Boçalidade, ganância e irresponsabilidade atiçam a dança da morte [Wilson Nogueira*]  

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A pandemia do novo coronavírus revelou inúmeras facetas dos seres humanos, mas uma delas ficou mais escancarada: a do individualismo exacerbado.

O mais triste é que, ao contrário disso, foram as atitudes seminais coletivas que consolidaram a vida e a adaptação da espécie.

Aprendemos desde a escola, insistentemente, que os humanos são seres coletivos. Ou que ao menos deveriam ser!

Paradoxalmente, a prática, incentivada pelo consumismo (leia-se capitalismo), demonstra que a educação para individualismo, nas suas mais variadas didáticas, entre elas, a do ter para si e a da competividade, também, colonizaram a mente das pessoas.

Aqui, no Brasil, o individualismo ganha força com a postura ao estilo “não tô nem aí” [para pandemia, por exemplo] do presidente Bolsonaro, dos seus ministros e de parte do empresariado.

A assimilação ao estímulo à necessidade de consumir tem sido mais forte que a necessidade de sobreviver.

O razoável, diante do perigo iminente, seria que as pessoas exigissem que o poder público criasse meios para garantir a saúde de todos, por meio de ações de estado articuladas com iniciativas da sociedade, para atender a situações extraordinárias.

Mas, o que se vê são governos, prefeitos, políticos e empresários empurrando suas responsabilidades para as costas dos trabalhadores, recorrendo aos encantos da mercadoria (leia-se, também, capitalismo), para que assumam que são e serão os únicos culpados por suas mazelas.

Os trabalhadores precisam ir à luta pela sobrevivência, porém, necessitam de condições mínimas para exercer as suas tarefas; e entre o mínimo de hoje está a exigência do distanciamento social.

Em Manaus e em outras cidades brasileiras, empresários pressionaram, com a participação de trabalhadores ameaçados de perder seus empregos, governadores e prefeitos para que assegurassem as suas vendas de Natal e fim de ano.

Não foram poucos os que cederam à essa orquestra a favor do coronavírus e da morte. Os centros de compras estão entupidos de gente zanzando atrás de presentes para familiares e amigos, gesto que, orientada por uma eficaz comunicação de interesse público, poderia ser adiado, como tantas outras coisas já foram e ainda serão adiadas na vida de cada um e das sociedades.

Infelizmente, o resultado dessa mistura de boçalidade com ganância e desvios de responsabilidades têm lotado praias, praças comerciais e, também, superlotado hospitais.

E quem vai pagar a conta apresentada pela pandemia?

– Os trabalhadores que sobreviverem.


*O autor é jornalista e escritor 

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1 comentário
  1. Fátima Diz

    Salutar Anúncio, ao mesmo tempo provocador a justas intervenções.
    As contribuições de Dr. Wilson são DESPERTARES para reinvenção da Vida com Justiça Social.
    Eco libertário neste início de 2021. AQUI e AGORA.

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