Mulheres Sateré-Mawé criam associação para valorizar artesanato

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A Organização de Mulheres Indígenas Sateré-Mawé (Omism/Watyamã) encerrou, nessa terça-feira (04/5), o processo de dotação do status jurídico à entidade, após a realização de assembleia geral, na segunda-feira (03/5).

Watyamã, em portugês significa tucandeira, formigas usadas na Dança da Tucandeira, um dos rituais da etnia Sateré-Maué. Vinte e nove mulheres participaram da fundação da entidade.

O grupo de mulheres indígenas quer viabilizar meios de resgate cultural e sustentabilidade para famílias risco social.

Segundo a organizadora Inara Waty, a fundação da associação Omism/Watyamã surge da necessidade de dar assistência às mulheres indígenas Sateré-Mawé que se viram obrigadas a sair da área indígena para morar na cidade.

“Algumas associadas nossas que moram em Barreirinha identificaram as dificuldades das mulheres sateré que vieram morar na cidade para acompanhar os filhos para estudar, as viúvas que não conseguem sobreviver na área indígena e algumas jovens que vêm estudar para ter uma vida melhor”, disse.

O artesanato Sateré-Mawé é uma fonte de renda para as mulheres e é muito procurado pelos turistas no Amazonas.

O objetivo de Watyamã é ajudar as mulheres que moram na cidade, pois as da aldeia recebem apoio das políticas públicas por meio da saúde diferenciada e educação diferenciada da Fundação Nacional do Índio (Funai) e do Departamento de Apoio ao Indígena (DAI).

As mulheres sateré que moram na cidade não têm nenhuma assistência ou política pública, nem mesmo vacinação contra Covid-19.

“Na Lei está escrito que ‘os povos indígenas devem ser vacinados’ e, nós que moramos nas cidades não deixamos de ser indígenas. Nossa associação quer fortalecer a cultura sateré-mawé naqueles indígenas que saem das reservas e buscar os nossos direitos”, disse a líder indígena.

A subsecretária da Cultura, Sandrelly Dabela, felicitou as mulheres sateré e se colocou à disposição para apoiar a associação.

“Nós da Secretaria Municipal de Cultura Turismo e Meio Ambiente nos colocamos à disposição das Mulheres da Watyamã. É um dos compromissos de campanha do prefeito Glenio seixas o apoio e assistência ao povo Sateré-Mawé e isso se estende às mulheres. Eu me sinto feliz de ver as mulheres se unindo, se organizando e lutando pelos direitos. Ninguém pode duvidar da força de vontade e da capacidade das mulheres resolverem problemas e realizar boas ações. Assim, meu desejo é de nos ajudarmos para que a Watiamã tenha sucesso”, declara.

Artesanato: fonte de renda para os povos indígenas

Apoio

O evento abriu com a presença das organizadoras e dos seguinte parceiros e convidados da entidade: Geter-Sateré, Conselheiro de Cultura de Barreirinha; representante dos povos tradicionais; Jander Nascimento, ambientalista; Ray Santos, cineasta e coordenador de Cultura da Estação Cidadania de Parintins e Carly Anny Barros, antropóloga.

Na terça-feira (04/05) os convidados foram a Subsecretária de Cultura, Turismo e Meio Ambiente (Semctram), Sandrelly Dabela e o vereador Luiz Carlos Andrade, o Maninho.

O evento encerrou-se com uma visita dos apoiadores às casas dos indígenas afetadas pela cheia do Paraná do Ramos, afluente do rio Amazonas.

O grupo se aliou às Watyamã para buscar apoia nas organização governamentais e não governamentais, que amenize as dificuldades dessas famílias.

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