“Pequenas conquistas perdidas”, novo livro de Dori Carvalho

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Remexer textos em descanso. Retomar a busca dos escritos feitos em tempos de outras guerras. Reuni-los e fazê-los obra do presente. Dori Carvalho entrega-se, desnudamente, neste Pequenas Conquistas Perdidas. Não há medo de Ser…

Trata de tudo: das alegrias, das decepções, das tristezas, dos amores, das raivas, dos devaneios, dos sonhos, das descobertas desmanteladoras das certezas, dele e das nossas.

Há conspiração do universo, talvez, na consumação do projeto de Pequenas Conquistas Perdidas acontecer exatamente neste 2020, quando a morte pandêmica do ano passado, incansável e vorazmente alimentada, se instala no Brasil de tantas Manaus asfixiadas e ostenta recorde contínuo.

A vida humana e não-humana é o fio condutor das crônicas selecionadas para a publicação. “O que faremos da nossa vida?”, quer saber o autor.

A leitura desta coletânea de crônicas é viagem em águas do rio Madeira, agitadas, reveladoras de encontros, desencontros e dos conflitos.

Ser pai é um deles; ter um cachorro em casa é outro; a agonia ao constatar o sumiço do animal que se fez de estimação desmancha o não construído e falsamente sedimentado. O registro dos telefonemas, não combinados, ganha importância nos relatos de Dori Carvalho ora por fazer latejar a notícia vinda de longe ora por agitar as batidas cardíacas diante do anúncio da chegada de amigos. Impossível decifrar a mensagem no próximo som da chamada telefônica.

Na defesa dos amigos atacados emerge um Dori generoso e guardião das amizades, empunhando a espada da palavra pública contra os detratores, gesto raro na sociedade de “empresários de si mesmo” (Byung-Chul Han).

São 160 páginas entrelaçando os desejos feitos preces – “quem sabe… o ser humano encontre novamente o sagrado” – e prece feita voto, hoje em voz coletiva, em meio a agonia da humanidade e dos brasileiros, em particular: “que este ano as estrelas ti iluminem”.

Nas muitas pequenas conquistas perdidas tem uma para cada pessoa. Parte delas não nos demos conta de que as perdemos. Dori Carvalho repõe na pauta da lembrança os detalhes das perdas e pede reação. Acordar os zumbis que habitam, silenciosos e acomodados, em nossos corações. Zumbis, acordem!


Lançamento virtual
Dia 22, sábado, às 10h
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