“É preciso amar as pessoas como se não houvesse amanhã”

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“Amai-vos uns aos outros como eu vos amei!”. Quem disse isso foi Jesus e com estas palavras fundou nova religião, suavizando o “olho por olho”, o “dente por dente” da lei do talião e a máxima do “Deus Vingador”. Não resta dúvida que as maldades do mundo nos fazem esquecer boas lições de Cristo e Renato Russo, a quem aproveitamos para homenagear, vem relembrá-las, de outra forma, suave e bela: “É preciso amar as pessoas como se não houvesse amanhã”.

Para os que admiram Jesus e gostam de Renato Russo, uma coisa e outra nos revigoram; aos incrédulos e mercadores de maldades, o Deus, na forma de Jesus ou na poesia de Renato Russo, não é blasfêmia, nem comparação fortuita, pois a religião cristã tem como dogma que “nós”, humanos, somos o “Templo do Espírito Santo”, portanto Ele é o Dom; não quer estar acima de  ninguém; Ele “está no meio de nós”! O Deus “supremacista”, como lema, pode ser enganador na boca de populistas, uma espécie de bypass para o autoritarismo, quando não, para a sua feição mais apurada. Nas religiões, ninguém chega a Deus passando por cima dos irmãos, vilipendiando-os; negando-lhes o justo salário, arrancando-lhes suas terras ou seus últimos tostões; ou, ainda, por convicção retrógrada, negando absorvente higiênico para as meninas, pensando que com esse falso moralismo esconderá com trapos ou papel suas “vergonhas” e enganará os tolos.

“É preciso amar as pessoas como se não houvesse amanhã”, sim! É num sentido de urgência, antes de ser interpretado como hedonismo ou outras coisas, o dizer do poeta. O Amanhã virá! Virá de uma forma ou de outra, mas será um amanhã de outros e que seja melhor. Agora é conosco, daí o compromisso com a nossa consciência. Não falamos de consciência de classe, religiosa, política ou de pertença familiar, mas de consciência ética e moral, imperativo categórico, que abarca a nós todos. É impossível fechar os olhos para as acontecências.

Os primeiros versos de “Pais e Filhos”, canção da Banda Legião Urbana, se reportam ao  suicídio de uma garota em decorrência do choque de gerações, de sofrimentos da alma e do descaso, mas pode referir-se, também, a todo esse desamor que leva as pessoas, do dia para noite, verem-se sem nada, caírem no anonimato das ruas como pedintes; jogarem-se das janelas da vida ao abandono de si mesmas; às mães desesperadas, olhando as vitrines dos açougues para saber onde o quilo de osso está mais barato; aos desalentados, outrora chamados de “empreendedores”, que por não terem tido a sorte de criar uma offshore  em paraíso fiscal, faliram de firma e dignidade e nada mais têm para dar aos filhos; aos condenados a tratamentos “paliativos” dos falsos planos de saúde. Tudo isso nos leva a pensar que “não haverá amanhã”. Nosso hoje, nosso cotidiano e nossa luta diária, precisam ser objetos de reflexão. Precisamos pensar no que queremos, questão do último verso da canção: “o que você vai ser quando você crescer?”

Voltando à chamada “pobreza menstrual”, à questão dos absolventes femininos, voltamos à proteção da vida, valor maior a ser defendido e uma vez mais ameaçado. A menstruação das meninas é um sinal biológico de que haverá amanhã para a humanidade, mas, tanto elas quanto os meninos, precisam de respeito e cuidados que passam pelo direito à saúde e à educação em todos os sentidos para que sejam melhores “quando crescerem”, pelo amparo à família, pela obrigação do Estado na proteção de todos. Passa, também, pelo fim de outros preconceitos contra as mulheres, expressos no machismo, pai das diversas formas de violência física, moral e econômica.

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