A difícil tarefa de lidar com os nossos relacionamentos na quarentena

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Somos essencialmente seres relacionais. Estar e ser com o outro é uma constância em nossa vida e nem por isso deixa de ser uma tarefa. Na verdade, o contrário se faz presente.

Quanto mais experimentamos e lidamos com essa tarefa de sermos seres relacionais vamos percebendo o quanto isso é uma questão em nosso cotidiano. Além disso, é importante lembrar que ninguém nasce com um manual de instrução para lidar com um familiar, com uma pessoa amada ou até mesmo com um amigo.

O filósofo Martin Heidegger em seu livro “Ser e Tempo” descreve essa dimensão da condição humana que podemos chamar de ser-com-o-outro. O nosso mundo é um lugar onde o outro está sempre presente. Nosso dia-a-dia é esse mundo que compartilho com os outros. E aqui vamos pensar como vivemos esse compartilhamento quando vivemos esse mundo em quarentena.

Com isso, podemos refletir como se dão os relacionamentos humanos que compõem essa dimensão tão fundamental da vida, que por vezes é uma tarefa que nos demanda mil possibilidades em um contexto de quarentena, tal como estamos vivendo nessa realidade pandêmica. Como podemos aprender a lidar com o outro em nossas relações no dia-a-dia do confinamento social? Como podemos carregar essa questão tão cotidiana?

Vamos olhar um pouco mais os relacionamentos mais comuns considerando o período pandêmico. O convívio familiar veio se intensificando e se mostrando um grande desafio, pois está exigindo uma série de movimentos de cada um de nós, principalmente, no âmbito emocional.

Da mesma forma, quando olhamos para os casais que estão se deparando com os conflitos e descontentamentos que começam aparecer e que poderiam estar se arrastando.

É importante olhar para a quarentena como um possível lugar onde podemos aprender novas formas de encontro dentro dos relacionamentos que considerem a existência dos desencontros que estão presentes.

Os encontros com esse outro podem nascer de desencontros relacionais. É importante refletir sobre como podemos encontrar esse outro que está na minha frente e em meu convívio, se abrindo para o fato que essa pessoa é um outro, com outra forma de ver a vida, de escolher, decidir e de ser. Só aprendemos a lidar com o outro se abrindo para essa verdade: o outro é um outro e precisamos aprender a estar com essa pessoa, considerando esse fato e assim descobrindo pontes possíveis entre você e o outro.

Faz parte da condição humana lidar com o outro, somos seres relacionais. Aprendemos a lidar com o outro reconhecendo essa verdade existencial que nos atravessa, estando em abertura ciente que se relacionar com o outro, independente de quem seja, sempre é uma tarefa que se realiza estando em relação com o outro, descobrindo com o relacionamento com esse outro os limites e possibilidades que estão presentes em toda relação.

 

 

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