O abraço em tempos de guerra tecnológica

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Houve um tempo que tudo que conhecemos hoje estava por ser descoberto.

Nessa época, pouco ou nada se falava sobre relações interpessoais. Éramos seres de experimentação e as regras não haviam sido estabelecidas.

Nesse tempo, por falta de conhecimento, cuidados e saneamento, morríamos cedo e a morte era considerada natural e inevitável.

Os tempos mudaram e hoje temos acesso a tecnologias que eram impensadas e a vida pode ser mais agradável e previsível.

A qualidade de vida melhorou muito e a definição das profissões, tornou possível fazermos intervenções que permitem restauração e cura de doenças virais e bacterianas de qualquer origem.

Entre todas as profissões, a Psicologia se destaca por estudar a personalidade, a mente e os mecanismos de seu funcionamento.

Com o estudo dos teóricos da área da Psicologia descobrimos que as crianças privadas do amor materno sofrem mais de doenças e tem a propensão de morrerem do chamado “abandono/solidão”.

Assim, as mães e familiares foram instados a intensificar suas interações com as crianças e fazer com que elas aprendessem a ser afetivas umas com as outras, sempre que possível, com educação e tato.

Nesses momentos particulares, as famílias transmitem regras sociais e de comunicação que servirão de norteadores para a vida futura.

Hoje, apresentamos comportamentos que são observáveis no mundo todo, e que nos espantam pela sua similaridade. Entre eles, o abraço representante do afeto e do cumprimento entre pessoas, quer estas tenham conhecimento anterior ou não.

Muitas vezes, o aconchego de um abraço é usado quando se pretende acalmar alguém. É uma prática universal.

Hoje, em virtude da pandemia de Covid19, este comportamento encontra-se tremendamente restringido em nome da segurança.

Séculos de evolução destas atitudes estão proibidas, esquecidas ou sem uso. Há um novo modo de agir, existem medidas de prevenção contra a transmissão do vírus.

Adultos e crianças devem ficar em casa, aulas são suspensas, festas nem pensar, shopping proibido. Há um clima de insegurança que nos cerca e nos afasta, mas, que nos faz acreditar em um futuro melhor.

Como demonstrar carinho se não podemos, por precaução, nos aproximar, nos encontrar, confraternizar ou abraçar….

As medidas de segurança são a mais palpável forma de amor, aquele que as segue está oferecendo seu esforço pela saúde de todos que com ele convivem.

O sentimento tomou a forma de um abraço não dado, de um aconchego à distância e as palavras são os instrumentos de expressão do que se sente.

Nada, entretanto, nos fará esquecer das possibilidades de estar próximo e os abraços, que fazem parte do nosso arcabouço genético, estão em suspenso, mas, tão importante quanto a introdução do método da “mamãe canguru”, não estão banidos, pois salvam vidas no mundo todo.

Somos seres de afetos, assim, os abraços nos definem como humanos e, mais, como seres sociais e gregários. Por segurança, estamos distantes, mas isto não nos define.

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