Saúde mental é todo dia, é todo mês, é para toda a vida toda [Lígia Maria Duque Johnson de Assis*]

Chegamos em outubro, antepenúltimo mês do ano. Percorremos quase o todo o calendário 2020 e neste mês temos o Outubro Rosa. O mês em que se evidencia a importância do observar-se e de realizar exames laboratoriais, como forma de prevenção ao câncer de mama, que pode acometer as mulheres e também os homens. Adoecimento que pode ser evitado com prevenção e quando tratado de forma precoce consegue-se cura completa de forma rápida.

Em Outubro temos também o dia Mundial da Saúde Mental, criado em 1992 pela Federação Mundial de Saúde Mental, com o objetivo de chamar a atenção das pessoas em todo o mundo, sobre a importância da saúde mental e como a temos negligenciado, até ignorado a sua existência, como se o homem fosse um ser apenas biológico.

A Organização Mundial de Saúde – OMS considera a saúde mental uma prioridade e colocou como foco o combate ao preconceito e ao estigma que acompanha a saúde mental. Veja que aqui não foi abordada a palavra “doença” mental, porém, ao trazer o tema saúde mental, surge de maneira implícita no pensamento, a doença mental e as estratégias para não abordar o tema. E os transtornos mentais já ocupam as primeiras colocações como motivo de afastamento do trabalho em todo o mundo.

Fazendo um paralelo com a prevenção ao câncer, doença que só recentemente deixou de ser vista como sentença de morte (em alguns lugares ainda é) e consequentemente trouxe liberdade à vida das pessoas que são acometidas. Temos encontrado, por exemplo, familiares e amigos raspando a cabeça em solidariedade ao paciente em tratamento, paciente este, que deixou de se envergonhar e se esconder, por ter adoecido de câncer. A transformação no olhar para a doença e para o paciente, trouxe maior qualidade de vida e melhores condições de enfrentamento à doença, transformação estimulada com frequência, apresentando evidências e comprovações de sua eficácia.

E a saúde mental?

Considerando que por ser bio-psico-social, o “mental” está tão presente nas pessoas como o “físico”, observa-se que a diferença está no termo que o acompanha: saúde ou doença. É nesta perspectiva que convido todos a observá-la.

Quais fatores contribuem para a saúde mental? Como se instala a doença mental? Existe relação entre qualidade de vida e saúde mental? Até que ponto o exercício do diálogo, da parceria, do companheirismo, da colaboração, do apoio, contribuem para a saúde mental? Em que medida as relações interpessoais positivas influenciam na saúde mental?

A desconfiança, inimizades, disputas egoísticas, posturas obsessivas favorecem o surgimento da doença mental? A doença mental pode promover o adoecimento físico? Doença física pode desencadear doença mental? Quantos questionamentos. E encontramos muitos outros, porém o preconceito (ou medo?) existente sobre a doença mental, dificulta e até impede um contato mais aprofundado com o tema.

Quem é aquela pessoa que circula nua pela cidade? O que acontece com aquele indivíduo que conversa com o poste do outro lado da rua? Será que estes pensamentos ocorrem quando você vê um louco pela rua? Provavelmente não. Refletir sobre isso traz o risco de olhar para si mesmo, de identificar sinais comprometedores.

Porém, olhar para si mesmo é necessário, tanto quanto o auto exame do seio pode levar a identificação precoce de um câncer inicial, o exame mais detido dos pensamentos que circulam na mente, a atenção aos comportamentos e sentimentos que ocorrem, sua frequência, sua característica, as situações em que ocorrem, também é uma maneira de identificar o sofrimento psíquico de forma precoce, um exame preventivo que poderá evitar o desencadeamento de um transtorno mental.

A busca do médico ao constatar uma irregularidade no auto exame do seio é a providência recomendada, o mesmo se recomenda no auto cuidado relativo à saúde mental, busque um(a) psicóloga(o).

E então, vamos estabelecer uma parceria com o Outubro Rosa e divulgar o auto-cuidado da Saúde Mental em outubro, caminhar junto com o Novembro Azul e exercitar Saúde Mental o ano todo, todo ano?

*A autora é professora da Fametro e presidente do Conselho Regional de Psicologia 20ª Região

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