GP da UFPA lança doc sobre línguas indígenas da Amazônia paraense

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O Grupo de Estudo Mediações, Discursos e Sociedades Amazônicas (Gedai), do Programa de Pós-Graduação em Letras da Universidade Federal do Pará (PPGL/UFPA), vai lançar, neste sábado (30/10), às 19h. o documentário intitulado Entre rios e palavras: as línguas indígenas no Pará em 2021. O lançamento ocorrerá pelo canal do Gedai no Youtube.

Afinado com o objetivo do Projeto Retratos do Contemporâneo: as línguas indígenas na Amazônia Paraense, o filme traça uma discussão sobre as histórias das línguas nativas faladas pelos povos originários que vivem na Amazônia, os processos de apagamento de algumas delas por parte da colonização e os processos de resistência.

O documentário também conta sobre a revolução linguística que está acontecendo atualmente na região do Baixo Tapajós, em que 12 povos indígenas tomaram o Nheengatu como sua língua nativa e há uma organização entre essas sociedades para que elas falem o idioma.

“No filme, os indígenas contam como foi a perseguição, ao longo dos anos, às suas línguas nativas, e o quanto eles foram obrigados a parar de falar suas línguas e muitos foram mortos ou castigados quando desobedeceram a essa imposição”, diz Ivânia Neves, coordenadora do projeto e do Grupo de Pesquisa Gedai.

O documentário também discute as relações entre as escolas indígenas e as universidades, e como as instituições de ensino ocidentais tratam a questão das línguas, uma vez que hoje muitos jovens indígenas assumem um grande protagonismo para visibilizar os seus idiomas nativos. O filme tem direção de fotografia e edição do cineasta indígena Clodoaldo Arapium.

Retratos do Contemporâneo

Apesar da língua portuguesa ter sido imposta pela colonização como a língua oficial do Brasil, ela não é a única. Atualmente, embora não se saiba exatamente, especula-se que aproximadamente 200 línguas são faladas no país por várias sociedades indígenas. Esses povos enfrentam duras batalhas contra as estratégias coloniais para manter os seus idiomas vivos e sendo transmitidos de geração em geração.

Para mapear e visibilizar as línguas nativas faladas pelas sociedades indígenas que vivem no Pará, o Grupo de Estudo Mediações, Discursos e Sociedades Amazônicas (Gedai), do PPGL/UFPA, desenvolveu, neste ano, o Projeto Retratos do Contemporâneo: as línguas indígenas na Amazônia Paraense.

A primeira etapa do projeto consiste na realização e no lançamento de um documentário sobre as línguas indígenas faladas no Pará e de um Mapa Interativo, contendo informações sobre as línguas faladas pelos povos originários que vivem na Amazônia paraense, vídeos de indígenas falando em seu idioma materno, depoimentos desses povos, entre outros materiais que poderão ser acessados pelo público.

O projeto foi aprovado no Edital de Cultura Imaterial da Lei Aldir Blanc de 2021, promovido pela Secretaria de Estado de Cultura do Pará (Secult) e organizado pela Fundação Instituto para o Desenvolvimento da Amazônia (Fidesa).

“O projeto vai mostrar quais as línguas indígenas que são faladas aqui, no estado. Consideramos também a presença dos indígenas venezuelanos da etnia Warao, que, atualmente, vivem em dez cidades aqui, no Pará. Como estamos no período de pandemia, a gente operacionalizou o projeto pedindo que os próprios indígenas nos enviassem gravações falando em suas línguas. Essas gravações estarão presentes no mapa interativo. Também entrevistamos intelectuais, tanto indígenas como não indígenas, que discutem o tema, além de várias lideranças indígenas”, explica Ivânia Neves.

Mapa Interativo

Outro resultado desta primeira etapa do projeto é um Mapa Interativo contendo informações sobre as línguas indígenas faladas no estado. O mapa conta com vários depoimentos, em vídeo, de lideranças indígenas que explicam sobre a importância de se manter viva a língua nativa e de transmiti-la de geração em geração, além de fotos, vídeos de danças, cantos na língua materna, textos escritos e várias outras informações que o público pode obter clicando nas cidades em que cada povo indígena vive. O mapa será lançado dia 1º de novembro, no site do Gedai.


Fonte: Comunicação/UFPA

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