Emma e a estrela das águas, um portal para novos conhecimentos

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O livro Emma e a estrela das águas (Valer), da escritora Alessandra Karla Leite, inicia-se com a apresentação das crianças que realizarão uma peça de teatro na escola, em comemoração ao dia do meio ambiente, em 5 de junho.

Nesse momento conhecemos a Emma e percebemos seu jeito curioso e autêntico que vai nortear toda a história.

Os seres lendários da floresta também são convidados a participar da peça. São personagens conhecidos da cultura amazônica, cada um com sua excentricidade.

Todos mediados pelo conhecimento do indiozinho Amaru, que  é, também, participante desse mundo amazônico.

Então, Emma se depara com um portal e, através dele, entra no mundo lendário, deixando seus amigos apreensivos até que eles também atravessem o mesmo portal, iniciando, assim, suas aventuras no mundo da floresta, tudo em plena harmonia de conhecimentos científicos e saberes amazônicos, por meio de narrativa de fácil acesso às crianças, que devem se sentir satisfeitas com o aprendizado.

O final deixo para os leitores.

Emma e a estrela das águas me deixou entusiasmado com o poder da sua narrativa ficcional. O fascínio da personagem principal pelas estrelas me fez relacioná-la às teorias cientificas que relatam que somos poeiras das estrelas e sobre os universos paralelos.

A utilização das constelações do hemisfério sul durante toda a obra é uma fina introdução a esse conhecimento, assim como a utilização de palavras em línguas indígenas.

As crianças assim podem aprender de forma tranquila, sem as pressões cotidianas das matérias escolares.

Alessandra Karla Leite me lembra em sua amazonicidade a saudosa escritor Ana Peixoto, autora de As frutas do meu quintal (Valer), que nos deixou recentemente, vítima desta pandemia de Covid-19.

As duas autoras nos trazem uma aula sobre a Amazônia, com a utilização das palavras da terra e do imaginário local, afirmando uma identidade regional.

Ela ajuda a construir essa corrente de autores que escrevem para que as crianças se interessem pelos saberes regionais.

A obra, carregada de simbolismos, nos convida a inúmeras reflexões. Uma delas é a necessidade de conhecermos o mundo das ideias, das lendas e dos universos paralelos; e nos apaixonarmos pela sua beleza e retornar ao mundo real, não deixando que as ideias se apoderem de nós, mas que nos apoderemos delas para lidar com a realidade.

Recomendo a leitura desse livro para as crianças que, de forma amorosa, serão introduzidas a conhecimentos mais profundos.

Alessandra Leite é jornalista graduada pelo Centro Universitário Nilton Lins e possui Especialização em Comunicação, Arte e Cultura pela Pontifícia Universidade Católica do Paraná.

Também autora do livro O Leão e a Libélula (Valer)

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