Indígenas comemoram lei que reconhece escolas indígenas municipais

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A escola municipal Kanata T-ykua, localizada na comunidade Três Unidas, na margem do rio Cueiras (afluente do rio Negro), está entre as quatro unidades os 22 Espaços de Estudos da Língua Materna de Conhecimentos Tradicionais de Manaus que acabam de ser reconhecidos, legalmente, como escolas municipais indígenas.

Essas escolas e espaços são administrados pela Secretaria Municipal de Educação (Semed) e acolhem, juntos, 597 alunos.

A lei nº Lei nº 2.781/202, sancionada pelo prefeito David Almeida, na semana passada, ampara as escolas indígenas para trataram de temas mais delicados para a uma pedagogia comum, como crenças, costumes e línguas.

“Com a lei aprovada, vamos manter a nossa língua, resgatar nossas danças e costumes, fazer aquilo que é melhor e que estava faltando. Quero agradecer a oportunidade, principalmente, ao prefeito David [Almeida], que teve essa visão junto com o secretário Pauderney [Avelino], de aprovar essa vontade dos povos indígenas e colocar a lei para amparar todos os nossos direitos, de tudo aquilo que pensávamos há muito tempo”, agradeceu o tuxaua da comunidade, Waldemar da Silva, da etnia tikuna.

Para o gestor da escola, Raimundo Cruz da Silva, “essa lei veio respeitar, valorizar o nosso trabalho e fazer com que as unidades de ensino indígenas sejam reconhecidas com o seu modo de fazer e de se organizar pedagogicamente”.

Ele disse ainda que “de hoje em diante as escolas indígenas serão escolas de verdade”.

Três Unidos possui 32 famílias, que somam 112 pessoas, entre crianças, jovens e adultos, da etnia kambeba. Vinte e uma pessoas estudam na escola, na educação infantil e do 1º ao 5º ano do ensino fundamental.

Os netos e bisnetos da indígena Diamantina da Cruz estudam na escola, e ela disse que está muito feliz com essa iniciativa da prefeitura.

“Achei muito importante e não é de hoje que lutamos pela nossa escola indígena, por isso estou muito feliz com essa lei, que ampara esses esforços. Sou grata ao prefeito David [Almeida], que olhou por nós e nossas crianças”, assinalou.

Histórico

As unidades de ensino localizadas nos rios Negro e Cueiras e os espaços de estudos foram instituídas pelo Decreto n° 1.394, de 29 de novembro de 2011.

De acordo com Giovanna de Oliveira, responsável pela Gerência de Educação Escolar Indígena (GEEI) da Semed, desde 2014 a categoria lutava pela assinatura da lei.

“Precisávamos de uma lei para fortalecer as políticas públicas para a educação escolar indígena em Manaus, e o prefeito David e o secretário Pauderney tiveram essa sensibilidade. Hoje estamos com essa lei assinada, um avanço, um grande ganho para os povos indígenas e comunidades indígenas que a Semed atende, por meio da GEEI”, disse Giovanna.

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