A morte da verdade em abordagem contemporânea de Michiko Kakutani

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[…] Um ensaio de 1995 sobre Mussolini e “Fascismo Eterno” ou (ur-Fascismo), do acadêmico italiano Umberto Eco, também lança luz, quando lido em retrospectiva, na linguagem de Trump e no uso de metáforas autoritárias,

Muitos dos recursos que Eco descreveu como sendo intrínsecos ao fascismo lembram assustadoramente a demagogia de Trump: um apelo ao nacionalismo e ao medo da diferença; uma rejeição à ciência e ao discurso racional; uma invocação da tradição e do passado e uma propensão a associar divergências com lealdades.

Mais especificamente, Eco escreveu que “Mussolini não tinha nenhuma filosofia; ele tinha apenas retórica” : “era um totalitarismo indistinto, uma colagem de diferentes ideias, uma colmeia de contradições”. O “Fascismo Eterno” emprega um vocabulário pobre e uma sintaxe elementar, acrescentou Eco, “para limitar os instrumentos do raciocínio complexo e crítico. E considera “o Povo” não como cidadãos e indivíduos, mas como uma “entidade monolítica que expressa a Vontade Comum”, que o líder finge interpretar; o líder se coloca em primeiro plano como Voz do Povo – em vez de, digamos, o parlamento ou a legislatura.

Se isso soa extremamente familiar, é porque Trump, em seu pronunciamento na Convenção Nacional da República, disse à plateia: “E estou com você, povo americano. Eu sou a sua voz”.

Michiko Kakutani, em A morte da verdade: notas sobre a mentira na era Trump (Intrísica, 2018).

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