Uma noção sobre o espaço da arte na visão de Katia Canton

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Os termos espaço e lugar têm o mesmo significado?

Na verdade, cada um deles designação singular com as circunstâncias e os objetos, segundo o pensamento de Anthony Giddens.

Para esse sociólogo britânico, a palavra espaço é utilizada genericamente, enquanto lugar se refere a uma noção específica do espaço: trata-se de um espaço particular, familiar, responsável pela construção de nossas raízes e nossas referências no mundo.

Nosso objetivo aqui é discutir o espaço territorializado da arte, isto é, seu lugar físico e simbólico.

Uma das características que definem a existência da arte é o fato de ela ocupar um espaço institucionalizado do museu ou da galeria, para citar os exemplos mais conhecidos de instituições artísticas.

Historicamente, o museu sofreu modificações ao longo do tempo, de acordo com as mudanças na sociedade e também nas definições de arte.

No texto O espaço da arte contemporânea, o crítico e curador Fernando Cocchiarale explica:

[…]A arquitetura de áreas expositivas vem se adequando aos novos conceitos e repertórios que alteraram e seguem alterando o rumo da produção artística e das teorias de arte desde o século XVIII.

Dos ateliês e museus influenciados pelo Iluminismo, nos quais os quadros recobriam, de alto a baixo, qual uma coleção de insetos ou de mineralogia, as paredes dessas recém-criadas áreas expositivas; passando pelo cubo branco modernista, cuja neutralidade podia acolher, sem quaisquer interferências, a pureza formal das obras de arte; até a apropriação recente de espaços concebidos e projetados originalmente para atividades com funções estranhas à arte, temos, sempre, o entrelaçamento entre as questões e as necessidades da produção artística e as características espaciais da arquitetura nas quais é exibida […]

As primeiras coleções de arte eram privadas e pertenciam a pessoas poderosas e de grande poder aquisitivo.

Já a primeira coleção publica, o primeiro museu do Ocidente, é o Museu do Louvre, inaugurado em Paris em 1793.

Em ambos os casos, as paredes eram repletas obras.

Diferentemente dessas coleções de arte, a arte moderna que começa a tomar corpo no século XIX, demanda um novo tipo de distribuição das obras no espaço, com menos acúmulo, mais respiro entre elas e uma permanência das formas retas e das cores brancas.

Baseado no conceito de autonomia da arte, os espaços museológicos consagrados à exibição da arte moderna são chamados de cubos brancos.

Em 1929, é inaugurado, em Nova York, o primeiro museu de arte moderna, o MoMA, com uma arquitetura modernista que privilegia a ideia de uma neutralidade para abrigar uma arte que deve falar poro si mesma.

Katia Canton, em Espaço e Lugar (Martins Fontes, 2009. Col. Temas da arte contemporânea)

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