O papel da mulher nas carreiras jurídicas nos tempos atuais [Por Mônica Picanço Dias]  

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Tarefa bastante desafiadora, porém, gratificante retratar a figura da mulher como protagonista de um papel que alcançou uma dimensão continental nas carreiras jurídicas atuais.

Com 25 anos de profissão, talvez me sinto um tanto confortável em apontar a evolução em que nós mulheres passamos a desempenhar nas diversas carreiras jurídicas do País. Destaca-se que as conquistas femininas no campo profissional, são, sem sombra de dúvidas, surpreendentes.

Necessário se dizer que o número de mulheres que buscam a carreira jurídica e se realizam vem crescendo a cada ano no Brasil, considerando que há poucos anos atrás, essa busca era exclusiva dos homens.

Óbvio, que ainda precisamos enfrentar grandes desafios que ainda são exclusivos para nossa categoria. Basta considerarmos que, a primeira brasileira a se formar numa graduação em Direito foi Myrtes Gomes de Campos, no ano de 1898. Já se passaram mais de um século e, apesar de grandes avanços, ainda nos deparamos com alguns obstáculos, dentre eles, ter que conjugar a administração do lar, dos filhos e de tantos outros compromissos com a atribuição honrosa da carreira jurídica.

Se levarmos em consideração que, a primeira turma de Direito a se formar no Brasil foi no ano de 1823, podemos avaliar quanto tempo levamos para conquistar nossos espaços.

Hoje, ocupamos diversos cargos jurídicos de grande notoriedade, como podemos citar a ministra Lautita Vaz, ex-presidente do Tribunal Superior de Justiça, como sendo a primeira mulher a ocupar o referido cargo; Carmen Lúcia, Ministra do STF, Raquel Dodge, que já fora Procuradora-Geral da República, dentre outras, ou também pelas anônimas que desempenham algum papel na carreira jurídica com maestria, buscando o sustento de sua família, assim como a realização pessoal e profissional.

Importante destacar que, apesar de enfrentarmos desafios diários, inerentes do gênero, nós mulheres advogadas estamos conquistando a cada dia mais espaço. Podemos frisar que a proporção de homens e mulheres nesta função, nos tempos atuais, está bem equiparada. Basta vermos que a mulher advogada representa um percentual de 49% do total de inscritos na OAB em sede nacional. Em alguns Estados já se nota a inversão, ou seja, há mais advogadas do que advogados na atuação da justiça.

A ascendência da mulher na carreira jurídica se iniciou, notoriamente no século XX, contudo, somos sabedoras que tal trajetória não ocorreu de forma simplória, pois muitas mulheres eram obstaculizadas de ocuparem cargos jurídicos pelo simples fato de serem mães, fato este que vem sendo quebrado no cenário atual.

Hoje, é recompensador traçar tal trajetória de sucesso, principalmente porque é no mês de março que comemoramos o Dia das Mulheres. Pelos dados estatísticos, essa ascensão não estagnou, pois 64% do total de inscritos na OAB, com até 25 anos de idade, são mulheres, assim como nos últimos 30 anos as mulheres correspondem a 55% do total de matriculados nos cursos de Direito e 58% das pessoas que concluem o curso.

A Mulher, seja mãe, seja acompanhada ou só, é administradora de sua própria vida e vem demonstrando um papel de protagonista dentro das diversas carreiras jurídicas, fincando com tal postura e garra sua capacidade e busca por sua excelência.

Parabéns pra nós mulheres de todas as carreiras da área jurídica e também para aquelas que almejam alcançar esta nobre e importante trajetória!!!!


*A autora é advogada, doutora em Ciência Jurídica, professora do curso de Direito da Faculdade Santa Teresa e Universidade Federal do Amazonas.

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