E assim veio O Andaluz

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Ver-me diante da 3.ª Edição de O Andaluz (Valer) é, sobretudo, gratificante. Grato aos leitores. Grato à vida!

Poucos pobres mortais conseguem ver seus livros editados ou reeditados. Os leitores são poucos e o mercado escolhe os seus.

Quando publiquei O Andaluz, em outubro de 2005, graças ao faro de Isaac Maciel e Tenório Telles, eu vivia uma situação grave de saúde.

Acabava de ser diagnosticado com cinco artérias do coração com vários níveis de comprometimento.

Ainda na sala de descanso do pós-cateter, no Hospital Adventista de Manaus, o médico foi taxativo: “Daqui, só saia para a sala de cirurgia”. Eu e minha mulher, Maria do Rosário, ficamos incrédulos!

Naquele momento pensei: “Não posso fazer essa cirurgia sem lançar O Andaluz”. Afinal, a sessão de autógrafos já estava com local, data e hora marcados.

E assim foi feito.

Não recuei e corri o risco de morte para ver o meu livro nas mãos dos leitores.

No dia do lançamento, lá estávamos: eu, Rosário, Dassuem, Enã Wilson e uma dezena de amigos e convidados, no Teatro Chaminé, em ambiente preparado pela jornalista e escritora Mazé Mourão.

Lá pelo meio da sessão, emocionado, senti um aperto no peito, algo que encolhia o meu tórax e fechava a minha garganta.

“Pronto! Vou morrer aqui e agora”, pensei, e logo pedi um copo d`água, sem coragem para encerrar o evento.

Tomei a água. Fiquei de pé uns segundos e continuei autografando. Lembro que recomecei assinando os livros da professora Marilene Corrêa e do professor Marcílio Freitas.

Do Teatro Chaminé vim direto pra casa. No meio do caminho contei o meu desconforto e levei um ralho dos três.

Dois dias depois, eu e Rosário embarcávamos para São Paulo, onde me submeti à cirurgia de peito aberto, no Hospital da Beneficência Portuguesa, e recebi cinco pontes implantadas pelo Dr. Silas Avelar Júnior e sua equipe.

O Andaluz foi o meu cartão de visita em Sampa. Ofereci exemplares que levei na bagagem a trabalhadores do hotel e do hospital, entre os quais ao Dr. Sillas, que hoje mora em Manaus e trabalha no Hospital Beneficente Português do Amazonas e com quem me consulto periodicamente.

Surpreendeu-me, todavia, as palavras do porteiro do hotel, um homem negro simpático, bem-humorado e autoestima altíssimo.

Um dia antes de me internar, ele me chamou e disse: “Não tenha medo. O médico que vai lhe operar é um craque. Emenda veias até no escuro. O senhor só morre se tiver que morrer mesmo. Mas o senhor não vai morrer”.

Depois da alta médica, quando tive que me transferir para um hotel mais adequado ao meu estado de saúde, o porteiro gentil me falou enquanto colocava a nossa bagagem no táxi.

– Belo livro, hein! Li ele de um só vez. Só me tire uma dúvida: quem é o narrador?

Ele me viu meio atrapalhado e me liberou: “Vá com Deus. O senhor ainda vai viver muitos anos e escrever muitos livros …”

Essa é uma pergunta que não consigo responder aos leitores de O Andaluz.

Talvez seja um escape, para eu continuar contando histórias.

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1 comentário
  1. Venicio Conceição Souza Garcia Diz

    Livro maravilhoso de se ler…

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