Vamos falar de autoestima neste Outubro Rosa? [Lisiane Thompson Flores*]

Com o corre-corre do dia a dia, cheio de compromissos, tarefas e rotinas. Cheio de expectativas, inquietudes e frustrações, surpresas boas e ruins muitos de nós esquecem de olhar-se no espelho e ver como anda a autoestima. E eis que acontece algo que não estamos esperando e temos uma reviravolta na nossa vida. Automaticamente a autoestima é afetada.

E quando recebemos o diagnóstico de câncer, como fica a autoestima? Principalmente, quando falamos de câncer de mama o assunto é mais delicado.

O câncer de mama traz consigo muita ansiedade e medo, além de mudanças bruscas em seu corpo físico, como queda de cabelos, ressecamento da pele, aparecimento de manchas, enfraquecimento de unhas, inchaço, ânsia de vômito, cansaço excessivo e em alguns casos a perda da mama.

Além de lidar com a patologia em si, as pacientes precisam lidar com este novo corpo e cuidar da autoestima para lidar melhor com estas mudanças que ocorreram.

Com a confirmação do diagnóstico, a mulher sente que sua identidade feminina está sendo questionada, pois a mama é símbolo da beleza corporal, da fertilidade, da feminilidade e da saúde em todas as etapas da vida da mulher.

O câncer desestrutura a mulher no sentido de trazer para sua convivência a incerteza sobre a vida, a possibilidade de recorrência da doença e a dúvida a respeito do sucesso do tratamento. Inicia-se uma gama de sentimentos como angústia, ansiedade, depressão, raiva, tristeza, desespero, impotência, desamparo e medo (tanto da mutilação, quanto da perda de algumas pessoas do convívio).

No entanto, cada uma necessita de um tempo próprio para lidar com as consequências desse diagnóstico e estabelecer formas de lidar com ele.

De uma maneira geral, a autoestima consiste na forma como nos vemos e se baseia em pensamentos, experiências, sensações e sentimentos que vamos assimilando ao longo da vida. Assim, temos a nossa própria forma de interpretar os diversos acontecimentos e, no processo de adoecer, não é diferente.

Vivenciar uma doença como o câncer mexe com todos os nossos alicerces, inclusive com a autoestima. Além da preocupação de como será o tratamento, algumas pessoas começam um ciclo de pensamentos negativos sobre a sua imagem, principalmente em uma sociedade onde a aparência perfeita é prioridade.

Independente do grau de importância que a beleza representa para o paciente, a sua imagem corporal é modificada e reaprender a gostar de si é um novo processo.

A autoimagem é um dos campos mais afetados na vida das mulheres que passam por um tratamento de câncer e é preciso desmistificar aquela impressão que muitas pessoas têm de que a feminilidade está na aparência.

Quando uma paciente perde o cabelo, sofre uma mudança de peso ou fica debilitada por causa do tratamento, é preciso mostrar a ela que ser feminina está além do que se vê no espelho.

Essa motivação é essencial para o processo de recuperação da paciente, além do tratamento médico. Assim como o apoio psicológico da família, dos amigos é fundamental.

Para a paciente é importante saber que ela não está sozinha nesse momento, que vai ser difícil, mas que ela tem com quem contar. O medo da rejeição é muito grande, por isso, o apoio psicológico é necessário para que ela possa fazer o tratamento com mais chances de cura.

O mês de outubro é marcado pela campanha de prevenção ao câncer de mama, o Outubro Rosa. O movimento é internacional e teve início nos Estados Unidos. O nome remete à cor do laço rosa, símbolo mundial da luta contra o câncer de mama

e estimula a participação da população, empresas e entidades. O movimento Outubro Rosa, promove ações para mulheres e a sociedade brasileira sobre a importância de cuidados que diagnostiquem precocemente o câncer de mama, um dos mais comuns entre o público feminino.

*A autora é psicóloga e professora da Fametro.

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