Manaus promove debate sobre os 100 anos da Semana de Arte de 1922

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Manaus sediará um dia de debates em comemoração aos 100 anos da Semana de Arte Moderna, de 1922, no próximo dia 29 de abril, na Biblioteca Municipal João Bosco Evangelista, localizada no Centro.

Em nível nacional, a celebração a esse acontecimento é promovida pela Pontifícia Universidade Católica de São Paulo (PUC-SP), por meio do Seminário Brasil 1922: A Semana de Arte Moderna e seus Desdobramentos, antecipando as comemorações que culminarão em 2022, ano do centenário,

A programação local terá transmissão on-line e será realizada pela

Fundação Municipal de Cultura, Turismo e Eventos (Manauscult) e Conselho Municipal de Cultura (Concultura).

Manaus ganhou destaque no evento, que aconteceu no último dia 6 de abril, pela estada do poeta Mário de Andrade na cidade no ano de 1927 e por sua obra literária, apresentada pelo diretor-presidente da (Manauscult), Alonso Oliveira, durante a Semana de Arte Moderna.

“Esse evento é de suma importância para todos nós, manauenses e, principalmente, acredito eu, para os acadêmicos, amantes da literatura”, avaliou Oliveira.

O prefeito de Manaus, David Almeida, ressaltou a importância da parceria e a relevância do evento para a educação e a promoção da cultura manauense e amazônica no meio acadêmico e cultural brasileiro.

“A importância do universo amazônico ganhou projeção nas obras de Mário de Andrade, influenciando um forte movimento local literário e demais artes que reverberam até hoje”, afirmou.

Em retribuição ao intercâmbio com convidados de São Paulo e artistas e especialistas locais, a programação contará com palestras, mesas temáticas e apresentações artísticas realizadas por escritores e intelectuais amazonenses.

Panorâmica

A Semana de Arte Moderna, também chamada de Semana de 22, marca a chegada do modernismo no Brasil, no ano de 1922.

O evento ocorreu entre 11 a 18 de fevereiro, sendo cada um desses dias dedicado para uma área diferente no campo das artes (pintura, escultura, poesia, literatura e música).

O palco desse acontecimento foi Teatro Municipal da cidade de São Paulo.

Entre os principais articuladores da Semana de Arte Moderna estavam, entre outros, os escritores Oswald de Andrade, Rubens Borba de Moraes, Cândido Motta Filho, Mário de Andrade, Manuel Bandeira, Graça Aranha e Paulo Prado.

Esse grupo de intelectuais e seus apoiadores estavam motivados a transformar os antigos conceitos artísticos e estéticos do século 19.

Embora o principal centro de insatisfação estética seja, nesta época, a literatura, particularmente a poesia, movimentos como o Futurismo, o Cubismo e o Expressionismo começavam a influenciar os artistas brasileiros.

Os intelectuais, os críticos e os jornais da época reagiram as propostas de mudança da estética da época, forjada no gosto e nos hábitos europeus.

Assim, os intelectuais da Semana de 22 vieram a ser tachados de “subversores da arte”, “espíritos cretinos e débeis” ou “futuristas endiabrados”.

Os ideais da Semana de 22 só vieram a ganhar força e tomar conta do país com o passar do tempo.

Manaus

Em Manaus, a resistência às mudanças nas artes sugeridas pela Semana de 22 estava sediada na Academia Amazonense de Letras (ALL), fundada em 1918.

Não seria de se estranhar, por isso, que a visita de Mário de Andrade a Manaus, já festejado como autor de Macunaíma, cinco anos após o evento literário paulista, tenha incomodado os intelectuais defensores dos valores tradicionais das artes cujos pés , também, estavam ficados na Europa.

Alencar e Silva, em seu livro Quadros da moderna poesia amazonense (Valer), registra a insatisfação do reduto acadêmico à presença de Mário de Andrade em solo manauara:

A intelectualidade da terra – excetuada, naturalmente, aquela parcela que estava extramuros da Academia – era, ainda na metade da década de 1950, basicamente a que remanescia dos idos de 1918 (ano de fundação do silogeu amazonense) e reunia-se, por assim dizer, em torno das figuras de João Leda e outras lideranças de várias abrangências, escritores de justo e relevante renome capazes de brilhar em qualquer cenáculo de cultura, mas que, enquanto viveram, ofereceram tenaz oposição aos cânones da Semana de Arte Moderna de 1922.

Principalmente João Leda, vernaculista de nomeada, que chefiara uma infeliz manifestação de desapreço – incluindo vaia e panfletos – a Mário de Andrade, quando de sua estada em Manaus, em 1927, o que tanto desgosto causou ao rapsodo de Macunaíma, o qual só por elegância não desfaria de público a impressão favorável e os louvores que a cidade lhe merecera, mas da qual se queixaria amargamente em carta a amigos.

Esse episódio exemplifica, de certo modo, um certo vezo que havia então, de considerar a capital amazonense uma destruidora de mitos e reputações. Citavam-se, a propósito, casos de intelectuais que, justa ou injustamente, ali teriam sido desmascarados etc. Não constituirá, pois, mera metáfora afirmar-se que, ainda nos anos de 1950, havia trincheiras, dentro e fora da Academia, de onde se atiravam calhaus ao Modernismo.

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