Pesquisadora sugere mais livros de autores amazonenses nas escolas

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A pesquisadora de Literatura Infantojuvenil e professora de Literatura da Universidade do Estado do Amazonas (UEA) Delma Sicsú destacou, em entrevista a este amazONamazonia, que os gestores públicos, principalmente os das secretarias de educação, deveriam dar mais atenção à circulação da literatura infantojuvenil amazonense nas escolas.

Professora da disciplina Literatura Infantojuvenil desde 2005, ela disse que só veio tomar conhecimento da produção dos autores amazonense em 2011, por meio da coleção As aventuras de Zezé (Valer), de Elson Farias, encontrada na biblioteca da UEA.

“A literatura infatojuvenil, quando bem elaborada, contempla todos os elementos da literatura feita para adultos”, explica Delma.

E o mais importante da produção dos autores amazonenses é o fato de ela trazer suas narrativas para o contexto regional, com cenas, cenários, personagens e enredos, com os quais o leitor(a)es se identificam mais facilmente.

Os gestores da educação deveriam ainda, segundo a pesquisadora, realizar projetos de    política pública para a formação de professores com olhar para os livros de autores regionais como aporte didático e pedagógico.

Sem professores formados com esse novo olhar não há política de incentivo à leitura de autores locais ou regionais que dê certo. “Se não há formação nem livro dos nossos autores nas bibliotecas, a contextualização dos temas literários nas salas de aula não existe”, disse Delma.

Ela observa que tem notado a contribuição do positiva dos novos professores de Língua Portuguesas que têm contato, em sua formação, com a literatura infantojuvenil amazonense.

“Hoje, parte dos professores procura títulos da literatura amazonense para trabalhar em sala de aula”, afirmou.

Delma Sicsú esclarece que uso dos livros de contexto regional ou local não exclui os clássicos do gênero nem os mais conhecidos. Na avaliação dela, eles se colocam em diálogo e permitem que aluno (a) desenvolva a sua leitura com foco na pluralidade de visões de mundo.

Delma Sicsú em foto/selfie com seus alunos em atividade literária

Para ela, é importante enfatizar, por experiência em sala de aula, que os alunos se sentem estimulados a praticar a leitura quando, também, se vêm no texto, por intermédio de termos, situações, temas ou cenários nos quais se reconhecem ou se sentem representados.

“Eles gostam de livros que falam sobre a região em que vivem”, acentuou.

Como vivem a realidade regional ou local, ele(a)s também são críticos dos autores que não prezam pelos elementos básicos de um bom texto literário, seja ele ficção ou não. “Não há coerência, por exemplo, na afirmação de que os animais domésticos servem de alimentação, sem excluir o cão e o gato que, na nossa cultura não são comestíveis”, explica a professora.

Além de pesquisadora, Delma Sicsú estimula a circulação dos livros dos autores amazonenses nas salas de aula. E suas ações têm dado certo.

“Comecei um projeto de leitura na escola Santa Luzia do Macurani com os alunos do Ensino Fundamental 1 e como ele foi bem sucedido, fui convidada a estendê-lo para o Fundamental 2”, informou.

Santaluzia do macurani, circulação da literatura infantil nas escolas, a gestora ensino fundamental 1 e 2.

Ela também realiza um projeto de extensão no âmbito da UEA, com foco em leituras compartilhadas. Essa atividade está sendo desenvolvida na escola estadual Irmã Sá, com o(a)s aluno(a)s do Ensino Fundamental 2.

“Carrego uma mala cheia de livros, os quais são colocados à disposição dos alunos. Convido-os a fazer uma viagem literária e, depois, peço que eles compartilhem suas experiências. O resultado é sempre formidável”, revela a professora.

Perfil

Delma Pacheco Sicsú é doutoranda em Literatura e Práticas Sociais pela Universidade de Brasília (UNB), com pesquisa sobre literatura de autores indígenas amazonenses.

No Programa de Pós-Graduação em Letras e Artes (PPGLA/UEA), tornou-se mestra com a dissertação O imaginário em narrativas da literatura infantojuvenil amazonense.

Possui graduação em Letras pela Universidade Federal do Amazonas (Ufam) e em Comunicação Social/Jornalismo também pela Ufam

Atualmente é professora da Universidade do Estado do Amazonas (UEA), no curso de Letras, e da rede estadual de ensino.

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