UFPA compartilha ideias decoloniais e antirracistas sobre povos amazônicos

Compartilhe:

“Povos Indígenas e Educação no Brasil: acesso, permanência e inclusão social”. É com este tema que o Projeto Cartografia da Cultura Afro-Brasileira e Indígena, da Escola de Aplicação da UFPA, celebra 10 anos de atividades e marca também o Abril Vermelho. A programação contará com debate em formato de live, mediado pelo professor Daniel Barroso, com as participações de Tel Guajajara (DCE/APYEUFPA), Almires Guarani (antropólogo) e Jane Beltrão (UFPA), no dia 22 de abril (quinta-feira), às 17h, pelo canal do Projeto Cartografia no YouTube.

O Projeto Cartografia surgiu de uma experiência pedagógica em História para, nos anos seguintes, se consolidar como uma plataforma interdisciplinar, decolonial e, acima de tudo, antirracista na educação básica. Sob coordenação da professora Antônia Brioso, a iniciativa se pretende inclusiva e socialmente referenciada. O objetivo da live do dia 22 de abril é justamente ampliar o debate e chamar atenção às questões socioculturais amazônidas.

Segundo a coordenadora, o Cartografia tem como público-alvo estudantes do ensino médio da Escola de Aplicação, mas o alcance da sua formação, ao longo dessa década de atividades, atingiu um público variado: docentes da educação básica e do ensino superior, acadêmicos em geral, comunidades tradicionais, entre outros grupos. Apesar da ênfase para a comunidade escolar, todas as pessoas interessadas na programação do projeto são bem-vindas.

“A Escola de Aplicação faz parte de uma universidade que tem como princípios fundamentais a excelência acadêmica e a inclusão social. Além de contribuírem para a formação crítica e reflexiva de discentes da escola, o debate e toda a programação anual do Cartografia procuram dar visibilidade a grupos ética e racialmente diferenciados e garantir a sua representatividade nos debates”, afirma Antônia Brioso.

Sobre o projeto – O Cartografia desenvolve com os estudantes do ensino médio da Escola de Aplicação um ensino inter/multicultural e antirracista. Nesse percurso, mais de mil discentes de educação básica, graduação e pós-graduação foram formados numa perspectiva antirracista, de acordo com as diretrizes curriculares nacionais para a educação das relações étnico-raciais e com o ensino da história indígena e da África e cultura afro-brasileira, elaboradas com baxse nas Leis 10.639/2003 e 11.6645/2008. Formando grupos de estudos dentro da temática étnico-racial, os estudantes desenvolvem a iniciação científica e uma formação inclusiva, sob a orientação de 12 professores da Escola de Aplicação, de disciplinas como: Geografia, Artes, Literatura, Matemática, Física, Biologia, Filosofia e História.

No contexto pandêmico, o Cartografia manteve a sua atuação, adequando a sua estrutura à situação emergencial. Nesse sentido, 12 debates em formato de lives foram organizados e colocados no ar no canal no Youtube e em nossa página no Facebook. Todas as transmissões ao vivo foram produtos pedagógicos novos, criados pelo projeto, e estão sendo utilizadas na formação dos estudantes da Escola de Aplicação, como também no ensino superior, tanto em nível de graduação como no de pós-graduação.

“Pretendemos continuar e aprimorar essa experiência nos espaços virtuais, em função de seu grande alcance em termos formativos, disponibilizando remotamente recursos didáticos, lives/videoaulas e textos acadêmicos na linha da educação étnico-racial”, projeta Brioso.

Como resultado do projeto, há ainda o Laboratório de Práticas Pedagógicas (LAPPEER), que está em fase de construção e implantação e, desde já, tem afirmado e corroborado as ações na produção de tecnologias pedagógicas na linha da educação antirracista. “Um empreendimento significativo para a Escola de Aplicação, em particular, e para a educação básica promovida pela UFPA, como um todo”.

A coordenadora destaca ainda o pioneirismo do projeto. “Ao recuperamos no currículo escolar a diversidade de conhecimentos oriundos das diferentes culturas que compõem o Brasil, contemplamos as normativas (Leis 10.639/2003 e 11.645/2008) que sinalizam avanços na efetivação de direitos sociais educacionais e implicam o reconhecimento da necessidade de superação de imaginários, representações sociais, discursos e práticas racistas na educação escolar. O Cartografia tem sido pioneiro como laboratório de experimentos pedagógicos de educação inter/multicultural e antirracista em Belém e tem possibilitado à Escola de Aplicação superar a excessiva distância das experiências socioculturais e o universo dos seus estudantes”.

Programação – A programação comemorativa pela primeira década do projeto inicia-se com a live do mês de abril e segue com atividades em maio e junho. Para o próximo mês, entre outras, estão previstos o lançamento do livro “Cartografia da educação Étnico-racial na Educação Básica: uma experiência de ensino antirracista”, de autoria da professora Antônia Brioso; e a live “À flor da pele: racismo e saúde emocional”. Para junho, o tema da live será “O ensino de história da África na educação antirracista no Pará”.


Fonte:  Assessoria de Comunicação Institucional daUFPA

Texto: Jéssica Souza 

 

Compartilhe:

Deixe uma resposta

Seu endereço de email não será publicado.