Novo livro de Marcílio Freitas defende a Amazônia em poesia e prosa

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Já está circulando nas livrarias virtuais o novo livro do professor do Departamento de Física da Universidade Federal do Amazonas (Ufam) Marcílio Freitas sobre a Amazônia.

Amazônia nosso amor: a Amazônia está morrendo. Quem a salva? (EditoraTrevo) é um apelo à sociedade aos jovens brasileiros em defesa da Amazônia e seus povos, sem os quais o Brasil não tem futuro.

A obra destaca-se, em relação a outros títulos do autor, por sua abordagem intersubjetiva na apresentação de temas complexos, geralmente mostrados em forma analítica e especializada.

São doze textos que se misturam em poema e prosa, um recurso utilizado pelo autor para fazer jus à sua proposta de comunicação da Amazônia complexa e profunda, tecida por meio de várias vozes e linguagens.

Em Amazônia nosso amor ele faz uma prospecção das intervenções internacionalistas na Amazônia. Refere-se, também, ao esclarecimento da importância da região e da sustentabilidade para a humanidade.

Marcílio aproxima-se do leitor por meio de um diálogo livre das amarras da cientificidade, sem fugir do rigor científico que exige a abordagem complexa que ele se propõe a expor.

“[…] tive vários sonhos. Viajei com a Amazônia ao mundo das alegrias e das artes inventadas pelos Deuses dos universos. Nestes sonhos surpreendentes, compartilhei minhas crenças com todos os habitantes da Amazônia, humanos, animais, vegetais e minerais. Enquanto me movia nas linhas do tempo e da esperança, entrei em contato com todos os seus ancestrais e, também, com as suas futuras gerações ouvindo atentamente os seus pensamentos, desejos e preocupações.”

De cara o autor já anuncia que o saber que ele oferece ao leitor é de uma sabedoria compartilhada de “dentro pra fora”, um saber ecossistêmico que é  vivido pelos povos da Amazônia, incompatível com o conhecimento que a fragmenta e a sufoca – e a sufocará até a morte, caso não se reconheça a necessidade de uma conversa que respeite essas diferenças

Não haverá salvação para a Amazônia, entidade como espaço de compartilhamento entre seres vivos e não vivos, sem um diálogo franco e aberto entre os conhecimentos desses povos e a Ciência e a tecnologia.

[…] Marcílio rompe com conceitos clássicos e propõe novos sentidos à inserção humana no mundo amazônico. Apresenta os problemas que a Amazônia põe ao mundo, e vice-versa, no contexto de sua natureza e cultura; ecologia e desenvolvimento sustentável; complexidade e diversidade; dos seus processos coloniais e dos grandes projetos econômicos internacionais na região”, sustenta a sinopse da obra.

Como se estivesse sentando ao redor de um fogão de lenha, no amanhecer de um novo dia, Marcílio, assim como vários povos tradicionais da Amazônia, também compartilha a sua experiência onírica:

Compreendi como os artistas pintam suas florestas e pássaros, os cantores cantam suas belezas e diversidades, os atores representam seus dramas e culturas, os cientistas desvendam os seus encantos e os espíritos da floresta a protegem da arrogância capitalista. Conversei muito com suas faunas e floras, e rimos bastante sobre as suas resiliências e sustentabilidades em um mundo marcado pelo desenvolvimento predatório e a destruição ecológica ameaçando o futuro da humanidade.

Percorri seus dois mil rios, conversei com cada indígena que compõe seus 163 povos originários, dialoguei com cada uma de suas 400 bilhões de árvores e brinquei bastante com os seus peixes e animais. Em meus sonhos, conheci a opressão colonial sobre seus povos, sua destruição cultural e ecológica provocada por grandes projetos econômicos, e sua resiliência e importância para a humanidade.

Convivi com as dores e sofrimentos de seus povos devido à covid-19. Fiquei muito impressionado com tanta complexidade e beleza, mas também preocupado com a destruição deste tesouro do povo brasileiro. Depois desses sonhos radiantes, acordei com a Amazônia transformada em patrimônio mundial da humanidade. Estou muito feliz e confiante em nosso futuro. Seu desenvolvimento sustentável está garantido. O rio Amazonas continuará regendo vidas e sonhos por um mundo melhor para todos nós. Maravilhado com as formas e conteúdos da Amazônia, eu fiz este breve conjunto de poemas em sua homenagem. Boa leitura, a Amazônia é de todos nós.

Recepção

Marcelo Brito da Silva

No início de 1999 entro para cursar física na Universidade do Amazonas (UA), hoje UFAM, e tive a satisfação de ter o prof. Marcílio como professor de Física 1. Mas como uma espécie de atitude revolucionária, como que tendo em vista uma educação integral, de formar cidadão, em que a educação ajude transformar sua própria realidade e do meio em que vive, ousava, o prof. Marcílio, abordar temas em suas aulas para além da cinemática e/ou dinâmica.

E já nos brindava naquela época com temas associados à economia de carbono e Amazônia.

Em 2013 fui levado pelas “pororocas” da vida a ter que trabalhar como professor do departamento de física, e novamente pude conviver com o prof. Marcílio, e perceber mais de perto qual era o forno que forjava este aguerrido defensor da Amazônia.

De testemunha ocular da incompreensão de alguns de seus pares, e hoje, após ler esta obra Amazônia Nosso Amor, percebo mais um exemplo da beleza da vida brotando da lama como a flor de lotus.

Parabéns ao autor pela obra!

Talvez para alguns soe descontextualizada, mas para mim que vivo na Amazônia, e desejo o melhor para ela e seus povos vejo que a ganância do capitalismo predatório é sua principal ameaça.

E como somos frutos desta cultura consumista precisamos de toda ajuda possível para fugir do “canto da sereia”.

O amor gerado por uma vida dedicada em defesa da Amazônia, creio ter se transformado neste “regalo” que tenta nos acordar da ilusão de mundo moderno e próspero.

Um livro que nos provoca a buscar bom senso em prol do bem comum.

Perfil

Professor do Departamento de Física da Universidade Federal do Amazonas (ufam) desde 1978.

Publicações recentes: Who Will Save Amazonia? World Heritage or Full Destruction (Nova Science Publishers, NY, 2021); The Future of Amazonia in Brazil; a Worldwide Tragedy (Peter Lang Publishing, NY, 2020); A sustentabilidade como paradigma (Vozes, Petrópolis, 2016).

Marcílio ocupa a cadeira n 5, Alexander Von Humboldt, do Instituto Geográfico e Histórico do Amazonas (IGHA).

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