Não tenho que estar sempre bem e feliz! Fuja da Positividade Tóxica [Luciana Chaves Cavalcante*]

Essa semana passamos por um feriado bem marcante, o dia de Finados ou dia dos Mortos, que é entendido como um dia reservado para relembrar aqueles que se foram da nossa convivência.

Além disso, rezar e acender velas pelos falecidos é prática bem comum no Brasil, realizadas em forma de homenagem.

Pensar e falar sobre morte, ou qualquer outro tipo de finalização é algo extremamente incômodo, principalmente na sociedade atual em que as redes sociais nos incentivam a sermos e estarmos sempre “de bem com a vida” e demonstrando que estamos recebendo tudo o que precisamos.

Ter que estar sempre bem, falando, pensando, agindo e se permitindo ter contato com emoções e sentimentos bons. Isso é a positividade tóxica.

Essa é a ideia associada a positividade tóxica, ou seja, essa necessidade constante de demonstrar felicidade, superioridade, e que não se incomoda ainda que as situações do seu cotidiano estejam coerentes com emoções negativas.

Essa ideia de que a felicidade é compulsória pode ser extremamente prejudicial, uma vez que emoções não tem como ser controladas em sua essência.

Como assim não podemos controlar emoções?

É isso mesmo! Por definição, a emoção é uma resposta a um evento do dia-a-dia que tem consequências corporais e cognitivas associadas, e ocorre de maneira abrupta e intensa. Ou seja, a emoção ocorre de inesperada, sem possibilidade de controle, sem ser possível eu “dizer” para o meu organismo que não quero senti-la.

Sendo assim, a ilusão de que temos controle sobre as emoções é prejudicial no sentido que nos impede de senti-las e de sermos motivados por essas emoções.

Está tudo bem não querer se sentir triste, com raiva, com medo ou com qualquer outra emoção negativa pois é a partir disso que nos motivamos a modificar o estado em que nos encontramos, o que é inadequado é não aceitarmos o que sentimos quando esta emoção efetivamente está presente.

É importante enfatizar que a ideia não é de aceitação incondicional de realidade que me incomoda, mas justamente o oposto.

Fingir que algo não me incomoda quando, de fato o faz, impede que eu crie meios para a modificação dessa realidade, afinal, aceitar as coisas como elas são é o primeiro passo para uma mudança real de emoção e comportamentos associados.

*A autora é professora MSc. da Fametro e Faculdade Santa Teresa, Psicóloga Clínica especialista em Avaliação Psicológica no Centro Integrado de Psicologia e Neuropsicologia (NeurOn)

2 Comentários
  1. Clei Diz

    Parabéns pelo artigo. Muito bom.

  2. Lucas Chaves Cavalcante Diz

    Todo eu 😁✌️… Vou me vigiar

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