Radiófilos na Paris dos Trópicos

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Nos pavilhões da Exposição do Centenário da Independência – construídos entre a avenida Rio Branco e a Praça XV, no Rio de Janeiro -, o Amazonas se fazia presente através dos seus produtos naturais, como fibra de juta (utilizada na produção de sacaria), castanha, guaraná, essências naturais aromáticas e madeiras nobres em todas, um verdadeiro show room ávido por novos investidores.

De quebra, o cineasta Silvino Santos exibia o seu documentário em longa metragem No Paiz das Amazonas, produzido pelo poderoso comerciante J.G. Araújo, que objetivava fazer propaganda de sua firma de comércio de borracha no Distrito Federal.

Enquanto a manobra política-empresarial naufragava, a aventura cinematográfica do cineasta virava sucesso de publico e crítica.

Silvino Santos, com elegante roupa de explorador, chapéu com aplique de couro de onça, fiscalizava pessoalmente a exibição do filme.

Na porta do cinema alguns amigos boêmios, fantasiados de índios, distribuíam folhetos ilustrados e os espectadores encantavam-se com a decoração exótica que procurava lembrar o Amazonas por seus produtos naturais.

O destaque dado pelos jornais em circulação no Amazonas, nesse período, foi maciço. Além de evidenciar a participação marcante do cineasta no evento, as notícias divulgadas pelos jornais como A Gazeta da tarde davam conta das experiências realizadas no campo da radiodifusão sonora. –

O próprio Silvino Santos, perplexo com o que presenciou, produziriam um documentário em longa metragem mostrando a grandiosidade dos festejos realizados no Rio de Janeiro, naquele centenário, intitulado Terra Encantada, um dos poucos registros visuais existentes da transmissão oficial pioneira de rádio no Brasil.

Daí por diante o perfil de modernidade da Paris dos Trópicos passaria a contemplar um novo ingrediente, a inovação tecnológica cujo fascínio exercido assemelhava-se ao do cinema, por sua vez uma forma de entretenimento que fazia parte do cotidiano do amazonense desde o início do século.

Tanto os cinéfilos, num primeiro momento, como aqueles que não tinha acesso as salas de projeção aristocráticas, logo em seguida, passaram a esboçar o perfil, ainda que embrionário, de radiófilos.

Esse fenômeno social, envolvido pelo manto da modernidade e da contidianidade da vida nas ruas, canalizava-se em função do avanço técnico que, na época, melhor se identificava com a metropolização vertiginosa que Manaós havia experimentado por duas décadas consecutivas, nos tempos do fausto da borracha.

Parte indissolúvel do processo de modernização de centros econômicos-industriais brasileiros dos anos de 1920, como Rio de Janeiro e São Paulo, o rádio passava a ser o prisma por onde tais demandas seriam drenadas.

Se a cidade se transformava, absorvendo o impulso vindo da expansão da sua economia conectada com o mundo ocidental capitalista, o rádio tendia a seguir o mesmo caminho.

Luiz Eugênio Nogueira , em O rádio no País da Amazonas (     +2020), em O rádio no país das Amazonas (Valer, 1999)

 

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