Em Cúpula sobre o clima, Guterres pede a líderes que deem passo na direção certa

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O secretário-geral das Nações Unidas chamou a atenção internacional para um “mundo à beira do abismo” ao discursar nessa quarta-feira na Cúpula de Líderes Globais sobre o Clima.

António Guterres pediu que o próximo passo seja na direção certa, durante a conferência virtual, organizada pelos Estados Unidos. Ele apelou à ação das lideranças em todos os lugares.

Finanças

Guterres defende uma aliança global para zerar as emissões líquidas de carbono até meados deste século, com cada país, região, cidade, empresa e setor. Essa iniciativa “verdadeiramente global” seria acompanhada por um avanço em áreas como finanças e adaptação.

Guterres disse que o mundo caminha no rumo certo em direção a Ação Climática, mas seria preciso mais velocidade. Foto: NASA

O presidente do Brasil, Jair Bolsonaro, foi o primeiro chefe de Estado lusófono a intervir na Cúpula, que ocorre sete meses antes da 26ª Conferência sobre o Clima, a COP-26, marcada para Glasgow, na Escócia.

Ele realçou que a causa maior do aquecimento global é a queima de combustíveis fósseis dos últimos dois séculos.

“O Brasil participou com menos de 1% das emissões históricas de gases de efeito estufa, mesmo sendo uma das maiores economias do mundo. No presente respondemos por menos de 3% das emissões globais anuais.”

Para o presidente do Brasil, a aposta do país em atingir a neutralidade de carbono, até 2050, se antecipa em 10 anos à meta anterior.

Segundo ele, o governo tem um plano para erradicar o desmatamento ilegal até 2030, reduzindo em quase metade as emissões até essa data, ainda que considere que ação seja uma “tarefa complexa”.

Presidente Jair Bolsonaro disse que o Brasil aposta em atingir a neutralidade de carbono até 2050. Foto: Captura de vídeo

Recursos

O ministro do Ambiente e da Ação Climática de Portugal, João Pedro Matos Fernandes, também deve discursar no evento.

O chefe das Nações Unidas também propôs que a atual década seja de transformação, com apostas novas e mais ambiciosas das nações em contribuições para mitigação, adaptação e financiamento. As medidas e políticas para os próximos 10 anos estariam em linha e visando a eliminação das emissões de carbono até 2050.

A terceira proposta é traduzir compromissos nacionais em ações imediatas e concretas. Guterres disse que os trilhões de dólares necessários para recuperar da pandemia sejam usados em políticas que evitem sobrecarregar as gerações futuras de dívidas em um planeta destruído.

Investimentos

O secretário-geral realçou ainda que seja tributado o carbono e defendeu o fim de subsídios aos combustíveis fósseis, o aumento de investimentos em energia renovável e da infraestrutura verde.

Guterres conversou ação climática com jovens ativistas do Brasil e de Madagáscar. Foto: ONU/Manuel Elias

Sublinhando que deve acabar o financiamento de usinas de carvão e a construção de novas, o chefe da ONU pediu que se elimine gradualmente o carvão até 2030 em países mais ricos e até 2040 em todos os outros garantiria uma transição justa para os afetados.

A reunião junta dezenas de líderes tendo como foco a promessa de cortar as emissões de carbono pela metade até 2030 como prevê o Acordo de Paris.

Os Estados Unidos anunciaram uma nova meta para atingir uma redução de entre 50% e 52% dos níveis de poluição de gases de efeito estufa em 2030. Joe Biden declarou que pretende colocar seu país no caminho para emissões líquidas zero até 2050.

Acordo de Paris

Reagindo à promessa norte-americana feita na sequência do retorno do país ao Acordo de Paris, Guterres disse que o mundo caminha no rumo certo em direção a Ação Climática, mas seria preciso mais velocidade de líderes nesse sentido.

Como parte da celebração do Dia Mundial da Terra, o secretário-geral discutiu virtualmente questões em torno da emergência climática com jovens ativistas do clima do Brasil, Paloma Costa, e de Madagáscar, Marie Cristina Kolo.

A conversa abordou temas como preservação da biodiversidade, a redução das emissões de gases de efeito estufa e as medidas de adaptação sobre as quais apelos a mais solidariedade internacional por um futuro sustentável e inclusivo.


Fonte: ONU News

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