Arte parintinense se aperfeiçoa com irmão Miguel de Pascale

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A maioria dos [ primeiros] artistas de Parintins deve a sua formação profissional à Igreja Católica, por intermédio do irmão Miguel de Pascale, nascido na cidade de Leca (Itália).

O artista de formação religiosa e acadêmica chegou a Parintins em 1976, para fazer os afrescos das Catedral de Nossa Senhora do Carmo.

Encantou-se coma cidade e nela se radicalizou. Ele morreu em 3 setembro de 2010, na sua cidade natal.

Por meio dos seus ensinamentos teóricos e práticos, Pascale formou, juntamente com Jair Mendes [introdutor ;das alegorias no festival], a geração de artistas plásticos e escultores parintinenses que transformou a brincadeira do Boi-Bumbá de Parintins em espetáculo de reconhecida beleza plástica.

Pascale estudou em escolas de belas artes de Roma com renomados artistas italianos contemporâneo.

Outro religioso, o jesuíta João Daniel (1722-1776) já havia registrado, quatro séculos antes, a habilidade dos indígenas amazônicos para as artes: “[…] procede haver entre eles adequado imaginários, insignes pintores, escultores, ferreiros e oficiais de todos os ofícios (Daniel, 2004, p. 341).

João Daniel informa que a imaginação e a habilidade dos indígenas são tão magníficas que lhes mostrar o original e qual [igual] a cópia.

E acentua: “No colégio dos padres da Companhia de Jesus, em Belém do Pará, estão uns dois grandes anjos por tocheiros com tal perfeição, que servem de admiração aos europeus (Daniel, 2004, p. 342)”.

Impressiona o religioso o fato de os artistas indígenas executarem suas habilidades sem saber ler os livros, e por isso vaticina:

“E se souberem ler os livros, e neles as regras de qualquer arte, talvez levariam palma os mais famigerados mestres do mundo” (Daniel, 2004, p. 342),

Há mais de dez anos, os artistas parintinenses trabalham, também, nas escolas de samba do Rio de Janeiro e São Paulo.

Eles deram movimentos as alegorias carnavalescas, nos desfiles, por meio de técnica desenvolvida no Boi-Bumbá de Parintins.

“Aprendi artes plásticas com o irmão Miguel. Sou um dos primeiros alunos da escola dele. Aprendi, também, com o Jair Mendes, mas devo o meu aperfeiçoamento ao irmão Miguel”, explica-me o artista plástico Juarez Lima.

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Wilson Nogueira, em Boi-bumbá: imaginário e espetáculo na Amazônia (Valer, 2014)

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