Simpósio homenageia 40 anos do Departamento de História da Ufam

Ao longo de quatro décadas, o curso de História da Ufam já formou 1906 profissionais que atuam nas redes pública e particular de ensino

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Para comemorar as quatro décadas de funcionamento do curso de Licenciatura em História da Universidade Federal do Amazonas (Ufam), a coordenação do curso promove, de 11 a 14 de maio de 2021, o Simpósio on-line “Curso de História da UFAM – uma trajetória de 40 anos”. O evento será transmitido ao vivo pelo perfil do curso de História da Ufam no Facebook e pelo canal do YouTube, sempre a partir das 18h30.

Reconhecimento

Segundo o professor César Augusto Queirós, o Simpósio terá como palestrantes professores aposentados que contribuíram de forma decisiva para a criação e para a consolidação do curso de História da Ufam.

“Cada título de mesa-redonda faz alusão a obras de autoria dos professores palestrantes. No dia 11 de maio, por exemplo, a primeira mesa-redonda do evento é intitulada ‘O curso de História para além da Conquista’, em direta referência à obra ‘Além da conquista: guerras e rebeliões indígenas na Amazônia pombalina’, do palestrante convidado e professor aposentado do Departamento de História, Francisco Jorge dos Santos, o qual, ao lado da professora convidada Maria Eugênia Mattos, que desfruta de reconhecida trajetória na área de História Medieval e Ensino de História, comentará as principais conquistas do curso ao longo dessas quatro décadas. Para fechar a programação, no dia 14 de maio, teremos como convidado o professor Aloysio Nogueira de Melo. O título da mesa-redonda ‘Um intelectual cuja vida se confunde com a história do curso’ é um reconhecimento à vida dedicada à criação e à consolidação do curso de História na Ufam e à luta dele dentro e fora das salas de aula”, explicou.

Compromisso com a sociedade

A chefe do Departamento de História, professora Kátia Cilene do Couto, elenca as contribuições do curso de História para a sociedade amazonense ao longo dessas quatro décadas e ressalta a permanente atenção às demandas da sociedade como um dos principais compromissos do curso. “Ao completar 40 anos, o curso de História se consolida como fundamental na formação dos amazonenses. São quatro décadas de ensino, pesquisa, extensão e muito conhecimento, com forte impacto na formação de centenas de jovens que hoje se dedicam à docência no estado. Entre os desafios do curso para o futuro está  o compromisso da permanente atenção às demandas da sociedade, o compromisso com a educação, com os jovens e com a História, valorizando cada vez mais sua importância para a formação de uma sociedade conhecedora do seu passado e atenta quanto ao seu futuro”, declarou a gestora.

Dossiê História 40 anos

Aluno da primeira turma da Licenciatura em História, palestrante do primeiro dia do Simpósio e responsável pelo dossiê dos 40 anos do curso, o professor aposentado Francisco Jorge dos Santos compartilha lembranças dos momentos iniciais do funcionamento da licenciatura e afirma que o curso foi uma grande conquista da sociedade regional.

“O curso de Licenciatura Plena em História começou a funcionar em 1981, com 30 aprovados do vestibular daquele ano e mais um aluno, oriundo de outro Estado. O curso foi um grande ganho para a sociedade regional, sobretudo, pela criação de um lugar próprio para o desenvolvimento de pesquisas sobre a História da Amazônia em moldes científicos. Arrisco dizer que 90% da produção de conhecimento histórico elaborada pelos alunos e professores desse curso envolvem temáticas sobre a Amazônia, com ênfase em história indígena e do indigenismo; na história do trabalho; na política histórica, na questão racial, no protagonismo das mulheres, entre outras”, ressaltou o docente, que dedicou 35 anos de sua trajetória intelectual ao Departamento de História da Universidade Federal do Amazonas.

História amazônica

O organizador do dossiê História 40 anos também destaca autores pioneiros e os intelectuais formados pelo curso de História da Ufam que contribuíram para a consolidação da História amazônica.

 

 

Os pioneiros dessa história amazônica produziram obras como ‘A Rebelião de 1924, em Manaus’, de autoria da professora Eloína Monteiro dos Santos, ‘A Amazônia Colonial (1616-1798)’, do professor José Ribamar Bessa Freire e seus cinco alunos e ‘A ilusão do fausto – Manaus: 1890-1920’, da professora Edinea Mascarenha Dias. Depois, vieram as obras dos formados pelo próprio curso de História como, por exemplo, em 1997, ‘Os Fios de Ariadne – Tipologia de Fortunas e Hierarquias Sociais em Manaus:1840-1880’, da professora Patrícia Maria Melo, seguida de obras históricas de minha autoria, de autoria do professor Geraldo Sá Peixoto Pinheiro, do professor Luís Balkar, da professora Maria Luiza Ugarte Pinheiro,  da professora Márcia Eliane Alves Sousa e Mello, do professor Auxiliomar Ugarte, do professor Almir Diniz Carvalho Júnior, do professor Hideraldo Lima da Costa, do professor Luiz Bitton Telles da Rocha, do professor Davi Avelino Leal e do professor Rafael Ale Rocha. Todas versando sobre a Amazônia, sem contar o expressivo número de trabalhos de alunos egressos do curso, que produziram desde monografias a teses de doutorado. Devo acrescentar que os professores mais recentes do Departamento de História, oriundos de outras partes do Brasil, estão também se envolvendo com a nossa História da Amazônia.  Portanto, o curso de História, que iniciou em 1981, continua cumprindo o seu papel institucional de  promover  o  ensino   de   melhor   qualidade   e   na   produção   de conhecimento   histórico,   formando   professores   para   o   Ensino   Básico   e   novos historiadores.

