Professora da UEA publica livro sobre ritual de passagem do povo Sateré-Maué

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O livro Ritual de passagem das terras indígenas às áreas urbanas dos Sateré-Mawé, escrito pela professora da Universidade do Estado do Amazonas (UEA) Joelma Monteiro está à disposição em formato virtual e físico.

Seus escritos narram a sua experiência de docência com alunos indígenas do Baixo Amazonas.

O livro virtual pode ser baixado aqui, gratuitamente, e o físico será repassado às comunidades onde a professora desenvolveu as suas pesquisas e reflexões ou nas bibliotecas da UEA.

A entrega simbólica das publicações aconteceu nesta terça-feira (21), na Reitoria da UEA. No ato, a autora passou às mãos do representante do povo, Russian Sateré, um dos exemplares que, posteriormente, serão entregues a cada uma das cinco comunidades participantes.

Essa devolutiva é primordial para a valorização dos povos, uma vez que, segundo Joelma, muitos indígenas se queixam por não terem acesso às publicações, já que são comuns pesquisadores não terem a preocupação em mostrar os resultados dos estudos às comunidades envolvidas, nem orientá-los como acessar os materiais.

“O protagonismo é dos povos indígenas. A UEA possibilitou, por meio do empenho do reitor Cleinaldo Costa e da Editora da Universidade, a impressão das obras para envio às comunidades. Assim, a ancestralidade dos amazônidas será reforçada”, comenta Joelma Monteiro.

Tucandeira

A professora iniciou a atuação em campo junto ao povo Sateré-Mawé em 1998. Desde então, dedica-se à disseminação dos conhecimentos, cultura e história do povo.

Como forma de continuar a propagação desses saberes, se empenhou para publicar a obra que carrega concepções e descrições dos Sateré-Mawé quanto ao Ritual da Tucandeira, que antecede a transição dos membros das aldeias para as áreas urbanas.

Criado a partir da intenção de aproximar a academia à população indígena, no livro é explanado como os rituais ocorrem, como a história do povo Sateré-Mawé é vista e como preservar a cultura anciã.

A partir do compartilhamento dos relatos, o conteúdo experimental passa a ser científico, por se tratar de um conhecimento.

“Ciência não se resume a saberes eruditos, mas englobam também, saberes populares. E vindo da fala dos indígenas, carrega fenômenos culturais e históricos”, frisou a autora.

Na introdução da obra, ela pontuou:

“Enquanto os saberes afro-brasileiros e ameríndios não forem exercidos dentro da universidade, esta será apenas uma fábrica de seres tecnológicos em busca do bem-estar individual, sem compromisso com seu pleno e saudável desenvolvimento planetário”.


Fonte: UAE/Ascom

Texto: amazonamazonia/com Guilherme Oliveira

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