Ator e poeta Dori Carvalho lança, neste sábado, livro de crônicas

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O primeiro livro de crônicas do poeta e ator Dori Carvalho, Pequenas Conquistas Perdidas (Valer), será lançada neste sábado (22/5), às 10h, em live pelo facebbok da Editora Valer, com a participação do filólogo e escritor Odenildo Sena, da jornalista, escritora e professora da Faculdade de Comunicação (FIC/Ufam) Ivânia Vieira e da filósofa Neiza Teixeira.

A impressão da obra decorre de projeto aprovado na Lei Aldir Blanc, criada para incentivar iniciativas culturais no período da pandemia do novo coronovírus.

São 45 crônicas de algumas das dezenas que foram publicadas nos jornais de Manaus, a partir do ano 2000. Elas surgiram dos sentidos, olhares, escutas, acontecimentos e fatos vistos ou vividos pelo autor.

DAS COISAS DO AMOR 

(TRECHO)

[…] 

Dois estranhos que se encontram e a magia acontece – o desejo incendiado na noite, Dois seres estranhos que se encontram e a magia acontece – o desejo incendiando a noite. 

O coração batendo acelerado, o sangue quente, o encantamento, as mãos tremulas, a descoberta. 

Não tem mais saída. Nasce o império da paixão. 

Algum sentimento maior vai sair daí, deste encontro casual. Casual? Passam a noite inteira se entregando, corpo e alma se entrelaçado. Quem explica essa revolução, um terremoto que acontece em nossos corações. Ontem nem se conhecia e hoje não sabem mais viver sem o outro. 

O amor, esta coisa finda, finita derradeira. Quem faz a gente perder, se encontrar. Se sentir um Deus num dia e noutro um verme. 

[…]

As crônicas tratam desde questões humanitárias até temas literários e cinematográficos, com destaque para amor, para arte de viver, para as artes, para a amizade, paixão e liberdade.

“Por terem sido escolhidas por mim, é claro que gosto de todas, acho que são pílulas que podem aliviar as dores do(a)s leitor(a)es ou despertá-los para os valores fundamentais para uma vida plena e solidária, para as lutas e causas nobres. Mas têm umas que me tocam mais e me emocionam até hoje, como as crônicas Mãe é mãe e O menino, o cachorro e eu. E, claro, gosto muito, politicamente, da crônica que dá título ao livro: Pequenas conquistas perdidas”, assinala poeta.

Dori explica que os textos originais, em sua maioria, foram reelaborados para se adequar ao formato livro ou para melhor contextualizar os temas.

“A partir disso, foi escrever, cortar, jogar fora [trechos] e reescrever […] foram revisadas, repensadas, reescritas… muita coisa foi descartada ou fiz uma releitura”, explicou.

A jornalista Ivânia Vieira assim recepcionou as crônicas de Dori:

“São 160 páginas entrelaçando os desejos feitos preces – “quem sabe… o ser humano encontre novamente o sagrado” – e prece feita voto, hoje em voz coletiva, em meio à agonia da humanidade e dos brasileiros, em particular: “que este ano as estrelas ti iluminem”.

Em texto intitulado O maestro Dori Carvalho, publicado no Facebook, o filólogo e escritor Odenildo Sena destaca:

“Pode haver título mais apropriado para expressar suas inquietações e rebeldias? Pois é a partir desse mote que Dori rege essa sua bela sinfonia, composta por 45 crônicas, em agradáveis compassos que variam entre o ‘andante’ e o ‘andante moderato’, sem perder a necessária harmonia, coisa mesmo de um bom maestro. Ou de um bom cronista.”

ENTREVISTA 

Pingue-pongue 

O que o motivou a escrever um livro de crônicas?

São crônicas que foram publicadas em jornais locais e, como todos sabem, a crônica tem tempo de validade, circunstanciais, datas, porém, relendo-as, descobri que a essência, o pensamento, as lutas e as ideias, permaneciam atuais, aí, resolvi selecionar e reunir em livro.

A poesia corre o risco de “perder” um poeta para a crônica?

Eu acho mais “fácil” escrever crônica, muito mais trabalhoso é escrever um conto, um poema… mas, não, na poesia me sinto inteiro, estética e existencialmente.

A escrita sobre o cotidiano é mais desafiadora? Ela exige mais atenção do escritor, ou ambas se equivalem?

É mais dasafiadora nesse sentido, de estar atento e conseguir traduzir e transformar coisas miúdas e cotidianas em algo que inquieta ou alivia o leitor… com a poesia não há tempo determinado, há o compromisso com a forma e, no meu caso, com a vida, seus conflitos, a política e os caminhos humanos… a justiça, a liberdade…

Qual é a sua reflexão sobre o título do livro? Quais questões ele suscita de imediato?

Eu, sem cabotinismo, acho o título muito bonito, podia ser o título de um livro de poesia… ele traz uma certa melancolia, um tom de desilusão… mas, são, as crônicas todas, recheadas de sonhos, lutas, conquistas, perdas e descobertas; de esperança no ser humano.

PERFIL 

Dori Carvalho é ator, diretor de teatro, cronista e poeta. Como ator participou de vários espetáculos teatrais e no cinema.

É autor dos livros de poemas Desencontro das Águas, Paixão e fúria e Meu ovo esquerdo, publicados pela Valer.

Como diretor e professor, lecionou no Centro de Artes da Universidade Federal do Amazonas, onde encenou e realizou outros trabalhos.

Em televisão trabalhou na TV Cultura. Na área da literatura, tem publicado em jornais, dezenas de crônicas e artigos.

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