OMS faz cinco chamados à ação no combate à pandemia de Covid-19

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A OMS afirma que com a recuperação da pandemia, os países têm uma chance única de melhorarem seus sistemas de saúde com medidas que levem ao alcance do acesso universal ao setor.

Neste guia, a agência da ONU lista cinco ações urgentes que podem transformar para melhor os sistemas nacionais de saúde alcançando aqueles que mais precisam.

Acelerar o acesso equitativo às tecnologias de combate à Covid-19 entre os países 

Vacinas seguras e efetivas foram desenvolvidas e aprovadas numa velocidade recorde. O desafio agora é assegurar que elas estão disponíveis a todos que precisam. O ponto chave aqui é o apoio adicional à Covax, a parceria liderada pela OMS, para acelerar a produção e entrega de vacinas a países de baixa e média rendas. Também conhecido como acelerador ACT, o mecanismo espera alcançar 100 países e economias nos próximos dias.

Mas somente as vacinas não vencerão a pandemia. Produtos como oxigênio médico e equipamento de proteção pessoal, assim como testes de confiança e medicamentos são vitais e meios fortes de distribuição desses produtos dentro dos países.

O ACT tem como meta estabelecer testagem e tratamento para centenas de milhões de pessoas em países em desenvolvimento, que sem este apoio ficariam sem a vacina. Mesmo assim, ainda são precisos US$ 22,1 bilhões para entregar todos esses insumos a quem, desesperadamente, precisa deles.

Pelo menos metade da população mundial ainda precisa de acesso aos serviços essenciais de saúde; gastos extras com saúde levam quase 100 milhões de pessoas à pobreza todos os anos. Foto: Unicef/Michele Spatari/AFP-Services

Investir em cuidados primários de saúde 

Pelo menos metade da população mundial ainda precisa de acesso aos serviços essenciais de saúde. Mais de 800 mil pessoas gastam pelo menos 10% das receitas do lar com esses cuidados, e gastos extras com saúde levam quase 100 milhões de pessoas à pobreza todos os anos.

À medida que os países avançam no pós-pandemia, será vital evitar os cortes nos gastos públicos para saúde e outros setores sociais. Esses cortes devem levar a mais dificuldades para os grupos que já vivem em desvantagem, enfraquecendo o desempenho do sistema de saúde e aumentando os riscos, além de adicionar mais pressão fiscal no futuro minando os ganhos de desenvolvimento.

Os governos devem alcançar as metas recomendadas pela OMS de destinar 1% adicional do Produto Interno Bruto, PIB, aos cuidados primários de saúde. Este tipo de sistema de saúde já comprovou produzir melhores resultados, aumentando a equidade e melhorando a eficiência. Essas medidas em países de rendas baixa e média podem evitar 60 milhões de mortes e elevar a expectativa de vida em 3,7 anos até 2030.

Os governos também precisam reduzir a demanda global de 18 milhões de trabalhadores de saúde, necessária para conseguir a cobertura universal de saúde até 2030. Isto inclui a criação de pelo menos 10 milhões de novos postos de trabalho de tempo integral, em todo o mundo, e o fortalecimento de ações para igualdade de gênero. As mulheres são a maioria no setor de saúde e cuidados, representando 70% da força de trabalho, mas não obtêm as mesmas oportunidades de liderança na saúde. Como soluções estão o pagamento igual para homens e mulheres o reconhecimento do trabalho não remunerado realizado por mulheres nesta área.

Pandemia evidenciou desigualdades, fragilidades e instabilidade global. Foto: Acnur/Ghislaine Nentobo

Priorizar proteção de saúde e social 

Em muitos países, os impactos socioeconômicos da Covid-19 causaram perda de empregos, aumento da pobreza, interrupções no sistema educativo, ameaças à segurança alimentar e outros fatores que ultrapassaram as fronteiras da saúde.

Algumas nações expandiram mecanismos de proteção social para mitigar esses efeitos negativos e iniciaram um diálogo sobre como apoiar as comunidades e as pessoas no futuro.

Mas muitos ainda enfrentam o desafio de encontrar os recursos para ações concretas. Será vital assegurar que os investimentos feitos tenham os maiores impactos sobre os que mais precisam incluindo comunidades marginalizadas. Elas precisam estar incluídas no planejamento e execução dessas medidas.

Mãe com seu filho em Gujarat, na Índia, durante pandemia de Covid-19. Foto: Unicef/Vinay Panjwani

Criando comunidades mais seguras, inclusivas e saudáveis 

Líderes municipais têm sido campões constantes de melhorias na saúde, por exemplo por meio de melhores sistemas de transporte público e fornecimento de água e saneamento básico.

Mas quase sempre, a falta de serviços sociais para algumas comunidades as leva a um círculo de insegurança e doença. O acesso à moradia saudável, em áreas seguras, e como serviços adequados de educação e lazer, é chave para alcançar a saúde para todos.

Cerca de 80% da população mundial vivendo na pobreza extrema estão em áreas rurais. Hoje, oito em cada 10 pessoas, que precisam de água potável residem no campo, assim como sete de 10 pessoas que não têm acesso ao saneamento básico.

Será importante intensificar esforços para alcançar essas comunidades com serviços de saúde e outros básicos incluindo água e saneamento. Essas comunidades precisam, urgentemente, de mais investimento e de meios sustentáveis de subsistência assim como um melhor acesso a tecnologias digitais.

 Fortalecendo sistemas de dados e informações de saúde 

Aumentar a disponibilidade de dados rápidos e de alta qualidade discriminados por sexo, renda, educação, etnia, raça, gênero e moradia é essencial para estabelecer as desigualdades na área da saúde e como combatê-las.

O monitoramento da desigualdade deve ser uma parte integral de todos os sistemas nacionais de informação sobre saúde.

O monitoramento da desigualdade deve ser uma parte integral dos sistemas de informação sobre saúde. Foto:Unsplash

Uma avaliação recente global mostra que apenas 51% dos países incluíram esses dados discriminados por categorias em seus relatórios nacionais. O status da saúde de grupos diversos é geralmente mascarado quando as médias nacionais são usadas.

Além disso, as pessoas mais vulneráveis, pobres e discriminadas são as mais propensas a não serem retratadas nos dados. O diretor-geral da OMS, Tedros Ghebreyesus, afirma que esta é a hora de investir na saúde como um motor para o desenvolvimento. Para eles, a segurança alimentar, o combate à mudança climática, o crescimento econômico e o desenvolvimento caminham lado a lado com a saúde. São todos aspectos que fazem a economia prosperar.


Fonte: ONU News

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