Uma proposta para imaginar outros mundos segundo Alberto Acosta

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Muitíssimas pessoas só trabalham e produzem pensando em consumir, mas, ao mesmo tempo, vivem na insatisfação permanente de suas necessidades.

Produção e consumo se tornam, assim, uma espiral interminável, esgotando os recursos naturais de maneira irresponsável e acirrando ainda mais a tensão criada pelas desigualdades sociais.

Nesse ponto, desempenham papel determinante muitos avanços tecnológicos que aceleram o círculo perverso da produção crescente e os apetites cada vez mais insatisfeitos.

[…]

A proposta do Bem Viver, desde que assumida ativamente pela sociedade, pode projetar-se com força nos debates mundiais.

Poderia ser inclusive um detonante para enfrentar positivamente a crescente alienação de uma grande maioria dos seres humanos.

Em outras palavras, a discussão sobre o Bem Viver não deveria circunscrever-se às realidades andina e amazônica.

Apesar de reconhecermos a extrema dificuldade para se construir o Bem Viver em comunidades imersas no turbilhão do capitalismo, estamos convencidos de que há muitas opções para começar a praticá-lo em outros lugares do planeta, inclusive nos países industrializados.

[…] Sem ignorar as vantagens que podem ser obtidas com os avanços tecnológicos, queremos superar visões ingênuas e até mesmo simplórias com que são recebidos esses “avanços”.

E, sem negar o elementos positivos da ciência e da tecnologia, há que se compreender o que representam os elementos fundamentais das ideias ainda dominantes de progresso e civilização: ideias que amamentaram o desenvolvimento, convertendo-o em uma ferramenta neocolonial e imperial.

[…]

Se o desenvolvimento trata de “ocidentalizar” a vida no planeta, o Bem Viver resgata as diversidades, valoriza o respeito ao outro.

O Bem Viver emerge como parte de um processo que permitiu empreender e fortalecer a luta pela reivindicação dos povos e nacionalidades, em sintonia com as ações de resistência e construção de amplos segmentos de populações marginalizadas e periféricas.

Em conclusão, o Bem Viver é eminentemente subversivo. Propõe saída descolonizadoras em todos os âmbitos da vida humana.

O Bem Viver não é um simples conceito. É uma vivência.

[…]

Alberto Acosta, em O Bem Viver, uma oportunidade para imaginar outros mundos (Elefante, 2016)

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