Francisco Jorge, professor e historiador

Egressos no mercado de trabalho

Egressa da licenciatura em História da Ufam, a professora da rede estadual de Ensino, Thaís Guedes, sente orgulho de fazer parte dessa trajetória de 40 anos e elogia a formação recebida. “Eu me formei em História em 2013. Eu me lembro de ter chegado ao curso com uma cabeça e ter saído com outra. O curso de História foi libertador para mim. Libertou minha mente de amarras impostas tanto pela sociedade quanto por uma criação mais rígida. No curso de História da Ufam eu aprendi a ver o todo com respeito, sem preconceito ou medo. Além de abrir minha mente para o conhecimento acadêmico, o curso de História abriu portas para a estabilidade profissional que sempre busquei. Hoje sou professora, servidora pública estatutária da Secretaria de Educação do Estado e me orgulho muito do caminho que trilhei. Sempre gostei de ensinar e o faço com muito carinho, apresentando a importância da História para cada um e para a humanidade”, declarou a professora Thaís, que leciona no CMPM VIII.

Influências intelectuais

Egresso da turma de 2015, o professor Paulo Igo Gomes dos Santos também atua na rede estadual de Ensino. Ele destaca os professores do departamento de História que mais influenciaram sua formação intelectual.

 

“O curso foi um divisor de águas na minha vida pois,  a partir dele, tive, primeiramente, uma formação e, consequentemente, uma profissão. O curso me proporcionou criar uma visão de mundo completamente diferente da visão que eu tinha no momento em que ingressei na Universidade, uma visão bem mais política e social, não somente no Brasil, mas do mundo, da Amazônia. Para essa visão tiveram contribuições importantes o professor Nelson Tomelin, que foi meu orientador na monografia e que realmente foi um professor que me influenciou a ter uma visão mais crítica nas relações de trabalho e sociais, assim como a professora Patrícia Melo, a qual busca pela excelência sempre. Outros professores também contribuíram bastante para a minha formação, como o professor Balkar, na busca pelo entendimento das técnicas e metodologias pela pesquisa em História e o finado professor Geraldo que, mesmo tendo poucas aulas com ele, aprendi que não precisamos ser sisudos para alcançar a excelência profissional e intelectual. De modo geral, tento levar um pouco de cada um desses professores na minha caminhada profissional”, comentou o professor Paulo Igo.

Programação do Simpósio

Confira a programação completa de aniversário de funcionamento do curso:

Dia 11 de maio – Mesa-redonda 1: “O curso de História para além da Conquista. Convidados: professores Francisco Jorge dos Santos e Maria Eugênia Mattos. Moderador: professor Auxiliomar Ugarte.

Dia 12 de maio – Mesa-redonda 2: “O curso de História e o fim do silêncio”. Convidadas: professoras Maria Regina Celestino de Almeida e Patrícia Maria Alves Melo. Moderador: professor Sínval Carlos Gonçalves.

Dia 13 de maio – Mesa-redonda 3: “Taqui pra ti: o curso de História. Convidado: professor José Ribamar Bessa Freire. Moderador: professor Hideraldo Costa.

Dia 14 de maio – Mesa-redonda 4: “Um intelectual cuja vida se confunde com a história do curso”. Convidado: professor Aloysio Nogueira de Melo. Moderadora: professora Kátia Cilene do Couto.

Sobre o curso

Criado pela Resolução 003/80 do Conselho Universitário, de 14 de agosto de 1980, o curso de Licenciatura em História da Universidade Federal do Amazonas iniciou suas atividades no início do ano de 1981, vinculado ao antigo Instituto de Ciências Humanas e Letras (ICHL).

Ao longo de quatro décadas foram promovidas reformas curriculares, a mais recente foi implementada no ano de 2019. O curso de História da Ufam já formou 1906  professores – incluindo a graduação (1016), o Plano Nacional de Formação de Professores da Educação Básica (Parfor), com 264 docentes formados, o Programa Especial de Formação Docente – Rede Pública. (PEFD-RP), com 554 professores e o PEFD-RP/Plenificação, com 72 professores formados – os quais atuam nas redes de ensino pública e particular no Amazonas e demais estados brasileiros.

Em 2006, a qualidade das atividades desenvolvidas no âmbito da graduação e a dedicação dos docentes do curso possibilitaram a criação do Programa de Pós-Graduação em História que, no ano de 2021, está completando quinze anos de atividade. No ano de 2018, após receber excelente avaliação da CAPES – evidenciando a excelência das atividades acadêmicas que vinham sendo desenvolvidas –, o PPGH obteve o credenciamento de seu curso de Doutorado em História, tendo início no primeiro semestre de 2019.

Atualmente vinculada ao Instituto de Filosofia, Ciências Humanas e Sociais (IFCHS), a Licenciatura em História conta com 23 professores, sendo 21 ativos e 2 que se aposentaram, mas continuam atuando na pós-graduação, um técnico-administrativo em educação e  558 alunos matriculados institucionalmente, sendo 252 no turno diurno e 306 no noturno.


Fonte: Ufam/Ascom

Texto: Márcia Grana

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