A pandemia e a saúde mental de nossos adolescentes

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A palavra adolescência vem do latim ad (a, para) e olescer (crescer), significando a condição ou processo de crescimento, ou seja, o indivíduo apto a crescer.

A adolescência por si só é uma fase complicada com a abundância de novas experiências, alteração nos níveis de hormônios, busca pela identidade e a construção de novos relacionamentos.

Praticamente, todas as dificuldades dos adolescentes envolvem, obviamente, emoções. Não se pode entender um adolescente, a menos que se entendam suas maneiras de sentir paralelamente ao que pensa e faz.

Na realidade, deve-se procurar compreender, não somente as emoções que expressa, mas estar alerta para as emoções que tenta esconder. Os sentimentos a respeito de si mesmo e dos outros, bem como o julgamento que a seu ver os outros fazem dele, dominam toda a vida do adolescente.

No campo da psicologia, todos os estudiosos são unânimes em reconhecer a emoção como uma força construtiva e estimuladora da atividade humana – impele os seres humanos à atividade. A maturidade emocional é necessária para possibilitar ao indivíduo uma vida satisfatória, como cidadão maduro e responsável, em uma sociedade livre.

Alcançar esta maturidade emocional não é tarefa fácil. Para tornar o indivíduo competente para esta tarefa é necessário um longo processo de crescimento, de desenvolvimento e de treino. O progresso de cada adolescente no amadurecimento emocional dependerá, em grande escala, de suas experiências emocionais ante riores.

A verdade é que os adolescentes não têm total compreensão nem controle de suas emoções e podem não saber expressar nem digerir como se sentem.

Os adolescentes precisam de estrutura e de senso de normalidade para manter a estabilidade emocional. Os adolescentes neste momento de pandemia se deparam com situações que geram sofrimento.

A limitação de não poder ir e vir, a restrição de espaço, não poder encontrar seus amigos, ter festa e viagens canceladas, o medo de ser infectado ou de ter seus familiares infectados, a interrupção do ensino presencial, a percepção de que seus pais estão ansiosos, preocupados, irritados, as brigas, s&atil de; todas situações que geram altos índices de crises de ansiedade, depressão e suicídio neste momento.

O estresse emocional é um dos mais importantes fatores de risco preveníveis para os transtornos mentais.

A atual pandemia e todo o contexto que a acompanha chegam aos adolescentes por meio de informações, por meio de emoções de seus pais e outros adultos significativos, pelas mudanças da rotina e do ambiente ao longo do tempo.

Surgirão pensamentos e emoções como sinais de estresse, que serão transmitidos de forma direta (expressando medo, insegurança) ou indireta (irritação, insônia).

Os pais poderão reconhecer os sinais de estresse, processá-los e transmitir aos adolescentes respostas que geram acolhimento, segurança e aprendizado, estabelecendo um ciclo positivo.

Porém, alguns pais podem não compreender os sinais de estresse de seus filhos, ou podem compreender mas não responder, ou ainda podem emitir respostas que geram mais medo, insegurança e desamparo, estabelecendo um ciclo negativo.

Haverá o que se chama de estresse tóxico e aí problemas emocionais ou comportamentais ou mesmo transtornos mentais podem se instalar.

Para prevenir os transtornos mentais no contexto atual, é preciso atenuar as adversidades, acionar sistemas sociais de suporte, identificar precocemente os primeiros sinais ou sintomas e agir sobre eles, evitando que piorem.

São índices de sucesso, a capacidade que as pessoas têm de se adaptar às mudanças, além da construção da autorresponsabilidade da gentileza e da empatia. Esses conceitos são algo que os adolescentes podem construir através do tempo.

Este é o momento de nossos adolescentes encontrarem soluções criativas para os problemas que possam enfrentar, contando sempre com a ajuda de pais, familiares, amigos e professores.

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