática, o colapso da biodiversidade, o aumento da pobreza, o espalhar do ódio, o crescimento das tensões geopolíticas, a ameaça nuclear, desafios criados por novas tecnologias e a pandemia de Covid-19.

Para o chefe da ONU, existe “um superávit de desafios multilaterais e um déficit de soluções multilaterais.”

António Guterres disse que irá trabalhar em um relatório com propostas para estes desafios, mas que já conhece uma das soluções: mais multilateralismo e um multilateralismo mais eficaz.

Ele disse ainda que “ninguém quer um governo mundial, mas deve-se cooperar em conjunto para melhorar a governança mundial.”

Já o novo presidente da Assembleia Geral, Volkan Bozkir, afirmou que “o multilateralismo não é uma opção, mas uma necessidade, à medida que se reconstrói melhor e mais verde para um mundo mais igual, mais resiliente e mais sustentável.”

Para Bozkir, “as Nações Unidas devem estar no centro de nossos esforços”, mas não se pode esquecer que “desde que a ONU foi criada, o mundo mudou de maneiras inimagináveis.”

O presidente disse que a organização deve responder a esses desafios e mudanças para permanecer relevante. Para ele, um dos pontos principais é consultar todas as partes interessadas, como organizações regionais e sociedade civil, setor privado, academia e parlamentares.

Volkan Bozkir terminou com um apelo aos Estados-Membros. Ele disse que “agora é hora de mobilizar recursos, fortalecer esforços e mostrar vontade política e liderança sem precedentes.”

Discursaram ainda no encontro, o presidente do Conselho de Segurança, Abdou Abarry, o presidente do Conselho de Segurança e o Conselho Económico e Social, Ecosoc, Munir Akram, o presidente da Corte Internacional de Justiça, Abdulqawi Ahmed Yusuf, e dezenas de representantes de Estados-membros.

Apelo

Quatro representantes da juventude, das Bahamas, Gana, Malásia e França, apresentaram um apelo à ação.

No final do encontro, os países aprovaram, por consenso, uma nova declaração de apoio à missão da ONU. Segundo o texto, “não há nenhuma outra organização global com a legitimidade, poder de convocação e impacto normativo das Nações Unidas.”

Os Estados-membros concluem dizendo que “nenhuma outra organização global dá esperança a tantas pessoas.”


Fonte: ONU News

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