Músicos e amantes da música se despediram de Sebastião Tapajós

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O corpo do violonista Sebastião Tapajós foi sepultado no final da manhã desta segunda-feira (4/10), no cemitério Recanto do Amanhã, em Santarém (PA), cidade que artista, nascido em Alenquer (PA), escolheu para morar, desde a juventude.

Tapajós morreu no começo da noite de sábado, no hospital da Unimed de Santarém, vítima de infarto agudo no miocárdio.

Familiares, artistas, amigos e fãs se despediram do músico, fato que teve ampla repercussão nas mídias do Brasil e do exterior. Tapajós era conhecido também na Europa, principalmente na Alemanha e França, onde fez turnês e gravou músicas.

Perfil

Sebastião Tapajós começou a estudar violão ainda criança, tendo seu pai como professor.

Em 1964, partiu para Portugal, após ganhar uma bolsa de estudos no Conservatório Nacional de Música de Lisboa, e, depois, para a Espanha, após convite para estudar no Instituto de Cultura Hispânica de Madri.

Retornando ao Brasil, foi nomeado professor de violão do Conservatório Carlos Gomes, em Belém, onde lecionou até 1967. No mesmo ano, mudou-se para o Rio de Janeiro (RJ), onde gravou seus primeiros álbuns solos.

A partir daí, deslanchou sua carreira internacional, ganhando destaque, principalmente, junto ao público europeu, mas também em outros continentes. Em 1998, seu nome artístico “Tapajós” foi agregado ao seu nome oficialmente, com registro cartorial.

Homenagens

A Prefeitura de Santarém decretou luto oficial por três dias em todas as suas repartições.

O corpo foi levando em carro do Corpo de Bombeiros do local do velório, a Casa da Cultura, até o cemitério, onde um grupo de parentes e amilhes lhe prestou a última homenagem.

A Universidade Federal do Oeste do Pará (Ufopa), pela qual o artista foi titulado Doutor Honoris Causa, emitiu nota de profundo pesar pelo falecimento de Tapajós.

Nota de pesar

O Magnífico Reitor da Universidade Federal do Oeste do Pará (Ufopa), Hugo Alex Carneiro Diniz, em nome da Comunidade Acadêmica da Ufopa, expressa o seu mais profundo pesar pela morte do seu Doutor Honoris Causa SEBASTIÃO TAPAJÓS, ocorrida na noite deste sábado, 2 de outubro, na cidade de Santarém, PA. Sua trajetória artística e cultural foi e continuará sendo um farol para os produtores de cultura da sociedade amazônica e mundial. Sebastião foi agraciado com o título de Doutor Honoris Causa pelo Conselho Superior da Ufopa em 2013, um justo reconhecimento por tudo o que representa como artista e ser humano. A Gestão Superior da Ufopa considera irreparável esta perda, expõe a sua consternação e solidariedade para com a família e os amigos e decreta luto oficial de três dias. Santarém, PA, 3 de outubro de 2021. HUGO ALEX CARNEIRO DINIZ Reitor da Universidade Federal do Oeste do Pará (Ufopa)

O mesmo gesto foi adotado pela Instituto Sebastião Tapajós, criado por ele para incentivar a arte e a cultura de Santarém e da Amazônia. 

Nota de pesar 2

O mestre guitarrista Sebastião Tapajós, batizado de Sebastião Pena Marcião, literalmente fez seu nome depois de adotar o nome de seu amado rio. Renomado tanto pela técnica fenomenal quanto pela erudição, Tapajós criou uma vertente do violão brasileiro que combina o clássico e o popular com o folclore regional da Amazônia. Suas numerosas composições, produto de uma carreira que dura mais de 60 anos, são regravadas incessantemente em todo o mundo. Seus 90 álbuns, incluindo composições próprias e interpretação de clássicos, permanecem em demanda internacional, vendidos em seus formatos originais e em compilações encontradas na Internet. A projeção global de Sebastião Tapajós chamou a atenção para a cultura brasileira, a região amazônica e particularmente para o estado do Pará, ao qual ele dedica especial deferência. Seu nome é uma homenagem ao rio e à terra de onde ele saiu para obter aclamação mundial, e o lugar para onde ele voltou e vive até hoje: o Rio Tapajós.

Instituto Sebastião Tapajós

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