Ugarte anuncia trilogia em português das versões da descoberta do rio Amazonas

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O historiador e pesquisador Auxiliomar Silva Ugarte anunciou aos leitores, durante o lançamento da tradução do espanhol para o português de uma das versões do testemunho de frei Gaspar de Carvajal sobre o descobrimento do hoje rio Amazonas, que vai traduzir as outras duas versões consideradas importantes e necessárias para a compreensão desse acontecimento da história universal.

Carvajal relata a expedição do capitão Francisco Orellana pelo rio Marañón/Amazonas, entre dezembro de 1541 e setembro de 1542, depois de desvincular-se, por motivos até hoje não totalmente esclarecidos, da expedição original comandada pelo explorador Gonçalo Pizarro.

A tradução entregue ontem (13/8) aos leitores, no começo da noite, em sessão de autógrafos realizada na Banca do Largo (Centro), refere-se à versão veiculada na obra a Historia general y natural de las Indias, Islas y tierra firme del Mar Oceano, de Gonzalo Fernández de Oviedo y Valdés, que chegou a ser publicada parcialmente na Itália, em 1555, mas só editada integralmente na década de 1850, na Espanha.

Essa versão achava-se traduzida para o português, parcialmente, pelo etno-historiador Antonio Porro, na coleção As crônicas do rio Amazonas (Vozes, 1993), intitulada Relação do descobrimento do rio Amazonas, de Gaspar de Carvajal, na versão de Oviedo e Valdés.

Além de traduzi-la, inteiramente, Ugarte acrescentou à obra um rigoroso estudo de documentos escritos, mapas e iconografias, e da trajetória semântica de palavras em espanhol, português e das línguas indígenas da época.

O resultado desse trabalho, que durou quatro anos, é o Relação do famosíssimo e muito poderoso rio chamado Marañón (Valer), acompanhado de estudo introdutório e notas do tradutor, e com projeto gráfico e editorial adequado às exigências das novas gerações de leitores.

A obra revela o esforço e a competência do tradutor para entregar aos leitores uma obra contextualizada nas motivações e interesses que estão nas diversas camadas da história da Amazônia, a parir da sua “certidão de nascimento”, como definiu o escritor e poeta Zemaria Pinto no ensaio Relação de Carvajal: a história na confluência do mito, que integra a abertura da obra.

Outras versões

Ugarte explicou que as três versões do testemunho são igualmente importantes para a história e para a historiografia contemporânea, porque, juntas, podem suscitar novas pesquisas e esclarecer fatos e acontecimentos determinantes para a descoberta e ocupação da chamada Nova Andaluzia e, particularmente, da hoje Amazônia brasileira.

Há uma versão de Juan Castelhanos, publicado em 1591, baseado na escuta dos relatos de Francisco Orellana e seus companheiros, quando esses chegaram à ilha caribenha de Cubágua, em 1542, depois de percorrerem o grande rio.

Na ilha de Espanhola, quem os ouve é Oviedo Y Valdés que, na época, era comandante da fortaleza de Santo Domingo; ele também teve acesso a um relato escrito assinado por Carvajal.

A hipótese corrente para a existência das três versões é a de que o próprio Carvajal reescreveu o que ele já havia produzido. E foi essa versão que chegou a Oviedo Y Valdés e seguiu, possivelmente, com Orellana para a Espanha, a qual lhe serviu para pleitear recursos e primazia no Conselho das Índias para conquistar o território que ele havia descoberto.

A terceira é também uma cópia dessa enviada à Espanha, mas que apresenta elementos diferentes.

“Os especialistas que lidaram com [tais] edições não têm respostas definitivas para a existência dessas três versões do mesmo testemunho. Só é possível dizer que elas são filiações a partir do mesmo testemunho”, afirma o historiador e tradutor.

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