O que eu tenho com isso? [ Por Carla Dimarães]   

 

Quantas vezes nos surpreendemos fazendo essa pergunta: O QUE EU TENHO COM ISSO?

Frente as mazelas de nossa sociedade, escolhemos por nós ausentar de qualquer responsabilidade sobre os fatos, e eventos da vida social. Por exemplo, quando ocorre, abuso sexual, violência, discriminação sexual, de raça, cor, etnia, dependência química, enfim, temos a convicção de que nada temos com essa situação social.

Dessa forma, partiremos da perspectiva de que somos seres sociais, implicados e envolvidos numa teia social, que se entrelaça. E como seres sociais, como afirma Silvia Lane, precisamos assumir dentro de nossa especificidade, a natureza histórico-social do ser humano.

Quando nascemos somos lançados a um mundo de luzes e cores, sabores, ruídos, sons, pessoas que nos tocam, tudo isso é novo a nós, experiências novas. Em um primeiro momento, estabelece-se estranheza às primeiras impressões e relações que se colocam a vida do bebê. Morais (2011) afirma que, todo entorno é sentido como exterior, como algo que não pertence ao sujeito, e acaba sendo fator indispensável na constituição da interioridade humana. Dessa forma, relacionar-se, estar com o outro, ajuda-nos no processo de constituição humana.

Nosso primeiro grupo social é a família, que nos imprimi um modo de ser único, depois a escola, onde aprendemos o letramento, mas também aprendemos formas de nos relacionar com o diferente, e aprendemos a cooperar. Construímos ao longo da vida novos grupos sociais, como: trabalho, amigos, igreja, faculdade. Todas as relações construídas nesses espaços sociais, fazem parte do processo de subjetivação, de tornar-se pessoa, um ser social, e por outro lado, ao mesmo tempo que eu me construo eu ajudo o outro da relação à se construir, e faço parte dessa construção. Esse processo não é possível acontecer separadamente, ou isoladamente, nascemos em uma sociedade que já existe com suas crenças e modos de ser, aprendemos e deixamos nossas marcas, porque ajudamos a construir, e imprimimos nossa forma de ser quando estamos no processo de construção. Construímos história, formas de ser, preconceitos.

Sendo assim, tecemos uma rede de relações com o mundo, com a natureza, com os outros humanos, experienciamos a alteridade, e isso nos torna humanos, nos presentifica no mundo. Compreende-se que, na alteridade o homem, possui uma relação de interação e dependência com o outro. Sendo que, o “eu” na sua forma individual só pode existir através de um contato com o “outro”. Não conseguimos existir sozinhos, sem estarmos no processo com o outro, por isso temos tudo a ver com as mazelas do humano, e a responsabilidade dessa construção recai sobre todos aqueles que estão envolvidos no processo de construção social, todos aqueles atores sociais, que fazem parte dessa história. Assumir esse lugar, de ator social e ajudar a construir uma sociedade mais igualitária, justa, solidária e melhor para se viver é diretamente nossa responsabilidade.

A vida é uma OBRA DE ARTE! Que ajudamos a construir.

*A autora é Psicóloga. Especialista em Psicologia Clínica. Mestre pela PUC do Rio. Docente na Ceuni-Fametro. Voluntária na Fazenda da Esperança.

Deixe uma resposta

Seu endereço de email não será publicado.