Filme apresenta biografia de professor Otacílio Amaral Filho, da UFPA

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Professor há mais de 40 anos, sendo aproximadamente 30 dedicados à Universidade Federal do Pará (UFPA), Otacílio Amaral Filho é homenageado em filme documental sobre sua trajetória na docência e na pesquisa.

O média-metragem (de cerca de 38 minutos) é resultado do projeto de extensão da UFPA chamado Documentários Biográficos da Amazônia (DocBio), que, como o nome sugere, produz cinebiografias de pessoas amazônidas.

Sobre Otacílio Amaral: “Tudo o que eu fazia, o que eu compunha, o que eu escrevia, o meu trabalho como professor tinha essa intenção de melhorar a sociedade”. É com essa fala de Otacílio que se iniciam as imagens da entrevista do professor ao Projeto DocBio.

Embora tenha nascido e passado parte da infância e da juventude em Fortaleza (CE), apesar de seu registro de nascimento constar a cidade de Parnaíba (PI) – lugar em que, curiosamente, nunca esteve -, Otacílio Amaral é não apenas um cidadão da Amazônia: ele é um grande nome da pesquisa sobre as questões culturais e políticas da região. No início dos anos 50, ainda na infância, morou, por cinco anos, em Santarém, no oeste do estado do Pará. Cidade para qual retornou durante a juventude, após ter sido preso pela Ditadura Militar, em Fortaleza, pois sempre foi um militante político ativo nos movimentos estudantis.

Em solo santareno, viveu grande parte da juventude; iniciou a jornada como professor; experienciou diversas linguagens artísticas e, mesmo quando começou a estudar na UFPA, em Belém, jamais abandonou a cidade paraense que ele considera ser a cidade dele. Ainda hoje, ele possui grande relação com Santarém.

Lá, cantava, compunha músicas, participou e teve parcerias com grupos musicais e diversos artistas, como o grupo “Canto de Várzea”, com o qual possui músicas gravadas. Sempre que retorna à cidade, Otacílio relembra esses momentos, revisita conhecidos, amigos e família, que sempre pedem para ele cantar e reviver o passado. Ele sempre possuiu relação com a música e com a cultura local.

Entre suas pesquisas, destaca-se o trabalho iniciado em sua tese de doutorado, sobre a Marca Amazônia e o Marketing da Floresta, que reflete a respeito do valor agregado a produtos comercializados com aquilo que pode ser considerado marca da Amazônia. A exemplo do açaí, que, para os paraenses, é um alimento-refeição que geralmente causa sono após o consumo e é vendido para fora do estado como produto energético e tendo seus valores ressignificados.

A outra pesquisa a ser destacada é a obra Espetáculos Culturais da Amazônia, que estuda a origem para compreender a atualidade de “espetáculos” como o Círio de Nossa Senhora de Nazaré, em Belém, e o Festival de Sairé, em Santarém. Esse trabalho possui importância na desconstrução dos estigmas e do pensamento de que esses eventos nascem exclusivamente com origem na religião. Eles são, porém, resultados de resistências populares. No início, resistência à Violência Sistêmica.

Sobre o projeto

São mais de 7 anos de projeto, que já entrevistou e mostrou diferentes personalidades amazônicas que vão de artistas conhecidos, como a mestra de carimbó Dona Onete, a personalidades da comunidade acadêmica, como João de Jesus Paes Loureiro. Nomes importantes da comunicação na Amazônia também já tiveram suas biografias registradas pelo Projeto DocBio, como Carlos Estácio, Manuel Dutra e, mais recentemente, Angelo Madson.

O projeto busca registrar e mostrar, por meio da linguagem audiovisual, as histórias e as memórias de diferentes pessoas que, em comum, possuem o fato de terem gerado grande retorno social às suas comunidades, seja ela o lugar onde moram ou atuam, seja ela a comunidade científica, por exemplo.

Otacílio Amaral – Professor e pesquisador da Amazônia

O filme foi produzido e dirigido pelos discentes da UFPA Jordan Navegantes, estudante de Jornalismo, Lucas Vieira, estudante de Publicidade e Propaganda, Marina Castro, professora responsável atualmente pelo Projeto DocBio e por Fábio Castro, também professor da Faculdade de Comunicação da UFPA (Facom). A direção geral conta, ainda, com as docentes Célia Amorim e Alda Costa.

O mais novo documentário estreou no dia 18 de março, em sua versão média-metragem. Uma versão curta foi publicada em 19 de agosto de 2020, em homenagem a quando Otacílio defendeu seu memorial na UFPA. Trata-se do resultado de uma pesquisa iniciada em 2019, por meio da Pró-Reitoria de Extensão da UFPA (Proex). A entrevista filmada foi feita ao fim de 2019 e teve sua estreia de versão média-metragem interrompida em 2020, por conta da pandemia de covid-19.

Produzido coletivamente, o documentário é uma realização conjunta entre a Proex-UFPA, o Grupo de pesquisa Sisa, a Facom-UFPA, o Instituto de Letras e Comunicação da UFPA e a Academia Amazônia. A nova versão está disponível no canal do YouTube da Academia Amazônia desde hoje.


Fonte: UFPA

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